Como superar uma “bad hair phase” – parte I
Quem já viveu intensamente um “bad hair day” sabe o quanto o cabelo influencia em nosso humor. Pois então… eu vinha tendo um “bad hair day” há algum tempo. Não que eu ficasse o tempo inteiro mal-humorada (até porque quando minha mãe me chama de “Veesssspa”, eu caio na risada. Pareço bem mais louca do que mal-humorada), mas estava sempre com aquela sensação de que muita coisa poderia ser diferente/melhor se eu tivesse outra cara. Ou melhor, outra cabeça. E por que não começar a mudança da cabeça pela parte mais aparente dela: o cabelo?
Há anos (11, precisamente), eu freqüentava a mesma cabeleireira, lá no meu bairro. Passei por vários salões com ela, que sempre trabalhou muito. Cabelo, maquiagem, depilação, pé, mão… tudo era com ela! Na peregrinação pelo corte, digamos, seguro, eu a acompanhei por dois salões até que – é sério – na pior fase ela teve que instalar o salão em uma garagem alugada de uma casa bem estilo anos 70 (que, claro, também tem lá no meu bairro). Minha irmã chamava de “garagento” aquilo que eu chamava de centro de estética. Mas… eu gostava tanto dela. E a atenção, o cuidado, a limpeza, a organização, continuavam iguais. Eu achava divertido e entrava em outro mundo mesmo quando chegava ao salão garagento.
Até que a conta começou a ficar ainda mais negativa. E ela, que fez curso de Empreendedorismo no SENAC, recebeu uma proposta tentadora de um amigo do marido para ser gerente de uma – é sério também – boutique de carnes (que, claro, também tem no meu bairro). Não, não é um açougue. É uma boutique de carnes. E ela, como gerente, atende a clientela fina e elegante, dá dicas de receitas, encaminha as pessoas às gôndolas de carnes exóticas, dá um atendimento todo especial para quem chega ali querendo variar o cardápio “bife-batata frita”, “carne de panela com batatas” e qualquer outra combinação que não resulte em “vaca + algum tipo de tubérculo”.
Como gerente da boutique de carnes, ela foi registrada, passou a ganhar mais e a ter direito a férias, 13º e outros benefícios que só um empregado tem. Então ela abdicou da garagem e montou o salão na própria casa, também alugada, para atender apenas aos sábados à noite (porque a boutique abre de domingo). Uma loucura! A sala perdeu o sofá e a TV e ganhou cadeiras, lavatório, espelho e tudo mais que você encontra em um salão de verdade. Exceto o cachorro, o cheirinho de comida, os brinquedos do filho que eu vi crescer por fotos, uma ou outra peça de roupa que escapavam do piso superior…
Era hora de mudar. Por mim e por ela. Não porque a situação me incomodava, mas porque veio aquele sentimento de quando você sabe que termina. E também porque ela se recusava a ousar um pouco mais no corte e eu, rindo, aceitava os dois dedinhos que ela cortava, ouvindo “Deus dá asas pra quem não sabe voar…”. Foi aí que procurei um salão mais famoso, no bairro vizinho (porque, claro, isso não tem no meu), onde, a julgar pelos profissionais, seria a chance de escapar da lobotomia e apelar para um método mais simples de obter uma cabeça nova: um corte de cabelo diferente.
Foram quatro visitas. E quatro cortes iguais. Iguais mesmo. Os quatro iguais aos dos últimos 11 anos! Eu estava tão acostumada com aquela cara que a cabeleireira não conseguiu me imaginar com outra. Aparou as pontas, subiu um pouco o repicado que estava quase na cintura mas, ao desligar o secador pra arrumar a franjinha rebelde, eu continuava igual.
E foi aí que eu apelei para a May e marquei um horário na cabeleireira responsável pelas madeixas do priminho danado de dois anos, da tia, do tio e dela. Todas bem bonitas e, o melhor, diferentes das minhas.
E é essa experiência trans e pós-mudança radical que eu vou contar no próximo post. Ou você acha que eu ia contar rapidinho algo que demorou 11 anos pra acontecer!?
Por Má-Má.
Eu quero morrer um dia
A última edição da revista Superinteressante trouxe como tema da matéria de capa, a imortalidade do ser humano. Desde que as pessoas pensam, isso foi um sonho. É claro que tudo que foi colocado ali me impressionou e me causou interesse, mas acho um pouco exagerado e obcecado demais esse sentimento que o homem tem de viver para sempre. Eu não estaria disposta a viver 300 anos. A não morrer de morte sofrida, sim. Mas acho que a vida tem um ciclo a seguir e se você começa a interferir demais nisso, acaba perdendo o que ela tem de melhor. Você passa a querer enganar os efeitos do envelhecimento natural, a driblar as consequências da idade e se esquece de viver a vida. No simples significado da palavra mesmo.
Na matéria, fala-se de várias maneiras de contribuir com a longevidade. Nanorrobôs que ficarão dentro do seu corpo limpando, consertando, refazendo tudo o que estiver de errado. Tem gente estudando a possibilidade de se fazer o download dos pensamentos das pessoas. Será um software com todas as habilidades da versão original do cérebro humano. Loucura?
Daí vem a parte de vivermos como manda os ensinamentos para uma vida saudável e longínqua. Respirar? Parece que é um ato vital, não? Não. Porque “o oxigênio é um dos mais potentes radicais livres – moléculas que circulam pelo nosso corpo com elétrons instáveis, prontos para roubar elétrons de outras moléculas. E quando os radicais livres conseguem realizar o roubo, as células ficam danificadas”. E se dá o envelhecimento. PAM! Você sabia que beber água faz mal à saúde? Sim, porque sua fórmula é facilmente afetada pelos radicais livres, que quebram a ligação de Hidrogênio com Oxigênio. Já tem maluco bebendo D²O, pra se livrar dos Hs.
Depois de ler 10 páginas sobre o assunto, não teve como: parei para pensar se sou a favor ou contra essa evolução. Não que isso vá fazer com que ela aconteça ou não, mas até agora, pelo que entendi, cada um terá o direito de escolha de se transformar ou não em máquinas. O mínimo, concordam? Eu acho que optaria por continuar humana. Ou talvez quisesse ser um pássaro. Ops, isso ainda não pode. Mas até quando?
Como seria o mundo com, como se espera para 2040, 1,3 bilhão de pessoas com mais de 65 anos? Fora os imortais que caminharão por aí com seus 250 anos? Serão mais idosos que crianças no mundo já em 2015. Haverá espaço para tanta gente? As pessoas manterão o respeito pelos limites? Ora, se eu vou poder reverter qualquer efeito negativo consequente de algum hábito, haverá um aumento – creio eu – de pessoas que usam drogas, fumam, são obesas e vivem em um ritmo alucinado de estresse. Não haverá nada realmente prejudicial à saúde. Estaremos acima do bem e do mal. Porque, afinal, não seremos mais gente. Será que não estamos dando um tiro no pé?
Não será o fim da humanidade? E quando todas as pessoas que sobrarem forem robôs e um dia der um curto-circuito/pane no sistema? Qual pessoa de verdade vai socorrer? Será o fim. Oh! Além disso, nem quero pensar na polêmica espiritual e religiosa que vai ser. Se não morreremos mais, não acreditaremos mais em salvação divina, em vida após a morte e em ser uma boa pessoa para não acabar no inferno depois. Ninguém mais viverá a experiência da morte? Tudo bem eu querer morrer um dia pra ver como é?
Todas as fontes dessas ideias malucas estão na matéria da Super, devidamente citadas. (Edição 275 – Fev/2010)
Para saber mais e acompanhar as discussões que a Super propõe, siga a revista no twitter: @revistasuper
Por May.
Diz-me com quem andas e eu te direi se… quero ir também!
O legal de ter amigos legais é que você fica tranquilo, na maioria das vezes, quando participa de algum evento dos amigos deles. Teoricamente, ninguém superlegal tem um amigo mega chato. Claro que existem exceções e isso foi, inclusive, um dos assuntos na última viagem que fiz com uma galera diferente. Sempre tem aquela pessoa que ninguém sabe por que foi acolhida pelo grupo, mas também ninguém nega que tem um carinho por ela. Mistérios das relações de amizade.
Voltando ao foco: no feriado (em tempo: Parabéns São Paulo pelos seus 456 anos! Tem gente que te ama como você é. Aka: Marina), viajei com os amigos de uma das minhas melhores amigas (Ma-Má, lov u), que são os amigos da irmã dela também. Mó legal isso!
Eu conhecia alguns de vista, outros já tinha ouvido falar e uns não imaginava mais verdes. E é muito interessante a evolução das coisas nessas situações. Primeiro, você é apresentada, reúne informações e primeiras impressões. Fato que faz um pré-julgamento e aguarda o caminhar da carruagem para confirmar ou não.
Percebo que em toda turma tem vários tipos de pessoas que, se fossem ser comparadas, não têm nada a ver uma com a outra. Mas que se colocadas em um saquinho, todas juntas, não dá pra imaginar tirar um grão do pacote que não faria falta. Inevitavelmente, lembrei de cada amigona minha em diversas situações e sempre pensava em uma piada relacionada aos momentos que vivemos para comentar. E que só elas entenderiam. Sorte a minha que tinha Ma-Má e Maria Claudia por perto para me acalmarem esses ânimos. Mas nem sempre estávamos juntas. E aí eu me calava.
Três dias e três noites de convivência com pessoas desconhecidas e amigas entre si é, digamos, revigorante. Você tem contato com histórias diferentes, discute assuntos que discutiu com seus amigos há anos, tem a oportunidade de contribuir com opiniões que ninguém sabe ainda que são suas. E o ganho é muito grande! Ver pontos de vista distintos, maneiras de se divertir, gostos e manias unânimes da galera que você acaba curtindo também e, por ser marinheira de primeira viagem, aproveita bem mais que todo mundo. E isso fica evidente: você ri bem mais das piadas porque são inéditas pra você e são as mesmas para eles. E causa espanto por isso. Curiosidade. E nem liga de não entender qualquer piada interna feita. Eu tenho um montão delas com as minhas amigas!
No fim da trip, você se vê apegada a todo mundo de um jeito peculiar. É verdade que você mal conhece, mas já quer combinar outros passeios e encontros e sente uma pontinha de saudades de cada um. Até daqueles que erravam meu nome sem querer e logo se corrigiam. Dou um risinho de canto e transbordo simpatia por aquele que, depois de perguntar para qual time torço, achou que, com o campeonato de futebol sub20 ganho, eu acordaria da minha soneca vespertina para comemorar o título! Isso é a comprovação de quem ninguém me conhece ali. E alguém nega que uma das coisas mais bacanas da vida, do mundo, é conhecer pessoas? O mundo tá todinho cheio de pessoas incríveis. Basta a gente querer conhecê-las.
Por May.
São Paulo é o meu malandro
Nunca fui do tipo que se apaixona fácil, fica com a cabeça nas nuvens ou se esquece de quem é para ser mais o outro do que si mesmo. Nunca agüentei desaforo em relacionamentos (ok, até soar o alarme da minha dignidade, claro. Porque um desaforozinho aqui e ali eu já levei pra casa, sim. E coitado do pobre que discutiu a relação no dia seguinte). Enfim, nada disso acontece com pessoas. Porque, hoje, a questão aqui não é falar das mazelas do relacionamento “homem x mulher” ou “você-é-um-homem-ou-um-rato? x mulher” (se bem que, Oh, God!, como esse tema rende assunto). A questão aqui é falar de um relacionamento duradouro, quase doentio, profundo e incompreensível: meu amor por São Paulo.
Porque, olha, se tem um papel que eu tenho desempenhado bem é o de mulher desse malandro. Pensou que, por ter orgulho de ser “nascida e criada” aqui, pagar impostos, votar consciente, contribuir para o aumento do maior PIB do país você seria uma cidadã, Marina? Que nada! Eu sou mesmo é aquela que acorda cedo e sai andando na ponta do pé para não acordar esse safado que é São Paulo! Aquela que só o chama tarde, sabe seu gosto e na bandeja leva café, chocolate, biscoito e salada de fruta. Tudo por esse vacilão.
E o que a parceira dedicada ganha em troca? Beijinho sabor hortelã de manhã? Feijão quentinho na hora do almoço? Uma recomendação carinhosa de “Se cuida” ao sair pro trabalho? Uma luz acesa em plena madrugada, com um lanche gostoso na mesa de jantar?
Não!
Ganho mesmo é um tsunami pluvial, o próprio bairro em destaque na rádio Sulamérica, o medo de parar no farol a qualquer hora do dia, o estacionamento a R$20 na primeira hora e R$3 a cada hora excedente, a impossibilidade de me locomover quando quero com o veículo que consome o 13º apenas para poder sair às ruas no ano que se inicia.
Então… “Lei Maria da Penha” nele!?
Ah…também não é bem assim…
Calo minha boca com cada cantinho alternativo que descubro na cidade, com os prédios antigos que convivem harmoniosamente com os novos, com as galerias e antenas da Avenida Paulista, com as lojas bonitas dos Jardins, com os bares da Vila Madalena, com o ipê rosa que – não sei como – sobrevive lindamente na Av. Bandeirantes e no papel de parede do meu celular, com o pedacinho de interior paulistano misturado com a maior colônia lituana da cidade que é a Vila Zelina, com os cinemas, shows, teatros e tudo o mais que não tenho dinheiro suficiente para consumir, mas que me dão fôlego só de pensar que estão ali para quando eu tiver.
Calo a minha boca com a vontade incontrolável de escrever esse texto durante o expediente, que poderia não ter começado por causa das chuvas da madrugada. Essas não me atrapalharam tanto, mas eu não teria chegado se não fosse a ajuda dos caminhoneiros que estavam estacionados e indicaram caminhos alternativos não só para mim, mas para todos os motoristas que tentavam cruzar a cidade para que esse malandro, que tanto nos maltrata, não pare nunca. E continue sendo o único que provoca esse sentimento em mim. São Paulo é meu malandro…e não tem mesmo espaço para mais um desse no meu coração.
Por Má-Má.
(livremente inspirada por: Vacilão , Cotidiano e por seu amor pela terra da garoa)
Sr. Kebab, kebabeia-nos!
Este texto é quase uma encomenda. Mas como não escrevo sobre nada que não me motiva… (Ok, exceto quando tenho que fazer uns releases pouco interessantes, mas isso não chega aqui no Palavra) … aceitei o desafio. Não é sempre que almoço em lugares bacanas nos dias de semana afinal, não tenho a sorte de ter por perto restaurantes aconchegantes, deliciosos e atrativos. Geralmente optamos pelo quilo, no qual chegamos rápido, comemos rápido e saímos mais rápido ainda. Assim, evita fadiga.
Mas sexta-feira é diferente. Não tem como explicar. Você precisa de um almoço mais divertido, gostoso e por que não dizer mais demorado? O corpo e a mente pedem por isso! Eis que surge um movimento com participantes pra lá de engajados na causa de agitar um horário de almoço bem animado! O grupo de discussão séria (eleger prioridades sempre foi meu forte) começou pequeno e terminou bem grande, eu diria.
Não que tivéssemos sido exemplos de pessoas focadas na pauta principal, já que isso foi decidido de início, mas arrisco dizer que as conversas foram mais sem pé nem cabeça que era possível ficar tonto. Alguns até desistiram de tentar acompanhar. E os mais inteligentes, mais ágeis, mais astutos, mas perspicazes conseguiram acompanhar e participar proativamente. Por total perfil, eu era uma delas.
Ainda bem que tudo isso rolou pelo MSN. Juro que nem consigo imaginar o barulho que teria sido essa conversa presencial.
Mas apesar de parecer, o assunto do post de hoje não são as pessoas nada normais que trabalham comigo, mas sim, o dono do restaurante a que fomos. Pensem num dono. Eu já tinha tido uma experiência com ele. Calma. Só visual. Calma [2]. Continuou só visual. Droga. Infelizmente. Mas nem pensem que é uma peculiaridade do meu gosto. TODAS as outras mulheres que me acompanhavam desejaram o kebab do sr. Kebab. Calma [3]. Traduzindo: que o sr. Kebab trouxesse os pratos.
Claro que, na mesma proporção que eu falo demais, faço de menos. Mas gosto de pensar na hipótese de ter chamado a atenção de todas as mulheres (e até de alguns dos homens) para o bonitão. Sabe aquele tipo que não dá pra parar de olhar? Pois é. E o moço tava super trabalhando, todo dedicado. Ai ai (suspiro), fofo. Enfim, fiz um texto inteiro para tentar justificar a beleza do rapaz. Se você ainda não se convenceu, fica a dica: a kebaberia é essa aqui e além do dono ser uma graça, o kebab de cordeiro e o de frutas vermelhas com chocolate branco são uma delícia! Vá conferir!
Por May – Para Nat

