O que Barcelona já me ensinou

janeiro 14, 2012 at 12:25 pm (Post)

Já são dois invernos. Se eu sempre fiz graça dizendo o número de primaveras que já vivi, aqui a primeira lição foi essa. Inverno é coisa séria e não faz frio em São Paulo. E perto das vizinhas européias, nem em Barcelona.

Barcelona me ensinou que, sim, é possível dividir. Casa, tempo, comida e angústia. Mas que às vezes dói compartilhar tristeza.

Que o skype foi a melhor invenção do mundo depois do e-mail. Mas que é insuperável a emoção de abrir a caixinha do correio e o envelope não ser uma carta do banco.

Que tudo de marca própria do mercado é gostoso. E muito mais barato. Mas que o leite condensado tem que ser o da moça.

Que eu sou muito mais feliz movida pelas pernas do que pela gasolina. Mas que não sobrariam pernas em São Paulo pra ser feliz assim.

Que nem sempre é fácil aprender um idioma. Mas que não se pode perder a vontade de se comunicar.

Que coisas ruins acontecem com pessoas boas. Mas que coisas maravilhosas não acontecem com pessoas ruins.

Que discutir a relação é difícil em qualquer idioma, chingados. Mas que é verdade mesmo, gente, que o amor não se traduz, simplesmente se entende. E tudo bem.

Que os preços nas rebajas são muito competitivos. E, sim, se pode esperar seis meses para fazer compras.

Que uma calcinha normal, nem coador de café de pano nem fio-dental, é conhecida como “brasileira” aqui. Mas que, muito diferente da turista ou estudante, é muito difícil de encontrar.

.it feels like home.

.it feels like home.

Que o Barça é o melhor time de futebol do mundo. E você nem precisa gostar de futebol pra gostar dele.

Que a cidade é linda quando amanhece, quando entardece e quando anoitece. E poder ver a luz do Sol desde a janela do seu quarto – ainda que indireta, refletida nas janelas do prédio em frente – é, sim, um privilégio.

Que ser imigrante não é fácil. E a burocracia é personalizada.

Que essa não é uma viagem. E que não há lugares como a nossa casa. Mas que, sim, se pode ter mais de uma.

There’s no place like Barcelona.

Por Má-Má.

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Cadê as luzinhas de Natal?

dezembro 22, 2011 at 1:28 pm (Post)

Hoje já é dia 22 e nem parece que o Natal está tão perto. Acho que no ano passado pareceu menos ainda. E comprovei isso revendo meus posts do Palavra. Que mania essa minha de interpretar meus posts como um gráfico pessoal! Em 2008 e em 2009, desejei um monte de baboseiras Feliz Natal e um ótimo Ano Novo no dia 21 de dezembro. Na mesma data, sem perceber, claro. Acho que era quando o clima de fim de ano já estava transbordando… em São Paulo. Mas desde que eu mudei pra Barcelona, não sinto mais tanto assim o dingow bell usual. Parte disso é a diferença mesmo com que eles encaram o Natal aqui… menos calorosa, acho. Bom, mas isso é reflexo de como eles encaram TUDO menos calorosamente nesta vida, né… e o clima também tem um pouco de culpa nisso, fato. E também que o Papai Noel aqui na Catalunha divide espaço com o Caganer. Não me conformo com isso, gente.

Mas também acho que não entrar no clima natalino também tem a ver em não estar com a família de sangue. Digo família de sangue porque aqui, longe, tenho a minha família também, mas mãe, irmãs, pai, tios, avós, cachorro, gato, galinha, ta tudo ali, na tela do skype com uma qualidade de ligação terrível, que os votos ficam cortados e as vozes parecem de robôs e aí irritação vai ganhando pelo cansaço. E não tem os abraços, a passada de mão nas costas sem muita pretensão, a mexida no cabelo pra fazer um carinho. Não tem o especial do Rei, nem a Maria Bethania cantando Noite Feliz. Não tem as discussões em alto em bom som, as gargalhadas e zuações, as comidas de sempre, o chororô ao lembrar dos que já foram. E as muitas risadas e coração quente ao aproveitar os que chegaram há pouco tempo!

Voltando aos meus antigos posts de Natal, o último foi há dois anos. E se começo a lembrar como estava minha vida, o que eu queria pra ela, o que eu programava, o que eu temia, o que eu protegia, o que eu desejava, me dou conta de que tudo isso é tão, tão, tão mutável que não vale a pena fazer muitos planos a longo prazo. Tenho certeza que muita gente discorda disso e eu, há dois anos, talvez achasse um absurdo, mas hoje eu vejo que nada é pra sempre, tudo pode mudar (e é bom que mude), então pra quê sofrer e se martirizar com planos concretos pra daqui cinco anos? Dois? Um? Meio ano, enough.  Porque pode ser que em fevereiro, eu decida que quero mudar de país, estudar fora e largar tudo pra trás… como aconteceu em fevereiro de 2010. E aí? É bom se imaginar como estará daqui cinco, 10, 30 anos, mas ao invés de pensar que tudo tem que acontecer como você planeja agora senão não terá dado certo, por que não viver e… viver? E ir construindo seu caminho até lá de acordo com o que o mundo for colocando pra você. E tirando. E trocando. E moldando.

Fora os muitos quatro anos a mais que tenho hoje, o que significa praticamente nada muita experiência, amadurecimento e aprendizado, resolvi não pedir nada demais pra 2012, além do que qualquer pessoa normal escreveria em qualquer cartão de Feliz Natal e Próspero Ano Novo pediria pra si mesmo e família.

Ah, SÓ uma coisa: será que dá pra pedir pro mundo não acabar em 2012? Queria fazer tanta coisa ainda nessa minha vidinha de Meldels… ;)

Feliz Natal, galere. E um Ano Novo bem gostosinho pra vocês.

Por May.

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É que nem umbigo…

dezembro 12, 2011 at 12:09 pm (Post)

Ter opinião. Quantas vezes alguém já não te disse que você tem que ter opinião sobre tudo? Tem que ter opinião sobre política, futebol, economia, viagens. Tem que ter opinião sobre o novo corte de cabelo daquela apresentadora do jornal, sobre a nova série de TV, sobre o relacionamento daquela sua amiga, sobre a nova namorada do amigo. Sempre temos que dar opinião sobre alguma coisa. Não passamos um dia sem dar opinião sobre algo. As pessoas cobram isso da gente e nós, naturalmente, esperamos isso delas.

O que acontece muito é que damos opinião sobre as coisas sem pensar muito bem. E não, não me venha falar que VOCÊ nunca fez isso. Tem gente que dá opinião para não parecer que não tem opinião. Como se isso fosse um problema. Eu não tenho opinião sobre algumas coisas, geralmente sobre aquelas que não conheço muito bem. Muitas coisas, aliás. O foda é que uma opinião quando se está fora da situação sempre é um pouco rasa porque está formada com base no que você ACHA que pode ser algo, sobre o que você SUSPEITA que deva sentir quem realmente está vivendo aquilo. E sobre o que é o certo… pra você. Muitas vezes, falamos coisas com uma propriedade falsa que até chega a enganar a nós mesmos. O mais perigoso, pra mim, é quando acontece de a opinião que você dá a alguém não ser tão significante pra você, mas ser suficientemente importante pra outra pessoa considerar. E se você não toma cuidado, pode fazer mal querendo apenas dar a sua estúpida preciosa opinião.

E essa dinâmica de dar e receber opiniões sobre as coisas mais importantes e mais desprezíveis que existem é algo que nos rodeia o tempo todinho. Hoje você fala uma coisa aqui, em que você de verdade acredita e de repente você acorda um dia vivendo uma situação que em outro momento você tinha certeza que estava errada. Que não teria chances de dar certo. Que não valeria a pena SE fosse com você. Mas hoje você considera aspectos que naquela hora nem passavam pela sua cabeça. Aspectos de o que é SENTIR de verdade aquilo, de que tudo pode ser muito mais flexível quando há mais vontade que receio. Tudo pode parecer completamente diferente quando se opina sobre algo que se está olhando de fora.  Quando você está ali, no centro do redemoinho, querendo viver aquilo com a intensidade que você acha que merece, você se dá conta de qualquer opinião de alguém que nunca esteve ali, como você, com todas as angustias e alegrias, exatamente da mesma maneira… bom, essa opinião não tem fundamentos para ser dada como certa. Nem como errada. É… é sempre assim. Opinião não pode ser julgamento porque se não seria julgar e não opinar.

Não to querendo dizer aqui que acho que ninguém deveria dar opinião sobre nada. HAHAHAHA, não. Se alguém te pede opinião, dê. Se você quer uma opinião, peça. O chato é que tem gente que quando pede sua opinião não quer realmente ouvi-la, quer que sua opinião seja: concordo. E se não é, não interessa mais. Mas essas pessoas… ah, essas pessoas a gente finge que leva a sério. Eu gosto de dar opinião, claro. E me sinto bem quando mudo de opinião também. Pra mim, parece que aprendi algo que me fez mudar. Taí uma coisa que não vejo problema nenhum. E não me incomoda mudar de opinião. Por que é tão difícil para alguns?

Opinião: cada um tem a sua.

Sejamos livres, gente! Opiniões estão aí para serem dadas, ouvidas, consideradas e nem sempre aceitas, mas sempre respeitadas. O mundo seria mais redondo se a vida de cada um fosse mais interessante que a dos outros. E se opinar nunca tivesse a intenção de julgar. Essa é só a MINHA opinião. ;)

Por May

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O primeiro aniversário a gente nunca esquece

outubro 5, 2011 at 5:00 am (Post)

Hoje faz um ano. Exatamente às 17h, quando encontramos uma mala a menos na esteira e o sonho e todas as expectativas começaram a valer de verdade. O começo não foi difícil. Passados uns meses é que a coisa aperta e você se dá conta que não está viajando de férias e que não vai voltar pra casa. Afinal, que casa? Acho que até hoje o que mais me tira o fôlego é pensar que me desfiz de quase tudo que eu tinha pra viver isso. Sorte que, não importa quão longe esteja, sei que há pessoas que estão suficientemente perto. E isso me mantém aqui. Tranquila não, mas satisfeita. Acreditando que vale a pena.

Você percebe que passou um ano que você chegou quando já sabe a rotina da cidade e já consegue fazer itinerários na cabeça sem precisar consultar o mapinha de bolso do início. Quando já passou por um inverno e um verão e já cumpriu todo o calendário festivo anual. Quando não para mais pra comer aquele menu caríssimo e insonso, sabe onde está o melhor sorvete e começa a encontrar pessoas conhecidas na rua ou na balada. Aí, minha gente, não tem mais nada de turista.

Mas o mais legal de estar aqui há um ano é ter conhecido uma rotina infinitamente melhor que aquela que eu levava (e gostava, btw). É a pura vivência de algo extremamente bom que às vezes dá até vergonha de contar pros outros. Mas aí eles vêm te visitar e dão de cara com a realidade de perto… e então não dá mais pra esconder o quão maravilhoso que é viver nessa cidade. Aliás, você se torna guia turístico número 1 e sabe todos os atalhos pra chegar mais rápido, ter as melhores vistas e pagar mais barato. E ainda é a admiradora oficial da cidade. Mas nada disso parece ser muito importante quando você está com essas companhias porque elas, geralmente, são as pessoas com as quais você queria compartilhar tudo isso mesmo! E aí a cidade torna-se coadjuvante.

Claro que também tem a parte chata de estar tanto tempo morando num país que não é o seu. Aliás, tem várias partes chatas, mas as boas compensam dum tanto que nem dá coragem de falar dos inconvenientes. Mas o pior, pior, pior, pior de tudo, sem dúvida, é levar quem vem te visitar pro aeroporto, virar as costas e pegar o trem. Isso sim é sacanagem. Sorte que o trem funciona bem! ;)

Barcelona, hoje a gente faz um ano de namoro e eu continuo loucamente apaixonada por você! ♥

.não tem como não te amar, coisa linda.

Por May

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Palavra estilosa: nós temos!

setembro 15, 2011 at 5:36 pm (Post)

Já faz tanto tempo, mas acho que ele não ficará chateado de entrarmos nessa farra só agora… pedimos perdão, Charlie. De coração. Pela demora. E, claro, antes do perdão: obrigada! obrigada! obrigada! Um obrigada de cada uma. É sempre muito gostoso ter o nosso querido Palavra reconhecido por blogueiros que nos divertem com seus textos e nos inspiram a escrever cada vez mais.

é mto chique, gente!


Pensa num selo phyno. É não? E é nosso! Bom, será a partir do momento em que revelarmos sete coisas sobre nós e indicarmos mais 15 blogs para continuar a brincadeira premiação. Como aqui a palavra é dada por três, nada mais justo que revelarmos sete coisas sobre cada uma de nós para ganhar este selo, que é o puro sabor do estilo.

Aí vai:

May

  1. Estalo os dedos com o dedo anelar
  2. Nunca soube dar estrelinha
  3. Não como frutas, só melancia
  4. Já grampeei o meu próprio dedo numa folha de papel pra ver como era
  5. Tenho medo de gatos
  6. Eu falo enquanto durmo
  7. Gosto de turbulências (leves) no avião pra dar um gelinho na barriga

Má-Má

  1. Morro de medo de perder a(s) sobrancelha(s)
  2. Fiz exame para tirar carteira de motorista quatro vezes
  3. Fico rouca facilmente
  4. No meu aniversário de 12 anos pedi um pandeiro de presente pros meus pais
  5. Depois de anos de resistência, hoje tenho 10 pares de meias pretas
  6. Não consigo digerir polvilho, mas amo o biscoito e pão de queijo
  7. Faz mais de cinco meses que não pinto as unhas

Carrô

  1. Eu ainda tenho os dentes do siso
  2. Eu tenho a flexibilidade corporal similar a de um bebê
  3. Amo montanhas-russas e tenho medo de rodas-gigantes
  4. Eu queria ter um carro só pra poder cantar bem alto no trânsito
  5. Eu prefiro tirar fotos de paisagens a fotos de pessoas
  6. O número da minha primeira casa era 13, igual o dia do meu aniversário
  7. Eu choro com a mesma facilidade que eu dou risada

A lista de 15 blogs é conjunta e acordada (e nada modesta):

  1. Balcónzinho
  2. Geladeira Oráculo
  3. Analgésico Cultural
  4. Caleidoscópio Dental
  5. Devaneios Psicodélicos
  6. E agora, Flavita?
  7. Cora Elizabete
  8. Stuff No One Told Me
  9. There is no liz, only zuul
  10. Eneaotil
  11. Sócia da Light
  12. Um ano sem Zara
  13. Dia de Beauté
  14. Blog do Tas
  15. Fim de Expediente

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