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Cheirinho de quê mesmo?

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Eu sempre fui de dar bastante importância pro cheiro. Adorava dar de presente (e receber) os kits da Boticário e da Água de Cheiro, com o perfume, o creminho, o sabonete e as bolinhas de óleo para banheira que eu nunca tive e que acabavam estourando na gaveta. Eu adorava ir à loja, cheirar um, cheirar os grãozinhos de café para limpar o olfato, pedir outro, voltar pro café, outro e outro e outro.

Quando era bem pequena, li numa dessas revistas de horóscopo que o perfume Roma era o que mais combinava com meu signo. Um dia, quando fui a uma loja de perfume lá na Paes de Barros com a minha mãe para comprar um presente, a primeira coisa que perguntei pro vendedor foi: “Você sabe onde vendem o Roma?”. O vendedor disse: “Aqui mesmo, menina.”. E completou, “É o preferido da Adriane Galisteu”. Mas que pregunta tonta para se fazer dentro de uma loja de perfume. Acontece que o Roma era mais de mulher, e eu ainda estava na fase Boti (era um coleção com um botinho cor-de-rosa da Boticário). Perguntei o preço por curiosidade e acho que arregalei demais o olho. Saí de lá com uma amostrinha gratis numa embalagem que imitava a original (uma columa romana).

Foi bom, porque acho que não teria comprado um frasco inteiro do Roma. E por quê? Porque eu o cheirei e ele não me convenceu muito. Ontem paguei por não aplicar toda minha sabedoria infantil.  Precisava de um desodorante (não menos glamuroso ou importante que um vidro de perfume, verdade?) e, na tentativa de inovar, peguei um de embalagem bem tradicional, amarelinha. O slogan dizia: “Fragrância original desde 1905”. Eu estava a fim de algo com história, aparentemente. Entre outros cosmetiquinhos que encheram a sacola, cheguei em casa, fiz o que tinha que fazer e quase na hora de dormir estava ansiosa para tomar banho e experimentar meu novo desodorante.

Pssssssssssssss direto na suvaquera. Opa. Pra começar, o jato dele era molhado. Perdeu pontos.

Pssssssssssssss2. Hummm….que cheirinho de…feno?

Sim. No segundo Pssssss, resolvi ler mais sobre esta fragrância de 1905. Resultado: não posso dizer que não me avisaram. Na embalagem saía: “Sua inconfundível fragrância reproduz o aroma fresco e limpo do feno recém cortado.”. Uma descrição mais otimista que encontrei por aí diz: “Um coquetel de essências de frutos e folhas de críticos combinado com um rico acorde de flores de laranjeira e de notas frescas com especiarias realçadas por um fundo amadeirado, musc”. Eu definiria mais como cheiro de mato misturado com talco.

Horrível, não é. Uma delícia, também não. Poderia ser o preferido do Tarcísio Meira (e por que não da Glória Menezes? É unissex!), mas definitivamente não é meu (e duvido que seria o de Adriane Galisteu).

Gosto de cheirinhos, mas não gosto de desperdiçar. Portanto, pelas próximas semanas, esta serei eu andando pela rua, no reflexo do espelho do elevador, na mesa de trabalho:

Moço, onde não vendem esse desodorante?

Moço, onde não vendem esse desodorante?

Por Má-Má (com participação crucial de Carrô).

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Um brinde à… birra!

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Se eu fosse falar da birra tal como a conheço hoje, seria coisa boa. Isso porque em terras catalãs, a birra é gelada, amarguinha e pode ser loira, morena, ruiva, encorpada, levinha… e não, não é nenhuma chica! É a breja mesmo. E, botando as birras que conheço lado a lado, ganha a daqui, claro.

A birra que eu sempre conheci – e infelizmente às vezes não pude evitar – é feia. É infantil, muito desagradável pra quem sente (como uma breja ruim) e deveria ser proibida para maiores de 18 anos.

Mas não é. E eu, que já tô mais pros 30 que pros 20, me pego outra vez birrentinha. Mas que horror! Não dá pra jogar essa birra pelo ralo como o golinho da morte que sobra na lata de cerveja? Não.

A birra nunca é de graça. Eu juro que tento evitá-la. Mas por que é tão difícil? Poxa, é só buscar outra no supermercado, provar uma belga, deixá-la descansando ali no copo até ela perder o gás, não? Também não. O problema da birra é que ela é indigesta, é uma ressaquinha que não deixa você esquecer que muita birra já desceu quadrada pela garganta.

Tá aí o problema e a solução. O segredo é não tragar tanto. É não insistir na cerveja ruim, caramba. É não aceitar nem um gole de gente indigesta. Gente indigesta. Gente que merece um tijolo na testa. É dizer um eventual “não”. É se esforçar pra soltar um “não, obrigado”…e correr pro bar mais próximo à procura da birra boa. Aposto que ela ajuda a esquecer a má por um tempinho!

Por Má-Má.

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e se for birra coletiva, melhor ainda!

Hoje aqui, amanha em outro lugar

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Por qualquer motivo tive vontade de ler os textos antigos do Palavra. Comecei com os arquivos do primeiro mês, depois do quarto… e a sensação foi estranha. Então resolvi ler um ou dois de cada mês pra me basear em uma mostra mais justa. Claro que não fiz tudo isso hoje… mas fui lendo aos poucos, durante uns três dias, acho. Cada texto meu que eu lia, tinha vontade de editar. Muitas vezes pensei: “Qué dice esta chica?”, mas na verdade era eu.

Curioso pensar que em três anos tanta coisa mudou. Claro, são três anos. Mas depois de ter certeza de que quase nenhum post meu antigo me agrada hoje, resolvi denominar isso como amadurecimento. Porque não é só uma questão de texto, mas de idéias, de organização de pensamentos, de julgamentos e opiniões que mudaram. E que hoje não me parecem os melhores, mas naquela época refletiam exatamente como me sentia, como pensava e sonhava.

Bom, agora, enquanto escrevo este texto, me sinto um pouco ridícula pelos dois parágrafos que já estão prontos, mas tentarei não apagá-los. Isso porque, óbvio que ler os textos de três anos atrás seria uma experiência instigadora. Claro que nem tudo que foi dito lá faria sentido hoje. O contexto era outro. Outro é pouco. E seria muito frustrante que fosse o mesmo. Então, se o meu raciocínio foi capaz de mudar durante os 10 ou 15 minutos em que comecei com o documento em branco até agora, o que diria de um período de três anos? Boolshit.

Um pouco assustador estar com a cabeça tão desordenada desse jeito… e acho que buscar referencias nos textos antigos do Palavra significa tentar reviver aquelas épocas, das quais sinto tanta saudade. E, ao me encontrar com esta nostalgia, o resultado também foi mais complexo: além, claro, de sorrisinhos e gelinhos na barriga de relembrar momentos tão significantes e delícia, também senti um sossego de estar onde estou agora, de ter passado por tudo aquilo. E de saber que carrego comigo até hoje o melhor daqueles anos. De sentir que, apesar de muito bom, foi passageiro. Que de tudo que vivi, hoje trago lições, crescimento, conquistas e pessoas sensacionais.

A vida tem que ser assim… dinâmica. E se um dia a minha parar em algum canto, e eu ler um texto de três anos atrás e sentir que estou no mesmo lugar, com certeza não terei vontade pra escrever um post sobre isso. Talvez nem ânimo para continuar.

Por May.

O homem do sapato de almofada

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Eu o conheci. Na verdade era um cara, não exatamente um homem. Não sei porque ainda faço distinção entre essas definições, mas para esse cara, o cara de sapato de almofada, eu aplico cara e não homem. Ele mora por Gràcia, um bairro (onde eu não moro) aqui de Barcelona muito charmoso, movimentado e cheio de gente normal e gente diferente.

Eu o conheci num dia em que fui a uma das poucas lavanderias “self-service” daqui, que nem fica tão perto de onde eu moro.  Lotei de roupa nosso carrinho de fazer compras, peguei o metrô e me perdi para chegar a uma praça que já tinha visitado algumas vezes, a Plaza del Sol.

Ela tem um pátio bem grandão e por toda sua volta há restaurantes, barzinhos e esta lavanderia, onde ninguém trabalha, só você. E você ainda paga para isso. Se você precisa de ajuda, tem um telefone de emergência. Sim, de emergência, porque se A Bolha resolve te atacar, você precisa de um telefone de emergência, claro. Eu estive nesta lavanderia por quatro horas neste dia. Na verdade, estive fora dela, embaixo do sol delicioso da Plaza del Sol, esperando que as máquinas gigantes trabalhassem por mim.

Nesse meio-tempo, entre muitas músicas, parágrafos ignorados e movimento em volta de mim, o cara do sapato de almofada se aproximou. Ele usava um chapéu panamá, uma camiseta azul, um lençol amarelo (que só cobria a parte da frente) e um vermelho (que cobria a parte de trás) amarrado na cintura, também usava calça, mas não consegui ver de que cor, tinha um cabelo que era um tufo, black power, e parecia que o chapéu tinha sido encaixado ali com super-glue (como eles chamam Superbonder aqui!). Mas nada disso chamou tanto minha atenção como seus sapatos, ou melhor, as duas almofadas que levava embaixo dos pés, amarradas por dois panos verdes. Sim, era um sapato de almofada. Ele se aproximou e a conversa fluiu em inglês, espanhol e muito sotaque indefinido:

  • Cara do sapato de almofada: Buenos días
  • Eu: Buenos!
  • CSA: Você mora no bairro?
  • Eu: Não. E você?
  • CSA: Sim. Há quase seis meses. Eu gosto daqui.
  • Eu: Eu também! E nem moro aqui.
  • CSA: Você gosta de Barcelona?
  • Eu: Sim. E você?
  • CSA: Sim. De onde você é?
  • Eu: do Brasil.
  • CSA: Brrrrrrésil? (com um sotacão francês)
  • Eu: Ouie. E você?
  • CSA: de Parrí!
  • Eu: Legal!
  • CSA: Você gosta do sol?
  • Eu: Amo! E você?
  • CSA: Eu também. E da praia, você gosta?
  • Eu: Amo! E praia com sol, ainda mais!
  • CSA: Eu também! Você já passou bastante tempo na praia ouvindo o mar?
  • Eu: Sim. E você?
  • CSA: Também! Sabe quando a água fica batendo nas pedras, indo e voltando… doesn’t it sound like…like music?
  • Eu: Sim. Parece mesmo.
  • CSA: Você está esperando algum amigo?
  • Eu: Não… estou esperando minha roupa secar.
  • CSA: Ah, claro!
  • Eu: Ops. A máquina parou. Preciso ir lá buscar minhas coisas.
  • CSA: Vai lá! Obrigado.

E o nosso ciclo acabou junto com o da secadora.

Eu me levantei, a gente sorriu. Quando voltei, o cara já estava iniciando outro ciclo com novos amigos, posando para fotos de uma mocinha bastante interessada em seus sapatos de almofada. E eu segui o meu, pensando que vestir o sapato alheio – ainda mais este de almofada – pode ser mais que confortável… pode… soar como música!

Por Má-Má.

Haja vida!

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Há alguns dias houve uma ruptura em minha vida. De verdade. Além das milhões de coisas novas que acontecem a cada dia nessa cidade que ainda me parece nova, uma ruptura literal provocou mais uma mudança. Minha mochila da Billabong (quem me conhece ao vivo, conhece essa mochila) rasgou. E foi de vez!

Na última etapa da mudança para um novo lar (eu digo que as mudanças são mais constantes que a rotina), tentei enfiar meu notebook dentro dela, que até então só tinha carregado meus analógicos e rabiscados cadernos. Ela não aguentou. Sucumbiu. Ela, o zíper e o tecido todo em volta do zíper.

Fui a uma sapataria, que consertaria minha mochila no Brasil por um precinho camarada, em um prazo também camarada. Mas aqui sapataria só conserta sapato mesmo, e o sapateiro me convenceu de que seria melhor eu comprar uma nova, porque técnicos como ele cobram caro pelo que não conseguimos fazer. Alguns minutos de conversa com o simpático Fabian (o sapateiro) e saí de lá pensando…

Quando me disse que não consertava mochilas, mostrei a minha a ele mesmo assim, para que ele avaliasse o estrago. Além de fazer um orçamento por cima, com base no que ele cobrava quando ainda consertava mochilas,  me falou: “Mas essa mochila… não tem muita vida.”

I’m easily ofended, então respondi na hora: “Não lhe falta vida! Sobra-lhe vida, por isso ela está assim, gasta e rasgada!”. E ri, para que Fabian entendesse que ali havia sentimento, e não um pedaço de pano. Funcionou. Pois Fabian se justificou, dizendo que ela já estava rasgada e que não teria muita vida futura, mas que entendia o que eu queria dizer; contou que tinha uma mochila há mais de 16 anos, do tempo em que suas filhas ainda eram pequenas e ele as levava para passear. Hoje, ele a usa para pescar e acampar nas montanhas. Não contente em descrevê-la, foi a um quartinho buscá-la e me mostrou. Era verde musgo, bem simples, com um bordado “España”, mas parecia nova, cheia de vida no passado e com muita vida pro futuro. Disse a ele que a minha tinha a metade da idade da dele, mas gostaria que ela estivesse com a mesma vivacidade que a sua.

Então Fabian me aconselhou que a guardasse como recordação. E eu seguirei seu conselho, mas só até que não precise mais dela fisicamente para me lembrar de tudo que passamos. Mais ou menos o que tenho feito com arquivos antigos que me ensinaram muito e agora só servem para ocupar um espaço que já não lhes pertence no HD interno crimonoso que é a minha memória de milhões de teras. Porque, né?, moving on também significa vida. E pro futuro.

Por Má-Má.

Update:  Fabian não consertou minha mochila, mas o fez com minha bota. Ela está linda, sem rasgos e, de quebra, ganhei esponjinhas de cortesia para limpá-la!

O poder da síntese

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Fiquei tão empolgada com a estrelinha que ganhamos da Nat que esqueci de uma parte bem importante da brincadeira toda: responder algumas perguntas de frente com Gabi sobre nós!

Gosto de definir coisas, tentar explicar tudo com palavras. As óbvias, que nem sempre são as menos interessantes (gente, vamos valorizar o óbvio, aliás, porque o coitado anda bem esquecido) são, como diz o adjetivo, óbvias. Um exemplo: sabe o que eu sou? Sim. Eu mesma. Se você me conhece, deve saber. Eu sou baixa (insira qualquer piada interna aqui). É óbvio! E disso eu costumo não esquecer. Mas como eu me sinto sendo baixa… não, não conseguirei definir em uma palavra, e aí voltarei ao “sou” e ponto.

Outro exemplo, mais interesante (e nesse caso, menos óbvio): no fim de semana, tentei explicar a uma menina que mora em Nova Iorque, é filha de colombianos e está em Barcelona estudando como eu, o que era piruá. Piruá, aquele milho teimoso que não quis virar pipoca. Acha que nunca ouviu essa palavra na vida? Sabe o que você é? Desatento. Assista a este vídeo e me diga se nunca ouviu mesmo. Em caso de insatisfação, a folha de reclamações estará disponível ao fim desse post. Mentira. Clique aqui que tem mais sobre o piruá. Você pode reclamar na seção de comentários mesmo. 

Depois do episódio piruá, a primeira pregunta da menina foi: “Mas… em português existe um nome para o milho de pipoca que não estoura?”. Sim! E de onde veio essa hay muchas más, chica! Foi aí que pensei: como é que existem tantas palavras neste mundo de meu deus e idiomas derivados do latim e às vezes ficamos sem nenhuma?

Eu disse tudo isso, com esse montão de palavras, para contradizer o título e voltar ao assunto do post: nem foi assim tão fácil responder as tais perguntas da brincadeira do selo do blog. Mas vamos lá! Aí embaixo você vai ver, sintética e previamente definida, uma síntese das três que assinam este blog:

  • Nome: Marina
  • Uma música: muito, muito difícil. Mas eu sempre amo “Don’t get me wrong”, do Pretenders.
  • Humor: pode mudar bastante dependendo do das outras pessoas
  • Uma estação do ano: primavera
  • Como prefere viajar: em boa companhia
  • Um seriado: Friends
  • Frase ou palavra mais dita por você: hahahahahahaha
  • O que achou do selo: uma bela surpresa e muito significativo :)

 

  • Nome: Mayra
  • Uma música: gosto de Relicário, do Nando Reis.
  • Humor: crescente ou decrescente à medida que a pessoa mereça.
  • Uma estação do ano: verão
  • Como prefere viajar: viajar é sempre bom! mas quando é a pesseio, melhor que a trabalho
  • Um seriado: LOST
  • Frase ou palavra mais dita por você: já tá na hora de comer?
  • O que achou do selo: uma fofura

 

  • Nome: Carolina
  • Uma música: The weary kind, Ryan Bingham
  • Humor: Bom. E relativamente estável.
  • Uma estação do ano: Primavera.
  • Como prefere viajar: Bem acompanhada e a passeio.
  • Um seriado: FRIENDS (nota da redação: o caps lock é dela, gente)
  • Frase ou palavra mais dita por você: é a morte/morri/morro/quer que eu morra.
  • O que achou do selo: Achei o máximo! Somos recomendadíssimas, coisa fina.

Por Má-Má, com participações das duas especiais.

O que te move?

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Dependendo da pessoa para quem você perguntasse, poderia ouvir: “Ora, pois! Seus pés!”. Não, não estou fazendo piadas etnocentristas, garanto. Quase isso aconteceu de verdade com uma pessoa que não riu na cara de quem disse porque é incapaz de ofender alguém. E também porque quem disse não estava em nenhum momento ironizando, mas racionalizando (a não-novidade aqui é que, sim, foi em Portugal). O que nos leva à resposta da pergunta desse post: o que nos move? Certeza que razão é que não é. Também te garanto; porque uma professora da cabeça muito inteligente me falou. Mas não só por isso; porque é fato que o que nos move a fazer piadinhas bobas, rir delas, ofender-se ou simplesmente ignorá-las são as benditas emoções.

Ok. Nem sempre tão benditas, mas abençoadas, vai. Quem aqui nunca teve vontade de maldizer até a última geração de determinada emoção? De jogar na cara do primeiro hormoninho que foi liberado para que ela fosse sentida o quanto ele é odiado? De interromper o primeiro passo do processo cognitivo que nos levou a não gostar de algo que sentimos? (A explicação mais profunda disso eu ouvirei da minha professora da cabeça inteligente na próxima aula). Mais do que isso, quem aqui preferia não sentir nada do que sentir algo ruim? Eu, definitivamente, não faço parte desse grupo. Porque sinto… às vezes até demais, às vezes, só sinto muito. Mas sempre com intensidade. E isso é mais do que ter vontade de viver. É já estar vivo.

Enquanto isso, a tal da razão, que adora brincar de esconde-esconde, ri de mim, se diverte às minhas custas, porque sua capa da invisibilidade (sim, eu continuo me esforçando para não deixar os trouxas me chatearem) dá um baile nas minhas lentes corretivas de miopia, que definitivamente não têm o poder do raio-X.

O lado bom de tudo isso é que mover-se, mesmo sem sair do lugar, é bastante especial, não? Pois então bendiguemos as emoções, ainda que às vezes não saibamos muito bem como lidar com elas. Não dá para ser perfeito. E a dona razão estará sempre por perto para soltar uma risadinha irônica quando você achar que vai perder a linha por não encontrá-la. Nessa hora, sim, eu tento agarrá-la com força. Se for preciso, perco algumas horas de sono tentando convencê-la a ficar comigo, a segurar minha mão e a dizer que vai ficar tudo bem, meu bem. O que não perco é a chance de sentir, na esperança de que, com o tempo e a diversidade de emoções, elas se tranqüilizem, se convençam de que cada uma tem seu lugar cativo, estarão eternamente coladas no meu coração, mesmo quando eu sinto que ele virou um vermelho balão, e está rolando e sangrando, chutado pelo chão.

Por Má-Má (às vezes, toda errada, mas sempre com as melhores das intenções, ops, emoções).

Para quem curte mover-se no mode [extreme], um clássico: