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A hora do vermut

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Eu a descobri muito tarde, mas de um jeito muito especial. A hora do vermut é uma tradição antiga, assim como a bebida, muito comum na Europa. Sabe o Campari? Então. Eu não sabia, mas ele é um tipo de vermut (vermouth ou vermú, como queira!).

A grande surpresa não foi descobrir que o Campari é um vermut vermelho, mas todo o entorno saboroso que se pode criar ao redor dele. A bebida está composta por mais de 40 extratos de ervas, raízes, flores, especiarias e frutas. A origem é desconhecida, mas há registros de que na Itália, Espanha e França se toma vermut desde a época romana e a Idade Média. Reza a lenda que sua fórmula exata só é conhecida por quatro pessoas no mundo todo (já não sei se uma delas trabalha na Campari) e que esse segredo está guardado em uma caixa forte em Ginebra.

A receita para fabricá-lo pode ser secreta, mas desfrutar a hora do vermut com certeza é um patrimônio público, e principalmente, coletivo. Mas vamos à prática: o que raios se faz na hora do vermut?

Aqui funciona mais ou menos assim: você acorda num horário gostoso no fim de semana, toma um café-da-manhã leve e lá pelas 12h, 13h, encontra os amigos. Melhor se for num lugar em contato com a natureza, com o vento batendo na cara, sentido calorzinho no sol e um friozinho na sombra, pra fazer o que bons amigos fazem melhor: jogar conversa fora. Pasárselo bien, como se diria por aqui. Em resumo, a hora do vermut serve pra dar mais fome! E, eu garanto, é esperar a fome do jeito mais nobre que eu já experimentei.

No melhor estilo ibérico, na minha primeira hora do vermut, ele veio acompanhado de duas azeitoninhas (dentro dele mesmo, espetadas num palito de dente), uma rodela de laranja e gelo. De quebra, me deram de presente dois espetinhos de azeitona (Mais! Eu disse, é o estilo ibérico), um quadradinho de queijo e um tomate cereja. O vermut vermelho, o que eu provei, é docinho. E eu adorei todo esse contraste com o salgado, mas pode ser um pouco estranho no princípio. Geralmente também se acompanha com algum outro aperitivo, como os embutidos (as fatias de jamón serrano, que parece bastante com a copa que a gente conhece no Brasil, são meus preferidos), queijo, friturinhas, frutos do mar e outras comidinhas salgadas.

Hum. Só de escrever já me deu fome!

Pra completar minha hora do vermut, outra vez na primeira fila, escutava ao vivo o guitarrista que eu mais amo e seus dois fiéis companheiros de labuta. A vida é boa na hora do vermut. Mas faltou um elemento importante: o bate-papo. Pensei em muita coisa, joguei conversa fora comigo mesma, mas faltaram meus amigos; e sei com eles a vida pode ser muito melhor.

Por isso, por aqui, amigo ou desconhecido, jogo fora a conversa que estava pendente e compartilho meu melhor momento desta primeira experiência. E deixo meu convite pra próxima. Bom apetite!

Por Má-Má.

vermut

Faça o favor de ir depressa!

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Acredite em mim. Se alguém te disser que não é bom, são mentiras de mulher, e das mais picaretas!

Ontem, o domingo mais frio do ano em São Paulo, foi um dia especial. Não pela temperatura, que alcançou os 8oC de manhã, mas porque pude assistir ao espetáculo Noel Rosa, o poeta da Vila e seus amores, no Galpão do Folias. O espetáculo (talvez eu repita muito essa palavra, mas não consigo definir a obra de nenhum outro jeito) é uma dessas pérolas raras que essa concha casca grossa que é São Paulo às vezes cospe pra fora. E é preciso ser um peixinho bem rápido para percebê-la.

Com um blog pouco atualizado e uma simpática secretária eletrônica, não pude saber muito sobre o espetáculo antes de chegar à bilheteria. A região não é das mais convidativas. Tão paulistana, oferece o melhor e o pior da cidade: insegurança e uma enorme oferta de entretenimento.

Mas esse papo sobre São Paulo fica pra próxima! Eu quero mesmo é falar do espetáculo (eu avisei). O espaço do galpão, muito bem aproveitado, já te convida a viver uma experiência inesquecível. No piso superior, onde funciona o café do Folias, tomei um café; e uma moça muito simpática me presenteou com um biscoitinho de sequilho de laranja. Começamos bem!

Já dentro do teatro, o grupo Coisa Nossa começou o espetáculo. Uma gente fina, elegante e sincera nos convidou a sentar nas mesinhas que, com muito cuidado e detalhe, reproduziam o ambiente de um típico botequim carioca dos anos 30. O teatro, pequeno, e a atenção, enorme, nos fazem sentir parte de um momento exclusivo. E foi mesmo.

O espetáculo é um musical que conta a história da vida de Noel Rosa, até sua morte precoce, através de algumas de suas composições interpretadas ao vivo com percussão, cavaquinho, violão, clarinete e excelentes vozes e atuações. Cerveja e conhaque, os preferidos de Noel, podem ser consumidos durante o espetáculo. Para os que não bebem (ou dirigem) refrigerante, suco e água também são servidos geladinhos. Julinha, Ceci e Lindaura, os amores do poeta da Vila, sua mãe Marta, a intérprete Aracy de Almeida, o “rapaz folgado” Wilson Baptista e um garçom cambaleante (que também interpreta um radialista durante o espetáculo) fazem questão de manter os copos e os convidados bem servidos*. Na mesa, pequenos grandes detalhes: uma caixinha de fósforo, uma garrafa de conhaque que suportava uma vela acesa já bem derretida e uma tigelinha com bolinha de amendoim** compunham o cenário.

Em um momento, Julinha sentou ao meu lado e falou mal do Noel. Eu não podia discordar. O cara era mesmo um safado! Em outro, Aracy se aproximou e me ofereceu a gola do seu terninho branco, empapada de lança-perfume. Ainda bem que minha mãe só achou tudo “muito legal, diferente e alternativo”. E recomenda!

Eu também, claro. Recomendo vê-lo mais de uma vez, que é o que tentarei fazer. Não vi o tempo passar e sorri muito para os atores. Ri muito também, refleti e me emocionei. Só ao final, desobedeci a Noel. Perder tão cedo um gênio como ele e pedir que não haja nem choro nem vela já é demais. Desculpa, Noel. E obrigada Plínio Marcos, Coisa Nossa e Galpão do Folias. Eu amei.

Por Má-Má.

Noel Rosa, o poeta da Vila e seus amores, de Plínio Marcos
Galpão do Folias
Rua Ana Cintra, 213, ao lado (mesmo) do metrô Santa Cecília (uma travessa da Avenida São João).
Tel.: 3361-2223
Há um estacionamento também ao lado (mesmo) do Galpão (no total deu R$10 pelo tempo da peça).
De sexta e sábado às 21h (não haverá apresentação dia 20/07) e domingo às 20h.
Corre! Porque só estará em cartaz até dia 29/07.
Ingressos a R$30 (meia-entrada, R$15), sem lugar marcado. É possível reservar ingressos antes por telefone (foi o que eu fiz).
*as bebidas custam R$3
**o amendoim é de graça!!

Ejemplos

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Essa foi uma daquelas experiências pela qual você não espera passar simplesmente porque nunca pensou no assunto. A história é bastante conhecida, já foi retratada em filme e seus sobreviventes foram personagens de documentários e escreveram livros sobre o acontecido. O fato: o acidente aéreo na Cordilheira dos Andes, em 1972, em que 16 pessoas que estavam no avião sobreviveram após 72 dias entre as montanhas.

Como todas as tragédias, esta também já foi contada diversas vezes, sempre com um sensacionalismo que me faz evitar conhecer a fundo tais histórias. E sim, essa é bem aquela em que os caras tiveram que recorrer à antropofagia para continuarem vivos. Daí, que eu tive a oportunidade de ouvir a história completa diretamente da boca de um desses caras: Ramón Sabella.

A princípio, minha expectativa era de ouvir uma história de superação e talvez até com uma pitada de drama excessivo. E aí que eu fui surpreendida! Sim, tudo que aconteceu nesse episódio é realmente forte e dramático, mas ouvi-la pelas palavras de quem a vivenciou e tirou dela uma motivação para seguir em frente foi uma experiência surreal.

Primeiro porque o Ramón tem um cuidado especial no uso das palavras pra contar sua visão de tudo. Segundo, porque em momento algum ele se coloca como vítima de uma tragédia (pelo contrário, ele compartilha tudo que aprendeu de valor com a experiência) e, terceiro – e mais importante –, porque eu simplesmente estava tendo a oportunidade de conhecer a história através de quem a fez acontecer, sem intermediários! Cara, por um instante eu me senti a pessoa mais sortuda do mundo!

Pra quem se ter uma ideia do que isso significa, o fato de o grupo ter se alimentado de carne humana para sobreviver é tratado por ele como “uma necessidade de obter proteína para se manter vivo”. Essa sensibilidade ímpar pode ser sentida durante uma hora e meia em que ele relata os fatos e seu aprendizado a partir de cada dia. A genialidade da palestra do Ramón está em abordar o óbvio sob um ponto de vista diferente – neste caso, as condições extremas e os (quase) encontros com a morte.

Daí, ele fala que percebeu lá nas Cordilheiras que ele, e apenas ele, é responsável pelo seu destino. Coisa óbvia, não? Mas que ele só se deu conta disso quando ouviu no rádio que as buscas pelo avião haviam sido encerradas. O destino daquele grupo, disse Ramón, já estava traçado: eles iriam morrer ali. E a partir daí, perceberam que deveriam agir, buscando uma forma de sair das montanhas.

E para cada acontecimento, uma lição tirada: avalanches, frio, fome, sede… Tudo isso relatado de forma realista, mas sem explorar a dor. E ele continua a tratar de coisas óbvias como a adversidade e aceitação da realidade como fatores motivadores para mudar o próprio destino, o valor do grupo, a atitude positiva como determinante entre aqueles que sobreviveram e os que ficaram nas montanhas…

Numa época em que ser vítima, contar histórias tristes e compartilhar tragédias está cada vez mais em alta, e os valores sociais andam bastante distorcidos, poder ouvir essa história e a postura desse cara foi um respiro e tanto.

Por Carrô.

Minha vida de acordo com… Aline, ops, John Mayer

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Esta é mais uma edição do diario de bordo de Lucas Silva & Silva. Mentira. É uma edição especial e espontânea, ainda que encomendada, do “Minha vida de acordo com…” que a Line pediu para eu fazer com o John Mayer.  Claro, eu aceitei. Não porque o John é meu preferido. Ele não é mesmo. Mas a Aline é. E, em nome da saudade, chegamos a um consenso que nem precisou de muita negociação; aqui está nossa vida de acordo com John Mayer, uma homenagem à nossa amizade linda de viver. 

  • Escolha o artista/banda: John Mayer
  • Você é homem ou mulher? Daughters
  • Descreva-se: Bigger than my body (gives me credit for)
  • Como você se sente? In repair
  • Descreva o local onde você vive atualmente: The heart of life
  • Se você pudesse ir a qualquer lugar, aonde você iria? Back to you
  • Sua forma de transporte preferido: Gravity
  • Seu melhor amigo: Only heart
  • Você e seu melhor amigo são: Bold as love
  • Qual é o clima? Stop this train
  • Hora do dia favorita: Come back to bed
  • Se sua vida fosse um programa de TV, como seria chamado? Great indoors
  • O que é vida para você? Wheel
  • Você sorri quando:  New deep
  • Você chora quando: Something’s missing
  • Seu relacionamento: Love song for no one
  • Seu medo: Vultures
  • O melhor conselho que você tem a dar: (Don’t keep) Waiting on the world to change
  • Pensamento do dia: Belief
  • Seu lema: Who Says

 Por Má-Má.

Uma grande confusão

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Sempre gostei de aprender idiomas, mas, bem mesmo, sei falar poucos: o português, que eu amo e todo mundo – em todo o mundo – gosta de escutar; o inglês, que eu quis aprender quando era bem novinha, que já me tirou de muitos apuros e garantiu meu primeiro emprego; e, o que eu venho tentando aprimorar, o castelhano. Castelhano é a mesma coisa que todo brasileiro conhece como espanhol mas que aqui na Catalunya (ai de quem escrever Cataluña), eles gostam de diferenciar como o idioma da região de Castilla (Madrid e adjacências).

Eis que nessa pera, uva, maçã, salada mista surgiu o catalão que, assim como quem cresce aprendendo-o, é bem do esquisito (o que para mim é elogio, já que eu adoro as coisas esquisitas). Nossa historia começou ainda em São Paulo, na Lins de Vasconcelos, mas foi aqui em Barna (porque Barça é apelido do time, gente), que ele me conquistou e começou a fazer parte do meu mundo. A May já falou dele por aqui, e hoje vou contar como este senhor (porque ele é velho mesmo) causou uma bela confusão (e uma boa história) na última fiesta.

Como sempre, andamos muito e fomos parar em uma das poucas baladas que conhecemos que desafia a madrugada: o Apolo. A música é excelente (às vezes esquisita) e as pessoas, também (aplique ambos adjetivos). Paga-se para entrar, mas disfruta-se de um drink à sua escolha que, se eu já não tivesse pago, nunca compraria. E foi quando eu estava pedindo a minha vodka com Schweppes genérica (blame it on na falta da opção “cerveja”) que um rapaz se aproximou. Eu estava sendo cortejada. A frase de approach foi: “¿Hablas inglés?”. E a resposta foi: “Yes, I do”. Logo me arrependi porque, de cara (e de todo o resto), não gostei dele. Porém, a segunda frase soou: How much is això (esta última palavra aí lê-se “achó”)? Eu, com meu catalão fluente, entendi a frase metade em inglês, metade em catalão, afinal, uma coisa que eu sei é que això em catalão é “isto”. E, claro, achei que estava sendo zoada (blame it on meu passado).

Pois desembestei a falar o pouco que sei em catalão com o rapaz e aí foi ele que começou a achar que eu o estava zoando.  A diferença é que eu estava mesmo. How much is això, mano? ¿Estás de broma? Are you kidding me? Eu sentia que tinha dado uma lição no rapaz que nem foi assim tão simpático, bulinou meu amigo e ainda me achou com cara de ponto de informação. Missão cumprida? Não. Porque,  na sexta à tarde, acordei com essa frase out loud na minha cabeça. How much is això? How much is a…xò? Oooow. How much is…a shot! E… me dei conta da grande confusão. Ri sozinha, ainda na cama, perdoei-o  por ter olhado pro amigo com cara de “Acho que escolhi mal o alvo da paquera” (e por ter bulinado meu amigo), e refleti com a May sobre a possibilidade de estar apagando meu inglês da memória que, danada que é, sequer tem cedido espaço pro senhor (nada senil) que me pregou uma peça e rendeu uma história em que a zoada continua sendo eu!

Por Má-Má.

Recomendações (de ano novo e para sempre)

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Este ano começou faz pouco mas, amiga do tempo que sou, já estou pedindo que ele seja mais paciente comigo. Sim, o tempo e não o ano. Porque se não fosse o tempo, o ano nem existiria! Enfim, estou perdendo tempo (ou ano) com esse devaneio, então vamos ao tema do post.

Muitas coisas boas já aconteceram desde que tivemos (eu e mais cinco aventureiros) que sair correndo do metrô em plena Paris para não fazer uma contagem regressiva literalmente underground para 2011 (o fato de o trem ser de lata piorou tudo e, não, não tinha como eu me sentir uma porção de caviar, e não de sardinha no meio de tanta gente). Mas uma das mais interessantes foi responder à pergunta de uma professora bem legal da pós que estou fazendo: o que você recomenda aos seus colegas? Pensando bem, o mais legal não foi responder, mas ler as outras 18 recomendações do pessoal que foi à aula naquele dia. E, correndo o risco de ter menos leitores participativos do que o número de alunos da minha sala, pergunto-lhes: o que vocês recomendam? A intenção não é criar uma “to do list” sobre mim, não. Apesar de que estou bem segura de que um corte de cabelo me livraria da careta de secretária bilíngüe que tenho agora. Não, também não estou pedindo que você recomende que eu seja menos isso ou mais aquilo (há limites para o manejo com a crítica, né?). Mas que você recomende algo que ache legal, que você tem vontade que todo o mundo (oi? todo o mundo? você está me lendo?) conheça.

Eu, por este lado, recomendo que você ouça esta música, que inclusive já compartilhei por aqui, mas que não cansa de ser boa. Foi inclusive esta recomendação que minha room/class/lifemate quase adivinhou que eu faria na tal aula. Quase…porque se tem uma recomendação que ela poderia fazer pra mim este ano seria ampliar meu leque de músicas preferidas. :)

Por Má-Má.

Foi a saudade que me trouxe pelo braço

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Eu demorei para entender o que é sentir saudades.  Na escola, aprendi que pode ser singular ou plural, afinal, podemos sentir saudades de muitas coisas. Fora da escola, não demorei para aprender que, de pessoas, sentimos ainda mais. E mais ainda quando coisas estão ligadas a pessoas.

E existem tantos jeitos de sentir saudade… a frase que dá nome a esse post é de uma música sobre Recife, onde estive novamente semana passada, depois de uma visita há quase três anos (que foi tema de outro post por aqui). Não sei por que, mas amo Pernambuco. Na verdade, acho que sei. Amo o que Pernambuco me mostrou quando estive lá pela primeira vez.  E senti saudade de lá. Por isso a idéia das ultimas férias em família antes de tudo mudar não poderia ter cenário melhor do que o pedacinho de paraíso de Porto de Galinhas e adjacências.

É uma dessas adjacências que quero valorizar aqui: o Cabo de Santo Agostinho. O Cabo é uma cidade pobre, sem saneamento básico, cercada de plantações de cana e, por casualidade geográfica, tem o segundo ponto do Brasil mais próximo da África.  Foi mais especificamente deste ponto que senti tanta saudade (vou deixar pra lá a deprê com a situação caótica da cidade e a esperança de que tudo melhore com as eleições).  

Primeiro porque o lugar é maravilhoso. Faz silêncio e venta. E você só ouve o som do mar e do ar. Qualquer voz – de dentro e fora da gente – fica baixa por ali. Paguei a conta do cartão de crédito? Onde guardei as chaves do cadeado da mala? Passei protetor solar? O que importa? Ok. Talvez eu tivesse que prestar mais atenção à resposta que daria à última, a julgar pela cor de caipora dos meus braços. Lá, você só vê as cores da natureza e sente o cheiro de milhões de anos de exposição ao sol de um conjunto de penhascos de causar vertigem.  O lugar exige tanto respeito que cria seu próprio mecanismo para proteger quem quer guardar aquela imagem pra sempre na memória: não é possível chegar à ponta do penhasco para dar aquela bisoiada no mar lá embaixo. É perigoso. E lindo demais. E parece que está ali para causar saudade mesmo.

Penso sempre nesse lugar. E foi muito bom voltar lá depois de três anos e encontrá-lo intacto (diferente do Mirante a poucos metros dele, onde a paisagem é atrapalhada por um estaleiro bem feio construído pelo Lula. Mas também vou deixar isso pra lá).  Ele estava igualzinho a como eu o olhei pela última vez em 2007. E esse é o poder da saudade. Ela congela a coisa no tempo, no espaço, na memória. Desta vez, comprovei que essa saudade valia a pena. E que uma outra saudade que eu sentia quando fui lá pela primeira vez hoje já está na sacola dos pensamentos inúteis, junto com a conta do cartão de crédito (já paga, aliás, na maior facilidade, pela internet em pleno domingão na terra da garoa).

Por Má-Má.

.quem sabe um dia eu volte. não é que a saudade já me trouxe pelo braço uma vez?.