Arquivo da categoria: May

O Palavra mais (velhinho) maduro e de roupa nova!

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Neste abril, nosso Palavra comemora cinco anos. Quando o criamos e demos início a esse projetinho de vida pessoal, não tínhamos ideia no que ele ia dar. Mas com certeza hoje, depois de tantos anos, ele ainda nos surpreende. Valeu a pena! Ele é um elo que estabelecemos entre nós e todos que nos visitam e nos conhecem mais por aqui. Nossos textos dizem muito e às vezes dizem nada, mas sempre nos tocam de alguma maneira.

Com certeza a ideia inicial era mantê-lo mais atualizado, mas gente, aconteceram tantas coisas nesses cinco anos (vcs verão) que em alguns momentos realmente não tivemos tempo para escrever! (acreditem, pls). E, então, pra celebrar nossa boda de seja lá o que for madeira com este lindo companheiro, resolvemos dar a ele uma cara nova. Esperamos que vcs gostem! ^^ Ao mesmo tempo, convidamos vcs a um resumo (muito bem resumido) dos nossos últimos anos vivendo nossas vidas por aí. Venham!

Nos cinco anos mais intensos da minha vida, conheci e me apaixonei pelo Yôga, pela Salsa e por todos os lugares em que tive a sorte de colocar os pés, de São Luis do Paraitinga à Budapeste, passando por Foz do Iguaçu, Buenos Aires, Roma, Mendoza, L.A., Campo Grande entre tantos outros. Se me faltaram paixões românticas, sobraram amizades verdadeiras, novas e antigas. Assim como sinto a falta dos meus pais e irmãos todos os dias desde que saí de casa, a saudade não me deixa nem um dia sequer, pois parte de mim ainda mora em Barna, apesar de outra parte ter voltado a SP. Tive a certeza de que ser realizada pelo trabalho e estudos é bom, mas a vida só é sustentável se vivida com quem amamos.- Carrô

Quando olho pra trás tenho certeza de que vivi muito mais do que imaginava ser possível. Nesses cinco anos, entre milhões de coisas que mudaram, que sumiram, que chegaram, algumas permaneceram e se fortaleceram, entre elas esse tripé May/Ma-Má/Carrô. Nesse tempo, vi meu priminho nascer, minhas irmãs virarem adultas, conheci nove países e dois continentes novos, me desapaixonei e voltei a apaixonar-me mais forte ainda, fiz amigos novos, mantive outros antigos. Fiz escolhas. Me arrependi. Ganhei e perdi muitos quilos. Vivi um relacionamento à distância e provei, pra mim mesma, que pode dar certo. Trabalhei bastante, juntei dinheiro e gastei todo ele. Tive a alegria de morar conviver com a Ma-Má e agora com a Carrô. Desculpa, mas isso é exclusividade minha. Senti muita saudade e vivenciei experiências totalmente novas. Chorei litros, mas com certeza sorri mais. Larguei tudo, comecei do zero, larguei tudo outra vez e agora volto a recomeçar. – May

Meus últimos cinco anos ainda carregam o gostinho do dia do nascimento do Palavra. Ah, aquele Mocha. Eu não deixei de sentir sua doçura, mas também sua pontinha de amargura. Foram anos intensos, de novos tênis e cortes de cabelo, de muita saudade, mas muita vontade de viver o presente, de perder quilos e não me importar em recuperá-los, de não fazer muitos novos amigos, mas de amar cada vez mais os antigos, de entender por que pai, mãe e irmã são a coisa mais importante do mundo, de conhecer lugares estranhos e de sonho, de perder e ganhar os melhores amigos que um ser humano pode ter, de viver um amor que é mais bonito do que eu jamais poderia imaginar. Sofri com a burocracia, com a incerteza, com a saudade e com o que nunca muda. Mas…ah…a vida continua sendo muito boa, e pode ser que não fique muito melhor que isso. – Má-Má

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Experiência (zoo)antropológica

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Andar de metrô e trem em São Paulo é, sem dúvida, uma experiência antropológica riquíssima. Afinal, é uma análise in loco com mais de 4 milhões de pessoas como amostra, que circulam diariamente entre corredores, escadas e vagões do transporte público na cidade de São Paulo. E com certeza, por mais que resmunguemos quase 100% das vezes que estamos passando por esses momentos, não temos como negar que aprendemos muito com eles.

Sempre fico pensando o quão zoológica essa experiência antropológica é. Quais seriam as principais diferenças se ao invés de pessoas fossem macacos ou cachorros percorrendo esses trajetos e tendo que repeti-los todos os dias? Temo que não muitas.

Talvez, com um esquema de choque ou bonificação com uma banana ou ossinho, os macacos e cachorros não demorariam mais que sete dias para aprender que é mais efetivo esperar as pessoas saírem dos trens antes de entrar. Nós, humanos, não compreendemos isso. Quando a porta abre, saímos empurrando os outros, pisoteando quem estiver na frente, sem pensar que talvez, se entrarmos quando o vagão já estiver vazio, evitaremos um cansaço geral. Mas não. Precisamos de homens uniformizados com cara de mau (mesmo que no fundo dos olhos se note um tremendo desgosto) montando esquemas de retenção de pessoas para forçar-nos a ser educados e sensatos. Os macacos sentiriam vergonha alheia.

Sobre músicas “inouvíveis” escapando dos fones de ouvido das mais diversas vertentes musicais por aí, nem comento. Qual é a dificuldade de entender que o fone de ouvido foi justamente criado para você poder ouvir a música que bem quiser ENQUANTO os outros ouvem as suas OU optam por não ouvir NADA? Será que os animais têm códigos mais claros para respeitar o sossego silêncio alheio?

Casais que se pegam loucamente, pessoas que discutem n assuntos gritando em alto tom no celular, homens que aproveitam para paquerar nos vagões, pessoas bêbadas, jovens que ocupam os lugares reservados, por lei, aos velhinhos, grávidas e qualquer um que realmente necessite sentar. O apego exacerbado às escadas rolantes e elevadores. Empurra-empurra, desrespeito, vandalismo e violência. Coisas dispensáveis, concordam? Não nas jaulas nos vagões.

Não to dizendo aqui que todos que andam de metrô e trem são mal educados, ignorantes, animalescos e que não se comportam, apenas reagem a instintos, e que só eu sou a cidadã exemplar. Até porque não sou e tenho plena consciência disso. Claro que existem muitas, muitas, muitas pessoas mesmo que compartilham do bom-senso geral e da educação ideal no transporte público desta magnífica cidade.

Assim como já me irritei inúmeras vezes, também já me deparei com um olhar amigável, com uma pessoa que se oferece pra ajudar a carregar a mala ao descer as escadas, com alguém que se levanta para a senhora sentar ou com um gesto de gentileza e cortesia na entrada ou saída do trem. Afinal, é praticamente uma Irlanda inteira (4,5 milhões de habitantes) se encontrando e tendo que dividir espaço, tempo e paciência todos os dias nos arredores dos trilhos do Metro e da CPTM.

Pessoas vêm e vão com muitos compromissos ou muito pouco deles, com preocupações, problemas, anseios e expectativas. A vida está acontecendo e seja o que for, aconteça o que acontecer com todo mundo que tá ali, não há escolha. Temos que carregar, além do guarda-chuva, o bom humor, a alegria, a tristeza e a dor com a gente pra dentro dos vagões e nos agarrar bem forte às barras de ferro pra não cair com os supetões da vida do trem.

Por May.

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Que tal?

E no meio de tanta gente… cadê eu?

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O “re” é sempre mais difícil, né. Ou mais trabalhoso, talvez. Refazer, reencaminhar, repetir, reestruturar. Recomeçar. E aqui não me refiro só a grandes recomeços, como quem viu a morte de perto ou perdeu tudo na enchente. Mesmo porque, sempre que pensamos em recomeço, associamos a importantes superações e nunca a recomeçar algo melhor… porque aí ninguém para pra pensar nisso. Ninguém que ganha na mega sena ou tem um filho no momento desejado diz: “Vamos lá! Vou recomeçar a minha vida”. E sim, acredito que seja um recomeço também.

Tem coisas que eu só me dou conta quando começo a escrever sobre. Aqui está um bom exemplo: refletir sobre os “dois lados” do recomeço. Recomeçar pode, sim, significar começar uma vida nova por pura e espontânea vontade. Claro que remete a mudanças, adaptações e esforços. Mas por que sempre temos que pensar e agir como se fôssemos vítimas da vida que escolhemos recomeçar?

Além disso, às vezes negligenciamos o recomeço de coisas simples. Voltar a estudar um idioma, retomar os treinos de muay thai, reencontrar velhos amigos… recomeçar uma rotina, regressar ao seu país. O que ninguém nunca me disse é que esse ato de recomeçar pode durar mais tempo que algumas 24h, 48h ou 36h ou uma semana e meia de transição. E que pode ser mais confuso do que nossas ideias esperavam. Pode exigir algumas noites em claro, algumas reflexões sem nexo, muitas crises de choro e picos de alegria e conflitos com quem a gente mais ama. Mais que isso: que esse momento de recomeçar seja lá o que for te força a REpensar a sua vida. E acreditem, isso tá sendo bem difícil.

Minha vida nem é tão complicada assim e eu já me perco pra analisá-la e não raramente não consigo nem me achar dentro dela. Identifico as coisas, os lugares, as pessoas, mas eu não encontro meu lugar no meio daquilo tudo. Daí olho pra outra “tela” desse filme, que se chama “Minha Vida”, e me vejo sentada numa cadeira pensando no recomeço que estou vivendo, nos impactos de tudo que eu mudar de lugar e nas consequências que virão das coisas que eu não mexer. Na hora dá vontade de ir lá e me dar um chacoalhão pra ver se eu assusto e saio correndo pra viver a vida de agora, mas aí eu olho mais uma vez e escolho me dar esse tempo de introspecção pra na hora que eu levantar decidida a fazer algo, eu tenha certeza de que é praquela direção mesmo que eu quero caminhar.

Muitas coisas mudam, mas outras muitas continuam intactas. Só quero que eu não seja nenhuma delas. Prefiro evoluir conscientemente a permanecer estática ou me transformar completamente. À vida, peço que me dê paciência. Se não for grátis, eu troco por um pouco de ansiedade. Prometo que saberei o que fazer com ela.

Por May.

Estamos ou não todos doentes de amor?

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Como é complicado definir sentimentos, emoções e sensações. Ou só eu tenho essa imensa dificuldade? Tenho a impressão de que passamos/vamos passar a vida inteira sentindo as mesmas coisas e até morrermos não teremos certeza do que separa um sentimento do outro. Tá certo que ainda tenho muitos anos pra aprender, mas pelo que escuto por aí… as pessoas costumam só confundir ainda mais. Por exemplo, quando o ciúme ultrapassa seus limites e chega a ser possessividade? Quando a amizade se transforma em amor? Quando a irritação passa a ser ódio e este, considerado raiva? Chego até a pensar que o ser humano é muito subdesenvolvido para ser capaz de sentir tantas coisas que ele mesmo inventou.

E qual é o mais soberano dos sentimentos? Aquele que todo mundo busca o tempo inteiro incessantemente? Que você deseja àqueles que quer bem e quando pede algo pra sua vida, é o primeiro da lista. Que faz parte dos sonhos de qualquer um. E que os que encontram se consideram os mais sortudos do mundo. O amor. Aquele que desorganiza amplamente nossos processos mentais. É um quadro complexo, que apresenta sinais e sintomas na área do pensamento, percepção e emoções, causando impactos nas relações interpessoais e familiares.

A pessoa perde o sentido de realidade ficando incapaz de distinguir a experiência real da imaginária. Até hoje não se conhece nenhum fator específico causador do amor. Há, no entanto, evidências de que seria decorrente de uma combinação de fatores biológicos, genéticos e ambientais que contribuiriam em diferentes graus para seu aparecimento e desenvolvimento.

Quem ama sabe. Conhece seus sintomas. Já ouviu muito falar deles antes de que os sentisse na própria pele. O amor faz com que o indivíduo delire, acredite em ideias falsas, irracionais ou sem lógica. A pessoa, não raramente, tem alucinações, ou seja, percebe estímulos que em realidade não existem, mas são reflexos de um estado de ânimo de alienação combinado com uma ansiedade quase incontrolável. De uma necessidade de possuir que, muitas vezes, se transforma em um distúrbio de ciumes digno de tratamento.

Qual apaixonado nunca se perdeu em suas próprias palavras sem conseguir ordená-las e transmiti-las de maneira clara ao outro? É certo que o amor desorganiza discurso e pensamento e nos proporciona uma fala ilógica e desconexa, sem uma sequencia coerente.

Volto ao meu primeiro ponto: nossa incapacidade de entender e demonstrar as emoções que sentimos. O amor faz isso com a cabeça da gente. Confunde. Nos confunde. Confunde aos que convivem com a gente. Atrapalha a articulação do afeto de acordo com o contexto, fazendo com que reajamos de maneira indiferente a diversas situações do cotidiano simplesmente por estarmos focando a maior parte de nossos esforços em compreender sensações que nunca chegaremos a desvendar.

Podemos, inclusive, chegar a perceber alterações de comportamento quando amamos. Afinal, a coisa mais comum do mundo quando se trata de amor é que atuemos de maneira impulsiva, agitada, extravagante, intuitiva… insana.

Agora substitua a palavra amor por esquizofrenia e terá um resumo rápido dos sintomas e definição dessa doença.

De acordo com o dicionário Houaiss de Língua Portuguesa, uma das definições para loucura é: “distúrbio ou alteração mental caracterizada pelo afastamento mais ou menos prolongado do indivíduo de seus métodos habituais de pensar, sentir e agir”.

Amar é ou não é uma loucura?

Por May – no momento, enlouquecida.

Plaça Catalunya

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Um casal que se encontra como se fosse a coisa mais comum do mundo. Pra eles com certeza é. Pensei que talvez eles se encontrassem todos os dias naquele horário. Ou depois do trabalho dele. Ou antes do dela. O cumprimento é singelo, mas saem de mãos dadas. Sem muita emoção ou novidade, mas se nota o carinho.

“Eres Carmen?” “Sí, soy yo!”. “Muito prazer”, “como você está”, “desculpa o atraso, mas resolvi vir caminhando pra não pagar o metro”. São jovens, uns 22 anos. Saem andando pra qualquer direção. Provavelmente falarão depois pra decidir aonde vão tomar um café ou uma cerveja e se conhecerem melhor ou falarem do que têm para falar. Um encontro às cegas. Qual seria o motivo? Mas logo desaparecem da minha vista. Acompanhei até onde pude, mas a multidão confunde um pouco a visão.

Um grupo de amigos no mais puro estilo EMO sentados no chão em uma roda, falam alto, se abraçam, se beijam e se apertam tanto quanto as pessoas reduzem o ritmo da caminhada para observá-los. Falam muito rápido e decidem no pedra-papel-tesoura quem vai levantar pra comprar uma cerveja. É quinta-feira à tarde. Com certeza acabam de sair da esola. O menino gordinho com o cabelo alisado pra um lado e as pontas cor-de-rosa, vestindo uma camiseta super apertada preta e um shorts também preto com estrelas brancas e allstar cano alto é quem fará o favor para os “miguxos” desta vez.

Ao contrário do primeiro casal, este fez até eu me emocionar. A menina esperava ali há alguns minutos, de costas, o namorado chega com um skate na mão, abraça ela por trás bem forte e ela solta um grito: “Cariiiiiiiño!!!”. Provavelmente disse que chegaria por um lado e chegou pelo outro. Além do susto, a surpresa pareceu agradar à moça. Se beijaram por um tempo. O mesmo beijo. Sem pausa. Se abraçaram. Ameaçaram caminhar, mas ele a abraçou de novo. Ela não parava de sorrir. O encontro demorou uns minutos e foram embora. Ela em cima do skate, ele de mão dada do lado. Acho que fazia tempo que eles não se viam.

Uma senhora sentada na beira da vitrine da loja, ofegante, carregando algumas sacolas. Suando no calor que faz nesta tarde. Aparentemente está sozinha e resolveu tomar um descanso. De repente chega uma menina. Acho que eram mãe e filha. Traz um sorvete pra ela. Falam outra língua, que eu não conheço. A mãe termina o sorvete e saem caminhando em direção a mais compras. Acho que ela estava cansada. Saiu mancando. Passear com a mãe é uma delícia.

E eu estou apenas esperando minha aluna, encostada na parede.

 

Por May – que não liga de esperar enquanto haja gente para observar.  

Hello, unknown strange feelings

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Já faz 581 dias. Será que é hora de voltar?

Alguém aí responde pra mim? Ninguém quer me dar a resposta certa. Nada me mostra a decisão correta que vai me trazer certamente as melhores consequências. Por que a vida funciona desse jeito? Escolher entre um e outro é sempre uma tarefa chata, até mesmo quando é entre um sorvete de flocos ou de menta com chocolate. Não vale pensar, neste momento: melhor poder escolher do que não ter escolha. Não tô pra reflexões com bom senso.

Eu reclamo muito da vida. E ao mesmo tempo, se paro pra pensar como uma pessoa normal e sensata que eu costumo não ser, sei que tenho muitos poucos motivos pra resmungar por aí. Muito pouco mesmo. O que mais me tira do sério, me faz chorar e diminuir o coração de tamanho é a saudade. Mas quem não sente? Acho que já comentei por aqui que ter saudade é um bom sinal, eu acho, porque significa que você viveu coisas boas, esteve em lugares incríveis e conheceu pessoas que vale a pena lembrar. Mesmo sendo 100% consciente disso, tem dias que eu não sei lidar com a puta saudade. Inteligência emocional zero, prazer.

Amar pessoas. Tem coisa mais corriqueira que isso na vida de qualquer um? Pois é… e eu consigo cagar com esse simples sentimento numa oportunidade que eu mesma cavo. Decepcionar, desapontar, magoar, ficar abaixo das expectativas de cada pessoa que mais te importa na vida é foda, é um arranhão, um ralado no joelho que demora pra cicatrizar, né? Mais ainda quando foi você mesmo que se jogou no chão ou se passou uma rasteira. Imaturidade também esteve presente nas minhas últimas andadas por aí.

Parecer que tem um abismo gigante na sua frente e encarar isso como tal quando, na real, do outro lado só estão as pessoas te estendendo as mãos pra que você apenas e simplesmente atravesse uma ponte bem construída e nada bamba pode assustar. Oi, insegurança, você por aqui de novo?

Apesar do texto totalmente meio sem nexo (até pra mim), tava com saudades daqui…

Por May.

Cadê as luzinhas de Natal?

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Hoje já é dia 22 e nem parece que o Natal está tão perto. Acho que no ano passado pareceu menos ainda. E comprovei isso revendo meus posts do Palavra. Que mania essa minha de interpretar meus posts como um gráfico pessoal! Em 2008 e em 2009, desejei um monte de baboseiras Feliz Natal e um ótimo Ano Novo no dia 21 de dezembro. Na mesma data, sem perceber, claro. Acho que era quando o clima de fim de ano já estava transbordando… em São Paulo. Mas desde que eu mudei pra Barcelona, não sinto mais tanto assim o dingow bell usual. Parte disso é a diferença mesmo com que eles encaram o Natal aqui… menos calorosa, acho. Bom, mas isso é reflexo de como eles encaram TUDO menos calorosamente nesta vida, né… e o clima também tem um pouco de culpa nisso, fato. E também que o Papai Noel aqui na Catalunha divide espaço com o Caganer. Não me conformo com isso, gente.

Mas também acho que não entrar no clima natalino também tem a ver em não estar com a família de sangue. Digo família de sangue porque aqui, longe, tenho a minha família também, mas mãe, irmãs, pai, tios, avós, cachorro, gato, galinha, ta tudo ali, na tela do skype com uma qualidade de ligação terrível, que os votos ficam cortados e as vozes parecem de robôs e aí irritação vai ganhando pelo cansaço. E não tem os abraços, a passada de mão nas costas sem muita pretensão, a mexida no cabelo pra fazer um carinho. Não tem o especial do Rei, nem a Maria Bethania cantando Noite Feliz. Não tem as discussões em alto em bom som, as gargalhadas e zuações, as comidas de sempre, o chororô ao lembrar dos que já foram. E as muitas risadas e coração quente ao aproveitar os que chegaram há pouco tempo!

Voltando aos meus antigos posts de Natal, o último foi há dois anos. E se começo a lembrar como estava minha vida, o que eu queria pra ela, o que eu programava, o que eu temia, o que eu protegia, o que eu desejava, me dou conta de que tudo isso é tão, tão, tão mutável que não vale a pena fazer muitos planos a longo prazo. Tenho certeza que muita gente discorda disso e eu, há dois anos, talvez achasse um absurdo, mas hoje eu vejo que nada é pra sempre, tudo pode mudar (e é bom que mude), então pra quê sofrer e se martirizar com planos concretos pra daqui cinco anos? Dois? Um? Meio ano, enough.  Porque pode ser que em fevereiro, eu decida que quero mudar de país, estudar fora e largar tudo pra trás… como aconteceu em fevereiro de 2010. E aí? É bom se imaginar como estará daqui cinco, 10, 30 anos, mas ao invés de pensar que tudo tem que acontecer como você planeja agora senão não terá dado certo, por que não viver e… viver? E ir construindo seu caminho até lá de acordo com o que o mundo for colocando pra você. E tirando. E trocando. E moldando.

Fora os muitos quatro anos a mais que tenho hoje, o que significa praticamente nada muita experiência, amadurecimento e aprendizado, resolvi não pedir nada demais pra 2012, além do que qualquer pessoa normal escreveria em qualquer cartão de Feliz Natal e Próspero Ano Novo pediria pra si mesmo e família.

Ah, SÓ uma coisa: será que dá pra pedir pro mundo não acabar em 2012? Queria fazer tanta coisa ainda nessa minha vidinha de Meldels… ;)

Feliz Natal, galere. E um Ano Novo bem gostosinho pra vocês.

Por May.