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Uma grande confusão

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Sempre gostei de aprender idiomas, mas, bem mesmo, sei falar poucos: o português, que eu amo e todo mundo – em todo o mundo – gosta de escutar; o inglês, que eu quis aprender quando era bem novinha, que já me tirou de muitos apuros e garantiu meu primeiro emprego; e, o que eu venho tentando aprimorar, o castelhano. Castelhano é a mesma coisa que todo brasileiro conhece como espanhol mas que aqui na Catalunya (ai de quem escrever Cataluña), eles gostam de diferenciar como o idioma da região de Castilla (Madrid e adjacências).

Eis que nessa pera, uva, maçã, salada mista surgiu o catalão que, assim como quem cresce aprendendo-o, é bem do esquisito (o que para mim é elogio, já que eu adoro as coisas esquisitas). Nossa historia começou ainda em São Paulo, na Lins de Vasconcelos, mas foi aqui em Barna (porque Barça é apelido do time, gente), que ele me conquistou e começou a fazer parte do meu mundo. A May já falou dele por aqui, e hoje vou contar como este senhor (porque ele é velho mesmo) causou uma bela confusão (e uma boa história) na última fiesta.

Como sempre, andamos muito e fomos parar em uma das poucas baladas que conhecemos que desafia a madrugada: o Apolo. A música é excelente (às vezes esquisita) e as pessoas, também (aplique ambos adjetivos). Paga-se para entrar, mas disfruta-se de um drink à sua escolha que, se eu já não tivesse pago, nunca compraria. E foi quando eu estava pedindo a minha vodka com Schweppes genérica (blame it on na falta da opção “cerveja”) que um rapaz se aproximou. Eu estava sendo cortejada. A frase de approach foi: “¿Hablas inglés?”. E a resposta foi: “Yes, I do”. Logo me arrependi porque, de cara (e de todo o resto), não gostei dele. Porém, a segunda frase soou: How much is això (esta última palavra aí lê-se “achó”)? Eu, com meu catalão fluente, entendi a frase metade em inglês, metade em catalão, afinal, uma coisa que eu sei é que això em catalão é “isto”. E, claro, achei que estava sendo zoada (blame it on meu passado).

Pois desembestei a falar o pouco que sei em catalão com o rapaz e aí foi ele que começou a achar que eu o estava zoando.  A diferença é que eu estava mesmo. How much is això, mano? ¿Estás de broma? Are you kidding me? Eu sentia que tinha dado uma lição no rapaz que nem foi assim tão simpático, bulinou meu amigo e ainda me achou com cara de ponto de informação. Missão cumprida? Não. Porque,  na sexta à tarde, acordei com essa frase out loud na minha cabeça. How much is això? How much is a…xò? Oooow. How much is…a shot! E… me dei conta da grande confusão. Ri sozinha, ainda na cama, perdoei-o  por ter olhado pro amigo com cara de “Acho que escolhi mal o alvo da paquera” (e por ter bulinado meu amigo), e refleti com a May sobre a possibilidade de estar apagando meu inglês da memória que, danada que é, sequer tem cedido espaço pro senhor (nada senil) que me pregou uma peça e rendeu uma história em que a zoada continua sendo eu!

Por Má-Má.

Faz sentido pra mim

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Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

No meio de tantas frases e poesias que estão na exposição Fernando Pessoa, plural como o universo, no Museu da Língua Portuguesa, foi este o poema que me prendeu por mais tempo. Li, reli e voltei pra casa pensando nele. Voltei refletindo sobre quanto o ato de viajar tem influência sobre quem sou, sobre como estas poucas frases definiram tão bem o sentido de viajar para mim.

Neste ano que começa, já tenho algumas delas planejadas. Duas, na verdade. A primeira é mais uma vez para a Terra do Tio Sam e, de novo, como prêmio da empresa. A outra é ao mesmo tempo uma descoberta e um reencontro. Descoberta das terras européias. Reencontro com as minhas pedras. Por enquanto, nove destinos estão no roteiro, mas bastaria um.

De viver de ver somente, 2010 foi um bom ano. Resgatando cada destino, resolvi compartilhar alguns com vocês.

 

Búzios – RJ

Ocasião: Réveillon

Uma semana de muito sol, praia, calor e risadas. Muitas risadas. O ano não poderia começar de forma mais divertida e com pessoas melhores.

 

Flórida – EUA

Ocasião: Carnaval, viagem-prêmio da empresa

Uma semana de tudo novo: país, atrações, pessoas. Viajar na cia de 30 colegas de trabalho foi uma das experiências mais surreais da minha vida.  

Rio de Janeiro – RJ

Ocasião: Show do Monobloco no Morro da Urca

Nem o tempo feio estragou o fim de semana, com direito a experiências em 3D, telão da Copa com os Hermanos e um dos melhores shows da minha vida.

Foz do Iguaçu – PR

Ocasião: Feriado de Corpus Christi

Se a grandeza desse lugar me preparava pro que eu veria nos próximos destinos, a companhia faz falta em toda e qualquer  viagem.

 

Santiago, San Pedro do Atacama – Chile e Mendoza – Argentina

Ocasião: Férias

Cidade, montanha, deserto, praia. 16 dias, muitos km rodados, paisagens de tirar o fôlego e que fazem pensar na vida e em alguns ciclos que estavam terminando.

Balneário Camboriú – SC

Ocasião: Feriado de Finados

Abrindo as janelas das emoções, a programação foi bem diversificada, indo de passeio de barco à praia de nudismo. Com novas cias pra fechar o ano com chave de ouro. 

Com essa retrospectiva, começo meu ano com um desejo pra 2011 e pro resto da vida: viajar! Viagens curtas, longas, pra perto, pra longe, sozinha, acompanhada. Pra podermos constantemente ser outros e perceber que todos eles cabem dentro de nós. Para viajar, basta existir – já diria Pessoa.

Por Carrô.