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Um é pouco, dois é bom, três é…

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Num dia muito parecido a esse, eu cheguei.

Num dia muito parecido a esse, eu cheguei.

É demais mesmo. Nunca achei que fosse ser tão demais. Em 3 anos sinto que vivi o que viveria em 10, 20, sei lá quantos, se não tivesse nunca mandado minha carta de apresentação pra um tal de máster de psicocriatividade em Barcelona.

Hoje completo 3 anos morando aqui e muita água rolou. Chuva e lágrimas a toneladas, mas, inevitavelmente, Barcelona sempre me presenteia com um – e até dois – arco-íris depois de uma boa tempestade.

Me surpreendi e me decepcionei; comigo e com os outros. Mas quem nunca falhou foi ela, essa cidade linda, que me ensinou o peso da independência e a delícia da liberdade.

Um sol de rachar, uma umidade de esponjar qualquer cabelo, um frio que faz doer os ossos de quem carrega um coração tropical como o meu. Mas… ah… Barcelona é muito boa comigo.

Eu, que sempre fui mulher de malandro, passei a ser sua amante. E me rendi a Barcelona, à sua melancolia, às suas sacadas modernistas, às suas curvas, aos pátios interiores que cada prédio tem, ao seu mistério gótico, ao seu romantismo de donzela medieval, à natureza, aos cantinhos silenciosos, à sua história milenar, às paredes castigadas por uma guerra muito recente, aos bares agitados e barulhentos, às suas cores de verão… à vida de bairro dentro de uma metrópole.

Ela é muitas, e me permite ser quem eu sou. E não há nada mais libertador que isso. Ninguém disse que ia ser fácil, mas eu não tinha idéia de que seria tão bom.

Que meu novo ano que começa agora aqui valha por 10, 20, 30… mas que sempre valha.

Salut i força al canut!

Por Má-Má.

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Um brinde à… birra!

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Se eu fosse falar da birra tal como a conheço hoje, seria coisa boa. Isso porque em terras catalãs, a birra é gelada, amarguinha e pode ser loira, morena, ruiva, encorpada, levinha… e não, não é nenhuma chica! É a breja mesmo. E, botando as birras que conheço lado a lado, ganha a daqui, claro.

A birra que eu sempre conheci – e infelizmente às vezes não pude evitar – é feia. É infantil, muito desagradável pra quem sente (como uma breja ruim) e deveria ser proibida para maiores de 18 anos.

Mas não é. E eu, que já tô mais pros 30 que pros 20, me pego outra vez birrentinha. Mas que horror! Não dá pra jogar essa birra pelo ralo como o golinho da morte que sobra na lata de cerveja? Não.

A birra nunca é de graça. Eu juro que tento evitá-la. Mas por que é tão difícil? Poxa, é só buscar outra no supermercado, provar uma belga, deixá-la descansando ali no copo até ela perder o gás, não? Também não. O problema da birra é que ela é indigesta, é uma ressaquinha que não deixa você esquecer que muita birra já desceu quadrada pela garganta.

Tá aí o problema e a solução. O segredo é não tragar tanto. É não insistir na cerveja ruim, caramba. É não aceitar nem um gole de gente indigesta. Gente indigesta. Gente que merece um tijolo na testa. É dizer um eventual “não”. É se esforçar pra soltar um “não, obrigado”…e correr pro bar mais próximo à procura da birra boa. Aposto que ela ajuda a esquecer a má por um tempinho!

Por Má-Má.

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e se for birra coletiva, melhor ainda!

A hora do vermut

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Eu a descobri muito tarde, mas de um jeito muito especial. A hora do vermut é uma tradição antiga, assim como a bebida, muito comum na Europa. Sabe o Campari? Então. Eu não sabia, mas ele é um tipo de vermut (vermouth ou vermú, como queira!).

A grande surpresa não foi descobrir que o Campari é um vermut vermelho, mas todo o entorno saboroso que se pode criar ao redor dele. A bebida está composta por mais de 40 extratos de ervas, raízes, flores, especiarias e frutas. A origem é desconhecida, mas há registros de que na Itália, Espanha e França se toma vermut desde a época romana e a Idade Média. Reza a lenda que sua fórmula exata só é conhecida por quatro pessoas no mundo todo (já não sei se uma delas trabalha na Campari) e que esse segredo está guardado em uma caixa forte em Ginebra.

A receita para fabricá-lo pode ser secreta, mas desfrutar a hora do vermut com certeza é um patrimônio público, e principalmente, coletivo. Mas vamos à prática: o que raios se faz na hora do vermut?

Aqui funciona mais ou menos assim: você acorda num horário gostoso no fim de semana, toma um café-da-manhã leve e lá pelas 12h, 13h, encontra os amigos. Melhor se for num lugar em contato com a natureza, com o vento batendo na cara, sentido calorzinho no sol e um friozinho na sombra, pra fazer o que bons amigos fazem melhor: jogar conversa fora. Pasárselo bien, como se diria por aqui. Em resumo, a hora do vermut serve pra dar mais fome! E, eu garanto, é esperar a fome do jeito mais nobre que eu já experimentei.

No melhor estilo ibérico, na minha primeira hora do vermut, ele veio acompanhado de duas azeitoninhas (dentro dele mesmo, espetadas num palito de dente), uma rodela de laranja e gelo. De quebra, me deram de presente dois espetinhos de azeitona (Mais! Eu disse, é o estilo ibérico), um quadradinho de queijo e um tomate cereja. O vermut vermelho, o que eu provei, é docinho. E eu adorei todo esse contraste com o salgado, mas pode ser um pouco estranho no princípio. Geralmente também se acompanha com algum outro aperitivo, como os embutidos (as fatias de jamón serrano, que parece bastante com a copa que a gente conhece no Brasil, são meus preferidos), queijo, friturinhas, frutos do mar e outras comidinhas salgadas.

Hum. Só de escrever já me deu fome!

Pra completar minha hora do vermut, outra vez na primeira fila, escutava ao vivo o guitarrista que eu mais amo e seus dois fiéis companheiros de labuta. A vida é boa na hora do vermut. Mas faltou um elemento importante: o bate-papo. Pensei em muita coisa, joguei conversa fora comigo mesma, mas faltaram meus amigos; e sei com eles a vida pode ser muito melhor.

Por isso, por aqui, amigo ou desconhecido, jogo fora a conversa que estava pendente e compartilho meu melhor momento desta primeira experiência. E deixo meu convite pra próxima. Bom apetite!

Por Má-Má.

vermut

Tudo passar

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Essa é uma ficha que demorou um pouco pra cair: as coisas mudam. Quer dizer, talvez eu tenha resistido demais a aceitar esse fato por simplesmente achar triste demais o fato de as coisas, as pessoas e tudo mudar. Mas que fique claro que não é qualquer mudança que me entristece, só aquelas que quando acontecem, levam tudo de bom relacionado a alguém/alguma coisa/algum momento e tudo o que deixam é um vazio imenso, abrindo um espaço que leva tempo a ser ocupado. Aquelas mudanças que fazem a gente sentir falta de um tempo bom que não volta nunca mais, manja?

Essas, eu acho que não tinham que acontecer. Mas a vida não quer saber o que eu acho e acaba fazendo as coisas do jeito dela e, bem… a nós resta nos adaptar. Daí que num primeiro momento a gente sofre, chora, acha que o mundo está conspirando contra a nossa felicidade e tudo mais. Depois, meio que vai se acostumando a uma ausência, a um email que não vai chegar, uma piada que não será feita, um comentário que passou. E quando se deu conta, nem viu tudo passar.

A real é que tudo que não é cultivado morre. É assim com a natureza, com os humanos não seria diferente. Então você até encontra uma turma diferente, descobre novos ritmos, aprende a gostar de novos jeitos, mas se nada disso conversa com sua alma (oi, to filosofando), não vai durar nem preencher aquele vazio que ficou lá no primeiro parágrafo.

Por mais que elas sejam desagradáveis, tristes e incômodas, imagino que essas mudanças são uma constante na vida e a saída mais sensata é seguir a direção do vento. Mas isso é a razão falando. O coração diz que vale a pena insistir, resistir a algumas mudanças, porque elas podem ser só passageiras ou – vai saber – tão inaceitáveis que a gente nem considera mudança.

Daí a gente persiste, tenta de novo, finge que não percebeu uma mudancinha aqui, um estranhamento ali… Tudo porque a gente acha que tem coisa valiosa demais pra simplesmente abrir mão assim.

Por Carrô (que também acha que escreveu um post totalmente meio sem nexo).

Hoje aqui, amanha em outro lugar

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Por qualquer motivo tive vontade de ler os textos antigos do Palavra. Comecei com os arquivos do primeiro mês, depois do quarto… e a sensação foi estranha. Então resolvi ler um ou dois de cada mês pra me basear em uma mostra mais justa. Claro que não fiz tudo isso hoje… mas fui lendo aos poucos, durante uns três dias, acho. Cada texto meu que eu lia, tinha vontade de editar. Muitas vezes pensei: “Qué dice esta chica?”, mas na verdade era eu.

Curioso pensar que em três anos tanta coisa mudou. Claro, são três anos. Mas depois de ter certeza de que quase nenhum post meu antigo me agrada hoje, resolvi denominar isso como amadurecimento. Porque não é só uma questão de texto, mas de idéias, de organização de pensamentos, de julgamentos e opiniões que mudaram. E que hoje não me parecem os melhores, mas naquela época refletiam exatamente como me sentia, como pensava e sonhava.

Bom, agora, enquanto escrevo este texto, me sinto um pouco ridícula pelos dois parágrafos que já estão prontos, mas tentarei não apagá-los. Isso porque, óbvio que ler os textos de três anos atrás seria uma experiência instigadora. Claro que nem tudo que foi dito lá faria sentido hoje. O contexto era outro. Outro é pouco. E seria muito frustrante que fosse o mesmo. Então, se o meu raciocínio foi capaz de mudar durante os 10 ou 15 minutos em que comecei com o documento em branco até agora, o que diria de um período de três anos? Boolshit.

Um pouco assustador estar com a cabeça tão desordenada desse jeito… e acho que buscar referencias nos textos antigos do Palavra significa tentar reviver aquelas épocas, das quais sinto tanta saudade. E, ao me encontrar com esta nostalgia, o resultado também foi mais complexo: além, claro, de sorrisinhos e gelinhos na barriga de relembrar momentos tão significantes e delícia, também senti um sossego de estar onde estou agora, de ter passado por tudo aquilo. E de saber que carrego comigo até hoje o melhor daqueles anos. De sentir que, apesar de muito bom, foi passageiro. Que de tudo que vivi, hoje trago lições, crescimento, conquistas e pessoas sensacionais.

A vida tem que ser assim… dinâmica. E se um dia a minha parar em algum canto, e eu ler um texto de três anos atrás e sentir que estou no mesmo lugar, com certeza não terei vontade pra escrever um post sobre isso. Talvez nem ânimo para continuar.

Por May.

Haja vida!

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Há alguns dias houve uma ruptura em minha vida. De verdade. Além das milhões de coisas novas que acontecem a cada dia nessa cidade que ainda me parece nova, uma ruptura literal provocou mais uma mudança. Minha mochila da Billabong (quem me conhece ao vivo, conhece essa mochila) rasgou. E foi de vez!

Na última etapa da mudança para um novo lar (eu digo que as mudanças são mais constantes que a rotina), tentei enfiar meu notebook dentro dela, que até então só tinha carregado meus analógicos e rabiscados cadernos. Ela não aguentou. Sucumbiu. Ela, o zíper e o tecido todo em volta do zíper.

Fui a uma sapataria, que consertaria minha mochila no Brasil por um precinho camarada, em um prazo também camarada. Mas aqui sapataria só conserta sapato mesmo, e o sapateiro me convenceu de que seria melhor eu comprar uma nova, porque técnicos como ele cobram caro pelo que não conseguimos fazer. Alguns minutos de conversa com o simpático Fabian (o sapateiro) e saí de lá pensando…

Quando me disse que não consertava mochilas, mostrei a minha a ele mesmo assim, para que ele avaliasse o estrago. Além de fazer um orçamento por cima, com base no que ele cobrava quando ainda consertava mochilas,  me falou: “Mas essa mochila… não tem muita vida.”

I’m easily ofended, então respondi na hora: “Não lhe falta vida! Sobra-lhe vida, por isso ela está assim, gasta e rasgada!”. E ri, para que Fabian entendesse que ali havia sentimento, e não um pedaço de pano. Funcionou. Pois Fabian se justificou, dizendo que ela já estava rasgada e que não teria muita vida futura, mas que entendia o que eu queria dizer; contou que tinha uma mochila há mais de 16 anos, do tempo em que suas filhas ainda eram pequenas e ele as levava para passear. Hoje, ele a usa para pescar e acampar nas montanhas. Não contente em descrevê-la, foi a um quartinho buscá-la e me mostrou. Era verde musgo, bem simples, com um bordado “España”, mas parecia nova, cheia de vida no passado e com muita vida pro futuro. Disse a ele que a minha tinha a metade da idade da dele, mas gostaria que ela estivesse com a mesma vivacidade que a sua.

Então Fabian me aconselhou que a guardasse como recordação. E eu seguirei seu conselho, mas só até que não precise mais dela fisicamente para me lembrar de tudo que passamos. Mais ou menos o que tenho feito com arquivos antigos que me ensinaram muito e agora só servem para ocupar um espaço que já não lhes pertence no HD interno crimonoso que é a minha memória de milhões de teras. Porque, né?, moving on também significa vida. E pro futuro.

Por Má-Má.

Update:  Fabian não consertou minha mochila, mas o fez com minha bota. Ela está linda, sem rasgos e, de quebra, ganhei esponjinhas de cortesia para limpá-la!

Minha vida de acordo com… Aline, ops, John Mayer

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Esta é mais uma edição do diario de bordo de Lucas Silva & Silva. Mentira. É uma edição especial e espontânea, ainda que encomendada, do “Minha vida de acordo com…” que a Line pediu para eu fazer com o John Mayer.  Claro, eu aceitei. Não porque o John é meu preferido. Ele não é mesmo. Mas a Aline é. E, em nome da saudade, chegamos a um consenso que nem precisou de muita negociação; aqui está nossa vida de acordo com John Mayer, uma homenagem à nossa amizade linda de viver. 

  • Escolha o artista/banda: John Mayer
  • Você é homem ou mulher? Daughters
  • Descreva-se: Bigger than my body (gives me credit for)
  • Como você se sente? In repair
  • Descreva o local onde você vive atualmente: The heart of life
  • Se você pudesse ir a qualquer lugar, aonde você iria? Back to you
  • Sua forma de transporte preferido: Gravity
  • Seu melhor amigo: Only heart
  • Você e seu melhor amigo são: Bold as love
  • Qual é o clima? Stop this train
  • Hora do dia favorita: Come back to bed
  • Se sua vida fosse um programa de TV, como seria chamado? Great indoors
  • O que é vida para você? Wheel
  • Você sorri quando:  New deep
  • Você chora quando: Something’s missing
  • Seu relacionamento: Love song for no one
  • Seu medo: Vultures
  • O melhor conselho que você tem a dar: (Don’t keep) Waiting on the world to change
  • Pensamento do dia: Belief
  • Seu lema: Who Says

 Por Má-Má.