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A minha mãe

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A minha mãe é uma peça rara.

Quando a criançada do prédio organizava a festinha do Dia das Bruxas (ninguém falava em Halloween, não!), todo mundo se fantasiava e passava pelos apartamentos pedindo doces. Eu, vaidosa que era, não gostava de ficar “feia”. Bruxa, monstro, zumbi…aquilo não era para mim. Por isso, ela inventou um personagem perfeito para aquele dia: a mulher de branco. Me vestiu com tule, cetim e pendurou umas lantejoulas douradas. Meio fantasma, meio umbandista, definitivamente, eu era a mais original.

Quando eu era adolescente, com a cara toda inflamada e esburacada de espinha, demorava horas para me arrumar e juntar coragem para sair do meu quarto e enfrentar o mundo. Ela me esperava, e, quando me via toda rebocada de corretivo, ainda conseguia dizer que eu estava linda.

Já “adulta”, nas tão esperadas festas à fantasia da faculdade, eu fui borboleta, indiana, sereia… eram maratonas cansativas e divertidas na 25 de março pescando acessórios e tecido para montar as melhores fantasias. Cansei de dizer a muita gente que tudo era “assinado” por mamãe.

Quando eu acordava às 5h30 para ir trabalhar lá bem longe, ela já estava preparando meu leite com nescau. Eu saía do banho e escutava a colher batendo forte no copo. Tec, tec, tec, tec. Nada soa tão carinhoso como esse barulho tão particular. Às vezes sem trocar uma palavra, ela me acompanhava andando até o ponto de ônibus, e dava tchauzinho quando eu já estava dentro dele.

Quando eu decidi que queria mudar de vida, de país, ela foi a primeira a saber e a me apoiar. Me ajudou a meter toda a roupa que eu podia em sacos de plástico a vácuo e cada ano me manda uma surpresa que só ela poderia mandar. Tem roupa que até hoje tem o cheirinho do amaciante que ela usa.

Quando disse que estava apaixonada e, dois anos depois, dei a dica de que ia dar um grande passo com este amor, ela disse que já imaginava.

Algumas vezes a flagrei falando bem de mim para desconhecidos ou pessoas muito próximas, quando me faltavam motivos para acreditar que havia algo de bom para ser dito.

Eu adoro quando dizem que a gente se parece, quando nos confundem por telefone. Porque ela é assim.

Ela é dessas peças raras que acreditam, confiam e apoiam. Ela é dessas que amam incondicionalmente.
Mulher de branco, sereia, indiana, borboleta… eu sou sempre sua filha e fã.

Eu amo a minha mãe. Feliz aniversário para ela!

E de trilha sonora, nada de “Parabéns a você”. Eu acho que a Elis, que também é Regina, tem mais a cara dela. Porque a cada ano, ela rejuvenesce!

Um é pouco, dois é bom, três é…

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Num dia muito parecido a esse, eu cheguei.

Num dia muito parecido a esse, eu cheguei.

É demais mesmo. Nunca achei que fosse ser tão demais. Em 3 anos sinto que vivi o que viveria em 10, 20, sei lá quantos, se não tivesse nunca mandado minha carta de apresentação pra um tal de máster de psicocriatividade em Barcelona.

Hoje completo 3 anos morando aqui e muita água rolou. Chuva e lágrimas a toneladas, mas, inevitavelmente, Barcelona sempre me presenteia com um – e até dois – arco-íris depois de uma boa tempestade.

Me surpreendi e me decepcionei; comigo e com os outros. Mas quem nunca falhou foi ela, essa cidade linda, que me ensinou o peso da independência e a delícia da liberdade.

Um sol de rachar, uma umidade de esponjar qualquer cabelo, um frio que faz doer os ossos de quem carrega um coração tropical como o meu. Mas… ah… Barcelona é muito boa comigo.

Eu, que sempre fui mulher de malandro, passei a ser sua amante. E me rendi a Barcelona, à sua melancolia, às suas sacadas modernistas, às suas curvas, aos pátios interiores que cada prédio tem, ao seu mistério gótico, ao seu romantismo de donzela medieval, à natureza, aos cantinhos silenciosos, à sua história milenar, às paredes castigadas por uma guerra muito recente, aos bares agitados e barulhentos, às suas cores de verão… à vida de bairro dentro de uma metrópole.

Ela é muitas, e me permite ser quem eu sou. E não há nada mais libertador que isso. Ninguém disse que ia ser fácil, mas eu não tinha idéia de que seria tão bom.

Que meu novo ano que começa agora aqui valha por 10, 20, 30… mas que sempre valha.

Salut i força al canut!

Por Má-Má.

O Palavra mais (velhinho) maduro e de roupa nova!

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Neste abril, nosso Palavra comemora cinco anos. Quando o criamos e demos início a esse projetinho de vida pessoal, não tínhamos ideia no que ele ia dar. Mas com certeza hoje, depois de tantos anos, ele ainda nos surpreende. Valeu a pena! Ele é um elo que estabelecemos entre nós e todos que nos visitam e nos conhecem mais por aqui. Nossos textos dizem muito e às vezes dizem nada, mas sempre nos tocam de alguma maneira.

Com certeza a ideia inicial era mantê-lo mais atualizado, mas gente, aconteceram tantas coisas nesses cinco anos (vcs verão) que em alguns momentos realmente não tivemos tempo para escrever! (acreditem, pls). E, então, pra celebrar nossa boda de seja lá o que for madeira com este lindo companheiro, resolvemos dar a ele uma cara nova. Esperamos que vcs gostem! ^^ Ao mesmo tempo, convidamos vcs a um resumo (muito bem resumido) dos nossos últimos anos vivendo nossas vidas por aí. Venham!

Nos cinco anos mais intensos da minha vida, conheci e me apaixonei pelo Yôga, pela Salsa e por todos os lugares em que tive a sorte de colocar os pés, de São Luis do Paraitinga à Budapeste, passando por Foz do Iguaçu, Buenos Aires, Roma, Mendoza, L.A., Campo Grande entre tantos outros. Se me faltaram paixões românticas, sobraram amizades verdadeiras, novas e antigas. Assim como sinto a falta dos meus pais e irmãos todos os dias desde que saí de casa, a saudade não me deixa nem um dia sequer, pois parte de mim ainda mora em Barna, apesar de outra parte ter voltado a SP. Tive a certeza de que ser realizada pelo trabalho e estudos é bom, mas a vida só é sustentável se vivida com quem amamos.- Carrô

Quando olho pra trás tenho certeza de que vivi muito mais do que imaginava ser possível. Nesses cinco anos, entre milhões de coisas que mudaram, que sumiram, que chegaram, algumas permaneceram e se fortaleceram, entre elas esse tripé May/Ma-Má/Carrô. Nesse tempo, vi meu priminho nascer, minhas irmãs virarem adultas, conheci nove países e dois continentes novos, me desapaixonei e voltei a apaixonar-me mais forte ainda, fiz amigos novos, mantive outros antigos. Fiz escolhas. Me arrependi. Ganhei e perdi muitos quilos. Vivi um relacionamento à distância e provei, pra mim mesma, que pode dar certo. Trabalhei bastante, juntei dinheiro e gastei todo ele. Tive a alegria de morar conviver com a Ma-Má e agora com a Carrô. Desculpa, mas isso é exclusividade minha. Senti muita saudade e vivenciei experiências totalmente novas. Chorei litros, mas com certeza sorri mais. Larguei tudo, comecei do zero, larguei tudo outra vez e agora volto a recomeçar. – May

Meus últimos cinco anos ainda carregam o gostinho do dia do nascimento do Palavra. Ah, aquele Mocha. Eu não deixei de sentir sua doçura, mas também sua pontinha de amargura. Foram anos intensos, de novos tênis e cortes de cabelo, de muita saudade, mas muita vontade de viver o presente, de perder quilos e não me importar em recuperá-los, de não fazer muitos novos amigos, mas de amar cada vez mais os antigos, de entender por que pai, mãe e irmã são a coisa mais importante do mundo, de conhecer lugares estranhos e de sonho, de perder e ganhar os melhores amigos que um ser humano pode ter, de viver um amor que é mais bonito do que eu jamais poderia imaginar. Sofri com a burocracia, com a incerteza, com a saudade e com o que nunca muda. Mas…ah…a vida continua sendo muito boa, e pode ser que não fique muito melhor que isso. – Má-Má