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Você é novato em música digital?

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Ei, é comigo que você está falando? Só pode ser. É comigo mesmo! Steve Jobs, você é O cara. É a primeira vez que eu entro no site da sua empresa e você já sabe quem eu sou!?

Pois sou novata mesmo. E muito. Há tempos, a vitrolinha lá de casa foi doada à Casa André Luiz, mas se tem um hábito que eu nunca deixei de lado foi o de consumir música. Consumir mesmo. E quando digo isso, I mean pagar por ela.

Quando mudamos do Cairiri (sim, este é o nome do edifício onde morei até os seis anos. Simpático, não?), fomos todos juntos comprar um super som de 2200 watts de potência (no deck da fita, tinha um adesivo enorme com isso escrito, acompanhado de um raio. Pura metalinguagem!). Legal! Ele cabia na nova sala! E me lembro bem dos CDs que mais ocupavam a bandeja com capacidade para cinco: Zeca Pagodinho, Bob Dylan, Leandro & Leonardo, Beatles e Rolling Stones. Essa era a seleção mais habitué do meu pai que, exceto pelo L&L, eu escuto até hoje.

Bom, o que quero dizer é que sempre tivemos muitos CDs. Um dos primeiros que ganhei, também do meu pai, foi um “Greatest Hits” da Tina Turner. Eu deveria ter uns 9 anos. Até hoje eu acho que ele só pode ter ganhado de brinde nas lojas Americanas depois de comprar o “Quatro Estações” do Legião pra minha irmã, já adolescente. Agradeci… mas só alguns anos depois, quando o Big Mountain lançou “Let’s stay together” e eu sabia cantar direitinho a versão que me agradava mais que a Tina. E fiquei mesmo grata quando descobri a versão original do Al Green… esta, a melhor… docinha, docinha. Se as pessoas apaixonadas pudessem ser identificadas pelo tom de voz, seria pelo tom desta música.

E tudo isso pra dizer que eu, sim, sou uma novata em música digital. Gosto da experiência de comprar CDs, me perder entre as prateleiras, descobrir novas bandas, ouvir 30s de cada música pelos fones das lojas ou simplesmente comprar um álbum pelo seu encarte. Gosto do som do plástico rasgando e nunca deixo ninguém fazer isso por mim. Gosto mais do que abrir ovo de Páscoa. Carrego os mais recentes no carro e morro de medo que os roubem.

Acontece que agora eu tenho um iPod. E isso significa um novo jeito de consumir música. Com tanta capacidade de armazenamento (minha megalomania musical me obrigou a comprar o de 16G. O Steve disse que cabem 4 mil), talvez eu passe a freqüentar mais os sites de download e com certeza ocuparei alguns fins de semana para passar todo os meus CDs pro computador.

Eu quis poucas coisas materiais na vida tanto quanto eu quis esse iPod. Aos 10 anos, fingi ter esse sentimento pro meu pai comprar o Super Nintendo de aniversário pra mim, mas, na real, eu só estava cedendo à pressão e às cutucadas da mesma irmã adolescente por baixo da mesa durante os jantares em família. Esse iPod foi muito planejado, e veio na cor prata, apesar de inicialmente eu ter escolhido o preto (essa mudança é assunto pra outro post). Na verdade, eu sempre tive o feeling de que o meu seria prata mesmo. O iPod da amizade. Ele veio do jeito que deveria ser. E nosso amor está crescendo… aos poucos. Até que eu e ele estejamos totalmente sincronizados, tem muita coisa que acontece naquela click weel que eu não consigo explicar. Uau! Ele grava o rádio. Como é que eu fiz isso!? A Carrô me explicou, mas… enfim. Não sei se consigo fazer isso de novo, pelo menos não conscientemente. Só sei que, quando é de verdade, é assim. Você tem aquela sensação de “Eu sei que você vai mudar minha vida, mas não exatamente como”. E se eu conseguir fazer tudo que o Steve disse que eu sou capaz na seção de “Digital Music Basics“, já poderei dizer ao iPod de Marina: “I’m so in Love with you, whatever you wanna do, it’s all right with me. ‘Cause you make me feel so brand new… Let’s stay together, baby.”, mesmo sem ter conseguido incluir essa música à nossa lista ainda.

Por Má-Má.