Arquivo da categoria: Má-Má

Faça o favor de ir depressa!

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Acredite em mim. Se alguém te disser que não é bom, são mentiras de mulher, e das mais picaretas!

Ontem, o domingo mais frio do ano em São Paulo, foi um dia especial. Não pela temperatura, que alcançou os 8oC de manhã, mas porque pude assistir ao espetáculo Noel Rosa, o poeta da Vila e seus amores, no Galpão do Folias. O espetáculo (talvez eu repita muito essa palavra, mas não consigo definir a obra de nenhum outro jeito) é uma dessas pérolas raras que essa concha casca grossa que é São Paulo às vezes cospe pra fora. E é preciso ser um peixinho bem rápido para percebê-la.

Com um blog pouco atualizado e uma simpática secretária eletrônica, não pude saber muito sobre o espetáculo antes de chegar à bilheteria. A região não é das mais convidativas. Tão paulistana, oferece o melhor e o pior da cidade: insegurança e uma enorme oferta de entretenimento.

Mas esse papo sobre São Paulo fica pra próxima! Eu quero mesmo é falar do espetáculo (eu avisei). O espaço do galpão, muito bem aproveitado, já te convida a viver uma experiência inesquecível. No piso superior, onde funciona o café do Folias, tomei um café; e uma moça muito simpática me presenteou com um biscoitinho de sequilho de laranja. Começamos bem!

Já dentro do teatro, o grupo Coisa Nossa começou o espetáculo. Uma gente fina, elegante e sincera nos convidou a sentar nas mesinhas que, com muito cuidado e detalhe, reproduziam o ambiente de um típico botequim carioca dos anos 30. O teatro, pequeno, e a atenção, enorme, nos fazem sentir parte de um momento exclusivo. E foi mesmo.

O espetáculo é um musical que conta a história da vida de Noel Rosa, até sua morte precoce, através de algumas de suas composições interpretadas ao vivo com percussão, cavaquinho, violão, clarinete e excelentes vozes e atuações. Cerveja e conhaque, os preferidos de Noel, podem ser consumidos durante o espetáculo. Para os que não bebem (ou dirigem) refrigerante, suco e água também são servidos geladinhos. Julinha, Ceci e Lindaura, os amores do poeta da Vila, sua mãe Marta, a intérprete Aracy de Almeida, o “rapaz folgado” Wilson Baptista e um garçom cambaleante (que também interpreta um radialista durante o espetáculo) fazem questão de manter os copos e os convidados bem servidos*. Na mesa, pequenos grandes detalhes: uma caixinha de fósforo, uma garrafa de conhaque que suportava uma vela acesa já bem derretida e uma tigelinha com bolinha de amendoim** compunham o cenário.

Em um momento, Julinha sentou ao meu lado e falou mal do Noel. Eu não podia discordar. O cara era mesmo um safado! Em outro, Aracy se aproximou e me ofereceu a gola do seu terninho branco, empapada de lança-perfume. Ainda bem que minha mãe só achou tudo “muito legal, diferente e alternativo”. E recomenda!

Eu também, claro. Recomendo vê-lo mais de uma vez, que é o que tentarei fazer. Não vi o tempo passar e sorri muito para os atores. Ri muito também, refleti e me emocionei. Só ao final, desobedeci a Noel. Perder tão cedo um gênio como ele e pedir que não haja nem choro nem vela já é demais. Desculpa, Noel. E obrigada Plínio Marcos, Coisa Nossa e Galpão do Folias. Eu amei.

Por Má-Má.

Noel Rosa, o poeta da Vila e seus amores, de Plínio Marcos
Galpão do Folias
Rua Ana Cintra, 213, ao lado (mesmo) do metrô Santa Cecília (uma travessa da Avenida São João).
Tel.: 3361-2223
Há um estacionamento também ao lado (mesmo) do Galpão (no total deu R$10 pelo tempo da peça).
De sexta e sábado às 21h (não haverá apresentação dia 20/07) e domingo às 20h.
Corre! Porque só estará em cartaz até dia 29/07.
Ingressos a R$30 (meia-entrada, R$15), sem lugar marcado. É possível reservar ingressos antes por telefone (foi o que eu fiz).
*as bebidas custam R$3
**o amendoim é de graça!!
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O que Barcelona já me ensinou

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Já são dois invernos. Se eu sempre fiz graça dizendo o número de primaveras que já vivi, aqui a primeira lição foi essa. Inverno é coisa séria e não faz frio em São Paulo. E perto das vizinhas européias, nem em Barcelona.

Barcelona me ensinou que, sim, é possível dividir. Casa, tempo, comida e angústia. Mas que às vezes dói compartilhar tristeza.

Que o skype foi a melhor invenção do mundo depois do e-mail. Mas que é insuperável a emoção de abrir a caixinha do correio e o envelope não ser uma carta do banco.

Que tudo de marca própria do mercado é gostoso. E muito mais barato. Mas que o leite condensado tem que ser o da moça.

Que eu sou muito mais feliz movida pelas pernas do que pela gasolina. Mas que não sobrariam pernas em São Paulo pra ser feliz assim.

Que nem sempre é fácil aprender um idioma. Mas que não se pode perder a vontade de se comunicar.

Que coisas ruins acontecem com pessoas boas. Mas que coisas maravilhosas não acontecem com pessoas ruins.

Que discutir a relação é difícil em qualquer idioma, chingados. Mas que é verdade mesmo, gente, que o amor não se traduz, simplesmente se entende. E tudo bem.

Que os preços nas rebajas são muito competitivos. E, sim, se pode esperar seis meses para fazer compras.

Que uma calcinha normal, nem coador de café de pano nem fio-dental, é conhecida como “brasileira” aqui. Mas que, muito diferente da turista ou estudante, é muito difícil de encontrar.

.it feels like home.

.it feels like home.

Que o Barça é o melhor time de futebol do mundo. E você nem precisa gostar de futebol pra gostar dele.

Que a cidade é linda quando amanhece, quando entardece e quando anoitece. E poder ver a luz do Sol desde a janela do seu quarto – ainda que indireta, refletida nas janelas do prédio em frente – é, sim, um privilégio.

Que ser imigrante não é fácil. E a burocracia é personalizada.

Que essa não é uma viagem. E que não há lugares como a nossa casa. Mas que, sim, se pode ter mais de uma.

There’s no place like Barcelona.

Por Má-Má.

Palavra estilosa: nós temos!

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Já faz tanto tempo, mas acho que ele não ficará chateado de entrarmos nessa farra só agora… pedimos perdão, Charlie. De coração. Pela demora. E, claro, antes do perdão: obrigada! obrigada! obrigada! Um obrigada de cada uma. É sempre muito gostoso ter o nosso querido Palavra reconhecido por blogueiros que nos divertem com seus textos e nos inspiram a escrever cada vez mais.

é mto chique, gente!


Pensa num selo phyno. É não? E é nosso! Bom, será a partir do momento em que revelarmos sete coisas sobre nós e indicarmos mais 15 blogs para continuar a brincadeira premiação. Como aqui a palavra é dada por três, nada mais justo que revelarmos sete coisas sobre cada uma de nós para ganhar este selo, que é o puro sabor do estilo.

Aí vai:

May

  1. Estalo os dedos com o dedo anelar
  2. Nunca soube dar estrelinha
  3. Não como frutas, só melancia
  4. Já grampeei o meu próprio dedo numa folha de papel pra ver como era
  5. Tenho medo de gatos
  6. Eu falo enquanto durmo
  7. Gosto de turbulências (leves) no avião pra dar um gelinho na barriga

Má-Má

  1. Morro de medo de perder a(s) sobrancelha(s)
  2. Fiz exame para tirar carteira de motorista quatro vezes
  3. Fico rouca facilmente
  4. No meu aniversário de 12 anos pedi um pandeiro de presente pros meus pais
  5. Depois de anos de resistência, hoje tenho 10 pares de meias pretas
  6. Não consigo digerir polvilho, mas amo o biscoito e pão de queijo
  7. Faz mais de cinco meses que não pinto as unhas

Carrô

  1. Eu ainda tenho os dentes do siso
  2. Eu tenho a flexibilidade corporal similar a de um bebê
  3. Amo montanhas-russas e tenho medo de rodas-gigantes
  4. Eu queria ter um carro só pra poder cantar bem alto no trânsito
  5. Eu prefiro tirar fotos de paisagens a fotos de pessoas
  6. O número da minha primeira casa era 13, igual o dia do meu aniversário
  7. Eu choro com a mesma facilidade que eu dou risada

A lista de 15 blogs é conjunta e acordada (e nada modesta):

  1. Balcónzinho
  2. Geladeira Oráculo
  3. Analgésico Cultural
  4. Caleidoscópio Dental
  5. Devaneios Psicodélicos
  6. E agora, Flavita?
  7. Cora Elizabete
  8. Stuff No One Told Me
  9. There is no liz, only zuul
  10. Eneaotil
  11. Sócia da Light
  12. Um ano sem Zara
  13. Dia de Beauté
  14. Blog do Tas
  15. Fim de Expediente

O homem do sapato de almofada

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Eu o conheci. Na verdade era um cara, não exatamente um homem. Não sei porque ainda faço distinção entre essas definições, mas para esse cara, o cara de sapato de almofada, eu aplico cara e não homem. Ele mora por Gràcia, um bairro (onde eu não moro) aqui de Barcelona muito charmoso, movimentado e cheio de gente normal e gente diferente.

Eu o conheci num dia em que fui a uma das poucas lavanderias “self-service” daqui, que nem fica tão perto de onde eu moro.  Lotei de roupa nosso carrinho de fazer compras, peguei o metrô e me perdi para chegar a uma praça que já tinha visitado algumas vezes, a Plaza del Sol.

Ela tem um pátio bem grandão e por toda sua volta há restaurantes, barzinhos e esta lavanderia, onde ninguém trabalha, só você. E você ainda paga para isso. Se você precisa de ajuda, tem um telefone de emergência. Sim, de emergência, porque se A Bolha resolve te atacar, você precisa de um telefone de emergência, claro. Eu estive nesta lavanderia por quatro horas neste dia. Na verdade, estive fora dela, embaixo do sol delicioso da Plaza del Sol, esperando que as máquinas gigantes trabalhassem por mim.

Nesse meio-tempo, entre muitas músicas, parágrafos ignorados e movimento em volta de mim, o cara do sapato de almofada se aproximou. Ele usava um chapéu panamá, uma camiseta azul, um lençol amarelo (que só cobria a parte da frente) e um vermelho (que cobria a parte de trás) amarrado na cintura, também usava calça, mas não consegui ver de que cor, tinha um cabelo que era um tufo, black power, e parecia que o chapéu tinha sido encaixado ali com super-glue (como eles chamam Superbonder aqui!). Mas nada disso chamou tanto minha atenção como seus sapatos, ou melhor, as duas almofadas que levava embaixo dos pés, amarradas por dois panos verdes. Sim, era um sapato de almofada. Ele se aproximou e a conversa fluiu em inglês, espanhol e muito sotaque indefinido:

  • Cara do sapato de almofada: Buenos días
  • Eu: Buenos!
  • CSA: Você mora no bairro?
  • Eu: Não. E você?
  • CSA: Sim. Há quase seis meses. Eu gosto daqui.
  • Eu: Eu também! E nem moro aqui.
  • CSA: Você gosta de Barcelona?
  • Eu: Sim. E você?
  • CSA: Sim. De onde você é?
  • Eu: do Brasil.
  • CSA: Brrrrrrésil? (com um sotacão francês)
  • Eu: Ouie. E você?
  • CSA: de Parrí!
  • Eu: Legal!
  • CSA: Você gosta do sol?
  • Eu: Amo! E você?
  • CSA: Eu também. E da praia, você gosta?
  • Eu: Amo! E praia com sol, ainda mais!
  • CSA: Eu também! Você já passou bastante tempo na praia ouvindo o mar?
  • Eu: Sim. E você?
  • CSA: Também! Sabe quando a água fica batendo nas pedras, indo e voltando… doesn’t it sound like…like music?
  • Eu: Sim. Parece mesmo.
  • CSA: Você está esperando algum amigo?
  • Eu: Não… estou esperando minha roupa secar.
  • CSA: Ah, claro!
  • Eu: Ops. A máquina parou. Preciso ir lá buscar minhas coisas.
  • CSA: Vai lá! Obrigado.

E o nosso ciclo acabou junto com o da secadora.

Eu me levantei, a gente sorriu. Quando voltei, o cara já estava iniciando outro ciclo com novos amigos, posando para fotos de uma mocinha bastante interessada em seus sapatos de almofada. E eu segui o meu, pensando que vestir o sapato alheio – ainda mais este de almofada – pode ser mais que confortável… pode… soar como música!

Por Má-Má.

Haja vida!

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Há alguns dias houve uma ruptura em minha vida. De verdade. Além das milhões de coisas novas que acontecem a cada dia nessa cidade que ainda me parece nova, uma ruptura literal provocou mais uma mudança. Minha mochila da Billabong (quem me conhece ao vivo, conhece essa mochila) rasgou. E foi de vez!

Na última etapa da mudança para um novo lar (eu digo que as mudanças são mais constantes que a rotina), tentei enfiar meu notebook dentro dela, que até então só tinha carregado meus analógicos e rabiscados cadernos. Ela não aguentou. Sucumbiu. Ela, o zíper e o tecido todo em volta do zíper.

Fui a uma sapataria, que consertaria minha mochila no Brasil por um precinho camarada, em um prazo também camarada. Mas aqui sapataria só conserta sapato mesmo, e o sapateiro me convenceu de que seria melhor eu comprar uma nova, porque técnicos como ele cobram caro pelo que não conseguimos fazer. Alguns minutos de conversa com o simpático Fabian (o sapateiro) e saí de lá pensando…

Quando me disse que não consertava mochilas, mostrei a minha a ele mesmo assim, para que ele avaliasse o estrago. Além de fazer um orçamento por cima, com base no que ele cobrava quando ainda consertava mochilas,  me falou: “Mas essa mochila… não tem muita vida.”

I’m easily ofended, então respondi na hora: “Não lhe falta vida! Sobra-lhe vida, por isso ela está assim, gasta e rasgada!”. E ri, para que Fabian entendesse que ali havia sentimento, e não um pedaço de pano. Funcionou. Pois Fabian se justificou, dizendo que ela já estava rasgada e que não teria muita vida futura, mas que entendia o que eu queria dizer; contou que tinha uma mochila há mais de 16 anos, do tempo em que suas filhas ainda eram pequenas e ele as levava para passear. Hoje, ele a usa para pescar e acampar nas montanhas. Não contente em descrevê-la, foi a um quartinho buscá-la e me mostrou. Era verde musgo, bem simples, com um bordado “España”, mas parecia nova, cheia de vida no passado e com muita vida pro futuro. Disse a ele que a minha tinha a metade da idade da dele, mas gostaria que ela estivesse com a mesma vivacidade que a sua.

Então Fabian me aconselhou que a guardasse como recordação. E eu seguirei seu conselho, mas só até que não precise mais dela fisicamente para me lembrar de tudo que passamos. Mais ou menos o que tenho feito com arquivos antigos que me ensinaram muito e agora só servem para ocupar um espaço que já não lhes pertence no HD interno crimonoso que é a minha memória de milhões de teras. Porque, né?, moving on também significa vida. E pro futuro.

Por Má-Má.

Update:  Fabian não consertou minha mochila, mas o fez com minha bota. Ela está linda, sem rasgos e, de quebra, ganhei esponjinhas de cortesia para limpá-la!

Minha vida de acordo com… Aline, ops, John Mayer

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Esta é mais uma edição do diario de bordo de Lucas Silva & Silva. Mentira. É uma edição especial e espontânea, ainda que encomendada, do “Minha vida de acordo com…” que a Line pediu para eu fazer com o John Mayer.  Claro, eu aceitei. Não porque o John é meu preferido. Ele não é mesmo. Mas a Aline é. E, em nome da saudade, chegamos a um consenso que nem precisou de muita negociação; aqui está nossa vida de acordo com John Mayer, uma homenagem à nossa amizade linda de viver. 

  • Escolha o artista/banda: John Mayer
  • Você é homem ou mulher? Daughters
  • Descreva-se: Bigger than my body (gives me credit for)
  • Como você se sente? In repair
  • Descreva o local onde você vive atualmente: The heart of life
  • Se você pudesse ir a qualquer lugar, aonde você iria? Back to you
  • Sua forma de transporte preferido: Gravity
  • Seu melhor amigo: Only heart
  • Você e seu melhor amigo são: Bold as love
  • Qual é o clima? Stop this train
  • Hora do dia favorita: Come back to bed
  • Se sua vida fosse um programa de TV, como seria chamado? Great indoors
  • O que é vida para você? Wheel
  • Você sorri quando:  New deep
  • Você chora quando: Something’s missing
  • Seu relacionamento: Love song for no one
  • Seu medo: Vultures
  • O melhor conselho que você tem a dar: (Don’t keep) Waiting on the world to change
  • Pensamento do dia: Belief
  • Seu lema: Who Says

 Por Má-Má.

Uma grande confusão

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Sempre gostei de aprender idiomas, mas, bem mesmo, sei falar poucos: o português, que eu amo e todo mundo – em todo o mundo – gosta de escutar; o inglês, que eu quis aprender quando era bem novinha, que já me tirou de muitos apuros e garantiu meu primeiro emprego; e, o que eu venho tentando aprimorar, o castelhano. Castelhano é a mesma coisa que todo brasileiro conhece como espanhol mas que aqui na Catalunya (ai de quem escrever Cataluña), eles gostam de diferenciar como o idioma da região de Castilla (Madrid e adjacências).

Eis que nessa pera, uva, maçã, salada mista surgiu o catalão que, assim como quem cresce aprendendo-o, é bem do esquisito (o que para mim é elogio, já que eu adoro as coisas esquisitas). Nossa historia começou ainda em São Paulo, na Lins de Vasconcelos, mas foi aqui em Barna (porque Barça é apelido do time, gente), que ele me conquistou e começou a fazer parte do meu mundo. A May já falou dele por aqui, e hoje vou contar como este senhor (porque ele é velho mesmo) causou uma bela confusão (e uma boa história) na última fiesta.

Como sempre, andamos muito e fomos parar em uma das poucas baladas que conhecemos que desafia a madrugada: o Apolo. A música é excelente (às vezes esquisita) e as pessoas, também (aplique ambos adjetivos). Paga-se para entrar, mas disfruta-se de um drink à sua escolha que, se eu já não tivesse pago, nunca compraria. E foi quando eu estava pedindo a minha vodka com Schweppes genérica (blame it on na falta da opção “cerveja”) que um rapaz se aproximou. Eu estava sendo cortejada. A frase de approach foi: “¿Hablas inglés?”. E a resposta foi: “Yes, I do”. Logo me arrependi porque, de cara (e de todo o resto), não gostei dele. Porém, a segunda frase soou: How much is això (esta última palavra aí lê-se “achó”)? Eu, com meu catalão fluente, entendi a frase metade em inglês, metade em catalão, afinal, uma coisa que eu sei é que això em catalão é “isto”. E, claro, achei que estava sendo zoada (blame it on meu passado).

Pois desembestei a falar o pouco que sei em catalão com o rapaz e aí foi ele que começou a achar que eu o estava zoando.  A diferença é que eu estava mesmo. How much is això, mano? ¿Estás de broma? Are you kidding me? Eu sentia que tinha dado uma lição no rapaz que nem foi assim tão simpático, bulinou meu amigo e ainda me achou com cara de ponto de informação. Missão cumprida? Não. Porque,  na sexta à tarde, acordei com essa frase out loud na minha cabeça. How much is això? How much is a…xò? Oooow. How much is…a shot! E… me dei conta da grande confusão. Ri sozinha, ainda na cama, perdoei-o  por ter olhado pro amigo com cara de “Acho que escolhi mal o alvo da paquera” (e por ter bulinado meu amigo), e refleti com a May sobre a possibilidade de estar apagando meu inglês da memória que, danada que é, sequer tem cedido espaço pro senhor (nada senil) que me pregou uma peça e rendeu uma história em que a zoada continua sendo eu!

Por Má-Má.