E no meio de tanta gente… cadê eu?

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O “re” é sempre mais difícil, né. Ou mais trabalhoso, talvez. Refazer, reencaminhar, repetir, reestruturar. Recomeçar. E aqui não me refiro só a grandes recomeços, como quem viu a morte de perto ou perdeu tudo na enchente. Mesmo porque, sempre que pensamos em recomeço, associamos a importantes superações e nunca a recomeçar algo melhor… porque aí ninguém para pra pensar nisso. Ninguém que ganha na mega sena ou tem um filho no momento desejado diz: “Vamos lá! Vou recomeçar a minha vida”. E sim, acredito que seja um recomeço também.

Tem coisas que eu só me dou conta quando começo a escrever sobre. Aqui está um bom exemplo: refletir sobre os “dois lados” do recomeço. Recomeçar pode, sim, significar começar uma vida nova por pura e espontânea vontade. Claro que remete a mudanças, adaptações e esforços. Mas por que sempre temos que pensar e agir como se fôssemos vítimas da vida que escolhemos recomeçar?

Além disso, às vezes negligenciamos o recomeço de coisas simples. Voltar a estudar um idioma, retomar os treinos de muay thai, reencontrar velhos amigos… recomeçar uma rotina, regressar ao seu país. O que ninguém nunca me disse é que esse ato de recomeçar pode durar mais tempo que algumas 24h, 48h ou 36h ou uma semana e meia de transição. E que pode ser mais confuso do que nossas ideias esperavam. Pode exigir algumas noites em claro, algumas reflexões sem nexo, muitas crises de choro e picos de alegria e conflitos com quem a gente mais ama. Mais que isso: que esse momento de recomeçar seja lá o que for te força a REpensar a sua vida. E acreditem, isso tá sendo bem difícil.

Minha vida nem é tão complicada assim e eu já me perco pra analisá-la e não raramente não consigo nem me achar dentro dela. Identifico as coisas, os lugares, as pessoas, mas eu não encontro meu lugar no meio daquilo tudo. Daí olho pra outra “tela” desse filme, que se chama “Minha Vida”, e me vejo sentada numa cadeira pensando no recomeço que estou vivendo, nos impactos de tudo que eu mudar de lugar e nas consequências que virão das coisas que eu não mexer. Na hora dá vontade de ir lá e me dar um chacoalhão pra ver se eu assusto e saio correndo pra viver a vida de agora, mas aí eu olho mais uma vez e escolho me dar esse tempo de introspecção pra na hora que eu levantar decidida a fazer algo, eu tenha certeza de que é praquela direção mesmo que eu quero caminhar.

Muitas coisas mudam, mas outras muitas continuam intactas. Só quero que eu não seja nenhuma delas. Prefiro evoluir conscientemente a permanecer estática ou me transformar completamente. À vida, peço que me dê paciência. Se não for grátis, eu troco por um pouco de ansiedade. Prometo que saberei o que fazer com ela.

Por May.

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  1. May, seu post me lembrou quando voltei de Londres – de uma tão curta temporada de 04 meses. Suficientes para me fazer sentir estranha em minha vida por alguns longos anos.

    Que você se permita mesmo o período de introspecção, que encontre logo o que quer mudar e o que quer que permaneça, na evolução consciente que mencionou. Que o recomeço doloroso seja apenas um passo para descobrir a melhor direção, aquela que o coração vai se identificar e logo tudo esteja encaixado e no lugar, feliz.

    Adoro o texto do Palavras, de todas!
    Deveriam atualizar mais vezes.

    Beijos
    Vivi

    • Vivi, e eu adorei seu comentário. Poderia até acrescentá-lo ao texto, super ornou. hahaha Obrigada pela compreensão e visita por aqui. Vamos tentar atualizar mais vezes! Beijos, May.

  2. May, te entendo completamente. Meu período de distância foi bem mais curto que seu, mas o suficiente pra fazer td isso com a minha cabeça tb. E o voltar foi muito mais difícil que imaginei. O negócio é ter mesmo muita paciência e respeitar tudo o que está sentindo. bjocas

  3. Mana,
    Eu nunca fui, então não sei como é voltar, mas posso ser brega e dizer que cada dia é um recomeço? hahaha

    E tem dia que esse recomeço é mais “ativo”, que a gente quer fazer e acontecer, e tem dia que ele é mais reflexivo, em que ficamos ponderando, pensando, analisando, sentindo… e… tudo bem! Faz parte, take your time que as coisas vão achando seu rumo. ;)

    Besitos.

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