Estamos ou não todos doentes de amor?

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Como é complicado definir sentimentos, emoções e sensações. Ou só eu tenho essa imensa dificuldade? Tenho a impressão de que passamos/vamos passar a vida inteira sentindo as mesmas coisas e até morrermos não teremos certeza do que separa um sentimento do outro. Tá certo que ainda tenho muitos anos pra aprender, mas pelo que escuto por aí… as pessoas costumam só confundir ainda mais. Por exemplo, quando o ciúme ultrapassa seus limites e chega a ser possessividade? Quando a amizade se transforma em amor? Quando a irritação passa a ser ódio e este, considerado raiva? Chego até a pensar que o ser humano é muito subdesenvolvido para ser capaz de sentir tantas coisas que ele mesmo inventou.

E qual é o mais soberano dos sentimentos? Aquele que todo mundo busca o tempo inteiro incessantemente? Que você deseja àqueles que quer bem e quando pede algo pra sua vida, é o primeiro da lista. Que faz parte dos sonhos de qualquer um. E que os que encontram se consideram os mais sortudos do mundo. O amor. Aquele que desorganiza amplamente nossos processos mentais. É um quadro complexo, que apresenta sinais e sintomas na área do pensamento, percepção e emoções, causando impactos nas relações interpessoais e familiares.

A pessoa perde o sentido de realidade ficando incapaz de distinguir a experiência real da imaginária. Até hoje não se conhece nenhum fator específico causador do amor. Há, no entanto, evidências de que seria decorrente de uma combinação de fatores biológicos, genéticos e ambientais que contribuiriam em diferentes graus para seu aparecimento e desenvolvimento.

Quem ama sabe. Conhece seus sintomas. Já ouviu muito falar deles antes de que os sentisse na própria pele. O amor faz com que o indivíduo delire, acredite em ideias falsas, irracionais ou sem lógica. A pessoa, não raramente, tem alucinações, ou seja, percebe estímulos que em realidade não existem, mas são reflexos de um estado de ânimo de alienação combinado com uma ansiedade quase incontrolável. De uma necessidade de possuir que, muitas vezes, se transforma em um distúrbio de ciumes digno de tratamento.

Qual apaixonado nunca se perdeu em suas próprias palavras sem conseguir ordená-las e transmiti-las de maneira clara ao outro? É certo que o amor desorganiza discurso e pensamento e nos proporciona uma fala ilógica e desconexa, sem uma sequencia coerente.

Volto ao meu primeiro ponto: nossa incapacidade de entender e demonstrar as emoções que sentimos. O amor faz isso com a cabeça da gente. Confunde. Nos confunde. Confunde aos que convivem com a gente. Atrapalha a articulação do afeto de acordo com o contexto, fazendo com que reajamos de maneira indiferente a diversas situações do cotidiano simplesmente por estarmos focando a maior parte de nossos esforços em compreender sensações que nunca chegaremos a desvendar.

Podemos, inclusive, chegar a perceber alterações de comportamento quando amamos. Afinal, a coisa mais comum do mundo quando se trata de amor é que atuemos de maneira impulsiva, agitada, extravagante, intuitiva… insana.

Agora substitua a palavra amor por esquizofrenia e terá um resumo rápido dos sintomas e definição dessa doença.

De acordo com o dicionário Houaiss de Língua Portuguesa, uma das definições para loucura é: “distúrbio ou alteração mental caracterizada pelo afastamento mais ou menos prolongado do indivíduo de seus métodos habituais de pensar, sentir e agir”.

Amar é ou não é uma loucura?

Por May – no momento, enlouquecida.

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