Plaça Catalunya

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Um casal que se encontra como se fosse a coisa mais comum do mundo. Pra eles com certeza é. Pensei que talvez eles se encontrassem todos os dias naquele horário. Ou depois do trabalho dele. Ou antes do dela. O cumprimento é singelo, mas saem de mãos dadas. Sem muita emoção ou novidade, mas se nota o carinho.

“Eres Carmen?” “Sí, soy yo!”. “Muito prazer”, “como você está”, “desculpa o atraso, mas resolvi vir caminhando pra não pagar o metro”. São jovens, uns 22 anos. Saem andando pra qualquer direção. Provavelmente falarão depois pra decidir aonde vão tomar um café ou uma cerveja e se conhecerem melhor ou falarem do que têm para falar. Um encontro às cegas. Qual seria o motivo? Mas logo desaparecem da minha vista. Acompanhei até onde pude, mas a multidão confunde um pouco a visão.

Um grupo de amigos no mais puro estilo EMO sentados no chão em uma roda, falam alto, se abraçam, se beijam e se apertam tanto quanto as pessoas reduzem o ritmo da caminhada para observá-los. Falam muito rápido e decidem no pedra-papel-tesoura quem vai levantar pra comprar uma cerveja. É quinta-feira à tarde. Com certeza acabam de sair da esola. O menino gordinho com o cabelo alisado pra um lado e as pontas cor-de-rosa, vestindo uma camiseta super apertada preta e um shorts também preto com estrelas brancas e allstar cano alto é quem fará o favor para os “miguxos” desta vez.

Ao contrário do primeiro casal, este fez até eu me emocionar. A menina esperava ali há alguns minutos, de costas, o namorado chega com um skate na mão, abraça ela por trás bem forte e ela solta um grito: “Cariiiiiiiño!!!”. Provavelmente disse que chegaria por um lado e chegou pelo outro. Além do susto, a surpresa pareceu agradar à moça. Se beijaram por um tempo. O mesmo beijo. Sem pausa. Se abraçaram. Ameaçaram caminhar, mas ele a abraçou de novo. Ela não parava de sorrir. O encontro demorou uns minutos e foram embora. Ela em cima do skate, ele de mão dada do lado. Acho que fazia tempo que eles não se viam.

Uma senhora sentada na beira da vitrine da loja, ofegante, carregando algumas sacolas. Suando no calor que faz nesta tarde. Aparentemente está sozinha e resolveu tomar um descanso. De repente chega uma menina. Acho que eram mãe e filha. Traz um sorvete pra ela. Falam outra língua, que eu não conheço. A mãe termina o sorvete e saem caminhando em direção a mais compras. Acho que ela estava cansada. Saiu mancando. Passear com a mãe é uma delícia.

E eu estou apenas esperando minha aluna, encostada na parede.

 

Por May – que não liga de esperar enquanto haja gente para observar.  

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