Cadê as luzinhas de Natal?

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Hoje já é dia 22 e nem parece que o Natal está tão perto. Acho que no ano passado pareceu menos ainda. E comprovei isso revendo meus posts do Palavra. Que mania essa minha de interpretar meus posts como um gráfico pessoal! Em 2008 e em 2009, desejei um monte de baboseiras Feliz Natal e um ótimo Ano Novo no dia 21 de dezembro. Na mesma data, sem perceber, claro. Acho que era quando o clima de fim de ano já estava transbordando… em São Paulo. Mas desde que eu mudei pra Barcelona, não sinto mais tanto assim o dingow bell usual. Parte disso é a diferença mesmo com que eles encaram o Natal aqui… menos calorosa, acho. Bom, mas isso é reflexo de como eles encaram TUDO menos calorosamente nesta vida, né… e o clima também tem um pouco de culpa nisso, fato. E também que o Papai Noel aqui na Catalunha divide espaço com o Caganer. Não me conformo com isso, gente.

Mas também acho que não entrar no clima natalino também tem a ver em não estar com a família de sangue. Digo família de sangue porque aqui, longe, tenho a minha família também, mas mãe, irmãs, pai, tios, avós, cachorro, gato, galinha, ta tudo ali, na tela do skype com uma qualidade de ligação terrível, que os votos ficam cortados e as vozes parecem de robôs e aí irritação vai ganhando pelo cansaço. E não tem os abraços, a passada de mão nas costas sem muita pretensão, a mexida no cabelo pra fazer um carinho. Não tem o especial do Rei, nem a Maria Bethania cantando Noite Feliz. Não tem as discussões em alto em bom som, as gargalhadas e zuações, as comidas de sempre, o chororô ao lembrar dos que já foram. E as muitas risadas e coração quente ao aproveitar os que chegaram há pouco tempo!

Voltando aos meus antigos posts de Natal, o último foi há dois anos. E se começo a lembrar como estava minha vida, o que eu queria pra ela, o que eu programava, o que eu temia, o que eu protegia, o que eu desejava, me dou conta de que tudo isso é tão, tão, tão mutável que não vale a pena fazer muitos planos a longo prazo. Tenho certeza que muita gente discorda disso e eu, há dois anos, talvez achasse um absurdo, mas hoje eu vejo que nada é pra sempre, tudo pode mudar (e é bom que mude), então pra quê sofrer e se martirizar com planos concretos pra daqui cinco anos? Dois? Um? Meio ano, enough.  Porque pode ser que em fevereiro, eu decida que quero mudar de país, estudar fora e largar tudo pra trás… como aconteceu em fevereiro de 2010. E aí? É bom se imaginar como estará daqui cinco, 10, 30 anos, mas ao invés de pensar que tudo tem que acontecer como você planeja agora senão não terá dado certo, por que não viver e… viver? E ir construindo seu caminho até lá de acordo com o que o mundo for colocando pra você. E tirando. E trocando. E moldando.

Fora os muitos quatro anos a mais que tenho hoje, o que significa praticamente nada muita experiência, amadurecimento e aprendizado, resolvi não pedir nada demais pra 2012, além do que qualquer pessoa normal escreveria em qualquer cartão de Feliz Natal e Próspero Ano Novo pediria pra si mesmo e família.

Ah, SÓ uma coisa: será que dá pra pedir pro mundo não acabar em 2012? Queria fazer tanta coisa ainda nessa minha vidinha de Meldels… ;)

Feliz Natal, galere. E um Ano Novo bem gostosinho pra vocês.

Por May.

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  1. a graça é justamente não estar preso aos planos. e se permitir mudar, repensar, refazer, mudar de direção. Trocar de país dá essa sensação de que a vida é mto maior do que o planejamento que a gente dá para ela. As amarras foram soltas em outubro de 2010. E não tem como elas voltarem…

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