Overwhelmed

Padrão

Começa assim: casa-trabalho-cursos-família-amigos-viagens-lazer-compras-contas-diversão-tudoaomesmotempoagora. Você, que já tem o hábito de querer abraçar o mundo, entra numa vibe de querer dar conta de ainda mais coisas do que as 24 horas do dia e um ser humano são capazes.

Aí você resolve morar sozinha (ou com um rommie, se for o caso), começar a pós-graduação, planejar uma viagem de férias que vai somar mais de 30 dias, começar uma atividade física. Você acha que é OK lidar com tudo isso ao mesmo tempo e ainda arranjar tempo pra jantar com as amigas toda semana, sair com o pessoal do trabalho, passar o fim de semana com a família, curtir um HH esporádico com os amigos de trabalhos anteriores e da faculdade, pegar uma balada com a amiga da vida, comemorar aniversários – enfim, manter uma vida social.

Só que junto com a pós, você esquece que vem também o tempo pros estudos e trabalhos, pra alinhar as apresentações, pra conhecer pessoas novas e criar vínculos, pra pensar no TCC.  Junto com a casa, vem o “manter a casa em ordem” (oi, mãe), lembrar de pedir água, de ir ao mercado, de chamar a faxineira (oi, Jor), pendurar quadros (oi, pai), comprar a decoração da casa, organizar um open house (esse passou batido),  lavar/passar roupa e… ufa! É uma eternidade de atividades que não acabam nunca!

Daí que você acaba sendo uma dona-de-casa bem meia-boca, porque entre o trabalho pra entregar no sábado que vem e a louça pra lavar, você opta por fazer o trabalho, já que a louça não vai te reprovar caso ela não esteja guardada numa data certa. Daí que você acaba comprando as comidas prontas (não congeladas, que fique claro!) do Pão de Açúcar em frente ao seu prédio porque não tem pique de ir pra cozinha fazer
janta pra um.

Ok, daí você supera essa crise “dona-de-casa-não-sou-eu” e resolve abstrair. Aí chega o fim de semana e você leva toda a roupa acumulada pra lavar na casa da sua mãe. Daí, pior do que se sentir uma dona de casa failure, você se sente como uma adolescente que não consegue sair da barra da saia da mãe. Mas aí o auto-engano cumpre seu papel e você pensa: ah, mas se eu passar o domingo cuidando da casa, quando é que vou
passar tempo com a família? Aí a crise “Peter-Pan-sou-eu” passa e você vai interagir com a família.

Então você vai ouvir da sua tia que é um absurdo você não aparecer mais vezes em casa, ou sua prima vai te cobrar porque aqueles jantares eventuais já não acontecem mais. Sua irmã… bem, ela não vai dar a sua falta, nem seu irmão. Menos dois pra te cobrarem atenção, presença, disposição. Ainda bem porque você tem uma boa dose de pessoas que exigem que você participe: de um evento do trabalho, de encontros,
das baladas, dos bate-perna nos shoppings ou… ou…

Daí, você se sente péssima por querer sempre estar presente, mas seu corpo e mente não te acompanham! Daí você começa a sofrer porque a diversão passa a ser obrigação, porque você não consegue dar a devida atenção a tudo que gostaria de fazer, por não conseguir dedicar tempo pra elaborar o seu roteiro da viagem, por não se concentrar o suficiente no trabalho por ter tudo isso na cabeça! E eu nem mencionei o trabalho. Aquelas oito horas por dia não estão contabilizadas aqui, nem as duas horas e meia de trânsito/dia, nem toda pressão/estresse inerente a qualquer empresa.

Aí eu me pergunto: você dá conta? Você consegue ser uma pessoa amável, criativa, inovadora, companheira, pró-ativa, produtiva, assertiva, dedicada? Tudo ao mesmo tempo agora é muita coisa, e a mente e o corpo entram num estado de exaustão. E aí que esse post não tem a intenção de chegar à conclusão alguma, e sim de ser uma reflexão porque se você agüenta, eu não to agüentando não…

 

Por Carrô.

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  1. E mesmo com todas essas coisas que vc tem pra fazer, não deixa a desejar em nada. Além de tudo isso, vc esqueceu de mencionar que ainda é amiga exemplar. Calma, Carol. Daqui pouquíssimos dias estará aqui curtindo unas vacaciones animalescas!!! :)
    May

  2. Carol, muito legal o blog! Você expressa seus sentimentos com bastante sinceridade e eu admiro muito isso. Meus parabéns!

    Essas cobranças da vida fazem parte, o importante é estar bem consigo mesma. Não se sinta culpada. Fernando Pessoa diz em algum de seus poemas (não lembro qual) que ser feliz é andar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

  3. Carolzinha.. realmente, vc pois em palavras alguns sentimentos que estão mais que frequentes na minha vidinha ultimamente.. somando-se os cuidados com o filho e a atenção para o marido. Às vezes parece que vou “pifar”.. kkk. Amei o texto! Bjs

  4. coisa linda, perdi o timing pra comentar esse!
    o maldito timing que controla nossas vidas e que eu tenho certeza de que ficará aí no Brasil durante esses dias em que vc estará aqui. porque, de verdade, eu espero que o assustadoramente perfeito que será vc estar aqui comigo faça com que o tempo deixe de ser tempo calculado, de ser número, que a gente tanto odeia…e seja só momento, bons momentos, excelentes momentos! os mais perfeitos, como sempre é quando estamos juntas. te amo. estou te esperando. beijo!

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