Não entre sem bat…ops… olá!

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Você tem algum segredo? Consegue esconder informações, episódios, detalhes sobre você que mais ninguém saiba? Nem adianta argumentar com suas senhas porque, por mais que algumas só façam sentido para quem as cria, é possível que em algum momento você tenha que revelá-las  para o Help Desk ou para qualquer funcionário de um banco que você sequer sabe quem é (e isso talvez cause até um pouco de vergonha). As senhas serão trocadas e você terá um novo segredo, mas aquela anterior já terá sido revelada; só isso basta para ela deixar de ser privada. Já o que você gostaria de guardar lá na última gavetinha daquele móvel  chamado introspecção (que eu gosto de chamar de privacidade), cuja tendência é virar criado-mudo e depois tornar-se uma caixinha de fósforo… bem… isso é quase certo que seja revelado assim que você estiver desesperado procurando uma meia limpa. E, dependendo do seu grau de neurose e autodestruição, quando a gavetinha for aberta, você quererá (tá aí um tempo verbal pro querer que eu sempre evitei) ser cobaia do brilho eterno de uma mente sem lembranças.

Eu e meu armário embutido de oito portas de neurose e autodestruição (e um outro com o dobro de portas lotado de amor. Sim, meu coração é grandão mesmo) estamos aprendendo muito com isso. Hoje, quando quero dividir tristezas e alegrias com quem eu amo (e que acho que sentirão o que sinto na mesma intensidade que eu), acabo dividindo com mais umas centenas (meus amigos no Facebook, por exemplo). Dentro e fora da rede, nem sempre é óbvio para mim por que fulano a “curte” meu link, sicrano “comenta meu status” e beltrano “marca uma foto minha”.

Isso porque, nunca antes na história deste país (deste onde estou e do que eu habitava anteriormente), minhas gavetas estiveram tão abertas. Se você conhecesse meu armário (as 24 portas que citei, pelo menos), saberia que tudo está organizado por estilo e cores: cada sentimento em sua gaveta certa, cada história longa no respectivo cabide, cada autojulgamento cruel em sua caixinha de cristal… tudo inutilmente armazenado e separado! Porque se tem uma vantagem em abrir essas gavetas é que muita gente me ajuda a encontrar as tais meias, muitas vezes onde eu sequer procuraria, simplesmente porque EU não as teria colocado lá. E, apesar de eu ter demorado para perceber, hoje sei que,  assim como os Muppet Babies, quando eu fecho os olhos, todos eles fazem uma grande bagunça, só para me desafiar. E que trabalho me dava para colocar tudo no lugar! Dava… porque as roupas eu ainda faço questão de separar, mas as portas dos sentimentos, dos defeitos e (por que não?) das qualidades, estas eu tenho deixado abertas. Por isso, se você achar uma camiseta manchada, uma calça furada, uma meia – ai – encardida, ou gostar da saia nova … let me know. Já não será segredo entre nós mesmo!

.no meio-termo.

Por Má-Má.

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  1. :) às vezes nem é tão bom ficar guardando tanto uma meia pensando que é uma calça. é só uma meia. e foda-se se acham que ela é velha e está desgastada. se ainda esquenta, ótimo. dar uma bagunçada no guarda-roupa é bom, relaxa.

  2. Acho que esse foi um dos textos mais metafóricos seus que já li, coisa linda! And I must say… dá um orgulho danado.

    Talvez eu não tenha entendido nada, mas tenho mtas razões pra achar que sou uma das poucas pessoas que entendi bem entendidinho… :)

    No meio-termo é mais que ótimo, chica.

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