Foi a saudade que me trouxe pelo braço

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Eu demorei para entender o que é sentir saudades.  Na escola, aprendi que pode ser singular ou plural, afinal, podemos sentir saudades de muitas coisas. Fora da escola, não demorei para aprender que, de pessoas, sentimos ainda mais. E mais ainda quando coisas estão ligadas a pessoas.

E existem tantos jeitos de sentir saudade… a frase que dá nome a esse post é de uma música sobre Recife, onde estive novamente semana passada, depois de uma visita há quase três anos (que foi tema de outro post por aqui). Não sei por que, mas amo Pernambuco. Na verdade, acho que sei. Amo o que Pernambuco me mostrou quando estive lá pela primeira vez.  E senti saudade de lá. Por isso a idéia das ultimas férias em família antes de tudo mudar não poderia ter cenário melhor do que o pedacinho de paraíso de Porto de Galinhas e adjacências.

É uma dessas adjacências que quero valorizar aqui: o Cabo de Santo Agostinho. O Cabo é uma cidade pobre, sem saneamento básico, cercada de plantações de cana e, por casualidade geográfica, tem o segundo ponto do Brasil mais próximo da África.  Foi mais especificamente deste ponto que senti tanta saudade (vou deixar pra lá a deprê com a situação caótica da cidade e a esperança de que tudo melhore com as eleições).  

Primeiro porque o lugar é maravilhoso. Faz silêncio e venta. E você só ouve o som do mar e do ar. Qualquer voz – de dentro e fora da gente – fica baixa por ali. Paguei a conta do cartão de crédito? Onde guardei as chaves do cadeado da mala? Passei protetor solar? O que importa? Ok. Talvez eu tivesse que prestar mais atenção à resposta que daria à última, a julgar pela cor de caipora dos meus braços. Lá, você só vê as cores da natureza e sente o cheiro de milhões de anos de exposição ao sol de um conjunto de penhascos de causar vertigem.  O lugar exige tanto respeito que cria seu próprio mecanismo para proteger quem quer guardar aquela imagem pra sempre na memória: não é possível chegar à ponta do penhasco para dar aquela bisoiada no mar lá embaixo. É perigoso. E lindo demais. E parece que está ali para causar saudade mesmo.

Penso sempre nesse lugar. E foi muito bom voltar lá depois de três anos e encontrá-lo intacto (diferente do Mirante a poucos metros dele, onde a paisagem é atrapalhada por um estaleiro bem feio construído pelo Lula. Mas também vou deixar isso pra lá).  Ele estava igualzinho a como eu o olhei pela última vez em 2007. E esse é o poder da saudade. Ela congela a coisa no tempo, no espaço, na memória. Desta vez, comprovei que essa saudade valia a pena. E que uma outra saudade que eu sentia quando fui lá pela primeira vez hoje já está na sacola dos pensamentos inúteis, junto com a conta do cartão de crédito (já paga, aliás, na maior facilidade, pela internet em pleno domingão na terra da garoa).

Por Má-Má.

.quem sabe um dia eu volte. não é que a saudade já me trouxe pelo braço uma vez?.

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  1. A saudade existe pra gente saber o que valeu a pena até agora na vida.

    Eu não gosto dela não, mas ela faz tão parte da vida quanto a sorte que a gente tem de gostar das coisas e das pessoas.

    Tá aí um lugar que eu quero conhecer. Aposto que foto nenhum traduz a experiência de estar lá. Mas já dá uma ideia… =]

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