Eu preferiria morrer

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Acho que minhas funções vitais incluem escrever. Se me impuserem uma vida em que eu só tenha direito de respirar e comer, não sobreviveria. Talvez não poder falar me fosse menos torturante. Mas me privar de escrever quando sinto que preciso, não. Não façam isso comigo. Não me condenem ao silêncio do texto porque aí não conseguiria organizar pensamentos sãos e os absolutamente insanos e eu própria seria uma bagunça asquerosa. Não consigo esta proeza de ordenar ideias escrevendo, fato, mas pelo menos tenho a impressão de estar quase sempre perto de consegui-la.

Ultimamente tenho tentado entender sentimentos. Isso é possível? Tempo gasto em vão? Alguém já conseguiu simplificar aquilo que move o mundo? Seja seu exagero ou a falta de, o amor é capaz de construir felicidade e também de afundar alguém na loucura e depressão. Por que ele é tão forte e as pessoas tão fracas? Que se perdem no escuro por nunca acharem suficiente o bem que têm? Acredito que a amizade reúne só as coisas boas do amor e, portanto, deve ser encarada como tal. Não falo do amor na sua forma tradicional, já conhecida e banalizada sem perceber, nem se dar conta. Aquele amor que as pessoas buscam freneticamente sem nem mesmo desejar, mas por convenção. Falo daquele amor incondicional, que você nem sabe que é amor. Acha que é amizade. Mas que, na essência, é mais que amor. É aquilo que você tem absoluta certeza que sente, mas não tem noção de como explicar, traduzir, caracterizar. Sentir. Apenas vive.

Nada daquela pseudo-promessa, daquelas palavras prontas e histórias que já se sabe o fim. Aqueles olhares previsíveis, conversas ensaiadas e nervosismo forçado. Eu falo do que não se consegue enxergar, desenhar. Que vai crescendo, amadurecendo e ficando mais prazeroso e não o contrário. Daquilo que nem sei se é sentimento ou se é calor. Só se sabe que está ali. Se é seu ou nosso, keine Ahnung sei lá. Mas certamente é vital. E fatal. De você não ter medo de perder porque não é do outro; é seu. Tá dentro, fincado. Precisa de muito pra sair dali. E cabe sempre mais. Diferentes propostas. Um embaçado saudável, que você nunca vai conseguir visualizar em forma definida; só se sente o cheiro e a textura.

Aquele gelinho na barriga daquele amor lá que a gente já ta cansado de sentir se transforma numa sensação de malemolência no corpo inteiro, que nos faz tremer de tanta alegria e realização quando sente a proximidade e a sintonia com o outro; com a outra. Porque esse amor é grande demais pra se dar a uma pessoa só. E para se exigir exclusividade. Ele se reflete em vários ângulos e você não consegue concentrar em uma só direção; ele escapa. Ele ultrapassa quilômetros e anos. Ele sobrevive sempre que há verdade.

Eu me permito não compreender a profundidade da amizade. Mas não suportaria viver (e nem acho que valeria a pena) se um dia não sentisse isso por mais ninguém.

Por May

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  1. Eu amo como você pode me surpreender. Eu amo o fato de vc escrever o que eu penso. Eu amo a possibilidade de dizer que amo mil vezes sem o menor receio de ser profano.

  2. Lindo, May. Continue amando e, por favor, continue escrevendo sobre o que ama. É sempre bom pegar emprestado um pouquinho deste calor e poder chamar um pedacinho desse amor de nosso… Obriguê… Beijocas

  3. :)

    é tipo o vento. ninguém vê, mas sabe que tá sempre ali. e o mesmo vento passa por tantos lugares, percorre o mundo, conhece tantas pessoas e lugares…o mesmo que passa derrubando tudo, destroi nosso telhado, nos deixa bem desprotegidas pra depois voltar como brisa de novo fazendo carinho no nosso ouvido…

    e tudo isso sem deixar de ser ele mesmo, só o vento….rs

    e quando não o sentimos por perto…que falta que faz! não dá mesmo pra viver sem isso.

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