Jogo duro

Padrão

Não deu pra resistir. A Copa começou e eu achei que não daria a menor (peço desculpas antecipadamente pelo que vocês lerão a seguir) jabulani  pelota pra ela.

Tirando as participações apaixonantes do Thiago Leifert (para quem minha mãe disse que enviará uma carta – sim, uma carta, não um e-mail – com uma foto minha e uma descrição de minha personalidade pra ver se ele cai pra dentro), eu tinha certeza de que esta Copa seria nula na minha história. Não saí pedindo trocados aos vizinhos para comprar cal para pintar a rua nem ajudei os coleguinhas mais altos a pendurar as bandeirinhas nos postes. Não. Este ano foi diferente. Assisti ao primeiro jogo do Brasil em um bar, a convite da Rafitcha.

A aventura começou no traslado escritório-bar. Cena de cinema e, diga-se de passagem, apocalíptica. Era um anúncio do que seria minha experiência de quase-morte. Carros fechando cruzamentos, motos enlouquecidas buzinando sem parar, os mesmos carros morrendo pelo (des)controle de pezinhos ansiosos; e eu e uma companheira de aventura, que quero cada vez mais por perto, assistindo a tudo caminhando, enquanto nos atualizávamos das peripécias do fim de semana.

Chegamos ao bar com quase 20 minutos de jogo já corridos. Lugar lotado. Pessoas bonitas, outras nem tanto. Entre todas, uma chamou mais a atenção. Não era a mais bonita nem a mais feia. Era simplesmente a mais inadequada. Faixa etária acima da média (I mean, muito acima), shortinho jeans mais curto que tempo de fósforo queimando, meia-calça preta transparente, blusinha decotada e litros de álcool correndo em suas veias. Nada disso chamava mais minha atenção do que seu tom de voz. Torceu muito, bebeu na mesma intensidade e, claro, no fim do jogo, engrossou a fila do banheiro.

Posicionou-se atrás de mim e gritou: “Idoso tem preferência aqui?!?!?!”. Cri-cri. Ninguém respondeu. Em caps lock, reforçou a pergunta: “Idoso tem preferência aqui?!?!?! Precisa mostrar identidade, é?!”. Não resisti. Espirituosa Sem noção desse jeito, eu tinha que interagir. Na melhor (juro) das intenções, eu disse: ”Aaaaahh… até parece! Se você mostrar, ninguém vai acreditar!”. Foi aí que senti meu corpo balançar. A mulher colocou as mãos no meu pescoço, me chacoalhou e me olhou por dois segundos. Parece que um deles a ajudou a resgatar o que lhe restava de sobriedade, e ela disse: “… AH! TÁ. UFA. ACHEI QUE VOCE ESTIVESSE ME CHAMANDO DE VELHA!”. Ufa digo eu! Eu sobrevivi! “Não, minha senhora. Pelo contrário. Estou tentando ajudar você a se sentir melhor consigo mesma e evitar estar em um lugar onde você sabe que se sentirá velha. Não por ser velha, mas por querer parecer ser algo que não é.” Calma. Isso foi o que eu concluí depois de refletir muito sobre quão estúpida fui ao fazer uma piada sobre autoestima feminina com a respectiva dona em estado ébrio. Qualquer coisa que eu falasse ali manifestaria a fúria da mulher. Talvez até o silêncio tivesse esse efeito sobre ela. Na real, só o que consegui dizer foi: “Nããão. Foi o contrário! Eu to tentando dizer o contrário”. Ela sorriu (mais um segundo de sobriedade). E depois gargalhou, voltando a esbugalhar os olhos e a mexer no cabelo em câmera lenta. Estávamos salvas e havíamos voltado para o estado anterior a essa intervenção idiota que eu fiz.

Hoje, certamente, ela não se lembra mais de nada disso, diferente da pessoa que lhes escreve, que nunca, nunca mais arriscará a vida por uma piadinha, sequer por um elogio. Tá bom, vai. Quem sabe eu faça isso, mesmo sem querer, quando encontrar o Thiago. Agarrar o pescoço dele é que eu terei que me segurar pra não fazer.

Por Má-Má.

»

  1. huahuahauhauahuahuahuahua!
    Morri!! E como vc não me contou na hora sobre a tal figura?

    Vamos combinar que pessoas com essas características (micro shorts, meia-calça, salto alto e etc) não faltam na Vila Mada em dia de jogos.

    Bora mudar o visual para o próximo jogo? Seria a nossa cara! rsrsrsrs

    Bjs!

    • até esqueci de falar do salto alto, mas nem precisei descrever. vc viu a figura completa. hahahaha

      nao falei pq ainda estava em estado de choque!!!! miedo. a Li viu tudo. eu teria uma testemunha se acontecesse algo mais serio comigo.

  2. Hahahhaha

    “Jogo duro” diz tudo!

    É, Má… a gente acha que as pessoas entendem nosso senso de humor, mas nem sempre isso acontece… Uma pena.

    E vou te dizer que essa Copa tem rendido muito mais do que eu tava esperando – que era o mesmo que você: nada. :)

    • hahahahaha
      não vamos entrar nesse mérito, vai.
      as opiniões aqui são sempre individuais e intransferíveis.
      e ainda bem que no quesito homens é sempre assim nesse grupo.
      hahahahaha
      escreve o que to dizendo. só falta a gente se conhecer.

  3. Gente,
    Desculpa aí, mas eu fui a ÚNICA a testemunhar a cena!
    Foi tão chocante que eu mal consegui me mexer pra salvar a Marina.
    A mulher chacoalhou nossa amiga com uma vontade que nunca vi igual. hahahahahahahaha Morro!
    E que preconceito é esse contra Thiago Leifert? Má, nunca pensei nisso, mas vcs formariam um belo casal. Fala pra sua mãe que se ela não mandar a carta eu mando!

  4. Você é maluca?
    Fazer piada com uma tiazinha (que quer pagar de gatenha), bebaça, na fila do banheiro e que tá sendo ignorada por todo mundo para não deixar ela furar a tal fila…? Acho que nem o Thiago Leifert e nem mesmo a tal voz da consciência dele te dariam razão… Hahahahaha…
    Sensacional…
    Beijoca

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s