Solita, sí

Padrão

Assim como existem coisas que se feitas sozinhas não têm a menor graça, algumas se potencializam para o bem quando se está só. Nos últimos tempos estive pensando muito nisso. As pessoas, no geral, estranham quando digo que gosto, de vez em quando, de almoçar sozinha, de ir ao cinema sozinha e de passar a tarde e talvez a noite de sábado sozinha em casa. Sem fazer nada. Conversando comigo mesma e com o silêncio (o maior possível que se possa conseguir em um apartamento perto da Av. Paulista).

Até que ponto tentamos nos enganar que estamos felizes na companhia de muita gente quando, naquele momento, na verdade, gostaríamos de estar sozinhos? Sem ter que ouvir coisas nas quais não estamos interessados, ter que sorrir quando preferimos a indiferença e ter que dizer nossa opinião quando não queremos expô-la nem a nós mesmos.

Agora, aqui, só pra mim, me diga se não é a melhor coisa do mundo estar sozinha quando se está bem consigo mesma? Não quero dizer que estar acompanhada não pode ser muito gostoso e compensador. Acredito que é até vital em muitos momentos da vida. Mesmo. Mas em algumas situações, ou dias, ou minutos, aquela pessoa ali do seu lado, pode ser sua melhor amiga, irmã ou mãe, ou algum desconhecido que se sente na obrigação de comentar o quão fresquinho está o dia hoje, é companhia totalmente dispensável e você sonha em não ter ninguém ali para que não haja nem um tantinho de atenção direcionada a você.

E o ‘estar sozinha’ é muito relativo. Aquela velha história de que quando se sente falta de alguém, não adianta você estar entre uma multidão, que se sentirá sozinho… Clichê e verdade. Isso vale para a outra perspectiva também. Quando se quer estar sozinha, não importa se literalmente está. Basta sentir-se só. Adoro passear na av. Paulista sozinha e ver aquele monte de gente, correndo, parando, falando, se trombando, surtando e sentir a felicidade de nada ser comigo.

Fiquei pensando como resumiria tudo isso que estou pensando sem correr o risco de não conseguir me expressar bem. Mas nem precisei me esforçar. Fizeram isso pra mim. Fecho com uma frase que não é minha. “Muito se fala na relação entre as pessoas, mas no fim das contas, o que mais importa, é a relação que mantemos com nós mesmos”.

Este texto es dedicado a un amigo, que le gustaría quedarse más tiempo solo. Le amo así.

 

Por May.

»

  1. eu sou suspeita pra falar disso tb…rs
    pro bem e pro mal, a gente é único, né!?
    e tb acho que uma pessoa que não se aguenta, não tem a menor chance de ser aguentada por outras…rs

  2. Adorei, Max!!!

    Ao mesmo tempo que é muito bom ter pessoas com as quais gostamos de estar, não tem pessoa da qual eu mais curto a companhia do que eu mesma! hahahaha

    Obviamente que isso não é sempre e que eu gosto muito de estar com muitas pessoas, mas tem hora que a gente quer estar solita, sí.

    :)

  3. Leitura atrasada, mas que texto lindo, May!
    Ontem estava justamente pensando em como a solidão pode ser triste, mas você me convenceu do contrário.
    ;-)

    Beijo,

    Line

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s