O quase.

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O quase pode mudar muita coisa. E hoje eu vou contar uma situação que seria quase engraçada se não fosse quase fatal.

Justo ontem, enquanto a frente fria ainda dava o ar geladinho de sua graça na cidade, parei em um farol com quatro dedos de vidro aberto. O suficiente pra oportunidade fazer um ladrão, que chegou me chamando de “Desgraça” e pediu meu celular. Desesperada, esperando que o vidro respondesse ao meu comando por puro reflexo, ao invés de o vidro subir, ele desceu com a força de quatro dedos (que ironia!) sujos do meliante. Bem exposta e totalmente sem raciocínio lógico, revirei o console do carro atrás do meu celular, que parecia ter se escondido de medo em algum buraco imaginário entre o painel e o câmbio. Até um real ele chegou a me pedir. E, bizarramente, me avisou quando o carro estava descendo porque, pelo nervosismo, tirei o pé do freio e já ia bater no carro da frente. Claro, sempre me chamando de “Desgraça”. O alerta exato foi: “Vai bater o carro, sua desgraça!”.  Os únicos objetos que encontrei foram dois óculos de grau (pelos quais ele não se interessou) e o controle remoto do rádio, que ele agarrou com bastante força quando eu disse: “É única coisa que eu tenho pra te dar”.

Aliás, o rádio ele também tentou arrancar de mim, de novo me chamando de “Desgraça”, mas chamando-o de “toca-fitas”. Tudo isso ao som de “Amado”, da Vanessa da Mata, que – muito chatamente – me faz lembrar do casal Mariana-Ximenes-e-Cassiano da novela “A Favorita”.

Pronto. Tá aí uma novela que não vou querer ver no “Vale a pena ver de novo”.

Foi uma tentativa de assalto quase engraçada. Uma reação totalmente impensada. E uma possibilidade bem grande de que o cara voltasse atrás de um dente meu quando percebesse que levou um controle remoto e não um celular (que, assim como o rádio, não funciona muito bem mas é o que tem pra hoje). Ah, quase não dá pra perceber a diferença entre um e outro, vai. Não até que o farol abrisse, claro.

Por Má-Má (que quase precisou fazer um B.O. de mais uma estripulia do seu malandro).

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  1. Já vi essa novela (do assalto, não a da Ximenes). Mas qdo dei meu celular ouvi um “não quero essa merda” e o ladrãozinho de não mais que 8 anos jogou meu celular de volta no carro. Só pq era velhinho, visor PB e lanterninha fail.

  2. Ta aí uma palavra que ou a gente ama ou odeia, nao?

    Nesse caso, amém pelo quase! Queremos vc sempre viva, Ma!!

    Mas um quase numa Copa do Mundo, Olimpíada, numa mudança de emprego ou até msm num relacionamento é mto do ruim. O quase vira um vice-campeonato, uma medalha de bronze, uma entrevista mal-sucedida, um caso… e só.

    E me recuso a falar da violência em SP que, infelizmente, é mais do mesmo… =/

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