Eu quero morrer um dia

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A última edição da revista Superinteressante trouxe como tema da matéria de capa, a imortalidade do ser humano. Desde que as pessoas pensam, isso foi um sonho. É claro que tudo que foi colocado ali me impressionou e me causou interesse, mas acho um pouco exagerado e obcecado demais esse sentimento que o homem tem de viver para sempre. Eu não estaria disposta a viver 300 anos. A não morrer de morte sofrida, sim. Mas acho que a vida tem um ciclo a seguir e se você começa a interferir demais nisso, acaba perdendo o que ela tem de melhor. Você passa a querer enganar os efeitos do envelhecimento natural, a driblar as consequências da idade e se esquece de viver a vida. No simples significado da palavra mesmo.

Na matéria, fala-se de várias maneiras de contribuir com a longevidade. Nanorrobôs que ficarão dentro do seu corpo limpando, consertando, refazendo tudo o que estiver de errado. Tem gente estudando a possibilidade de se fazer o download dos pensamentos das pessoas. Será um software com todas as habilidades da versão original do cérebro humano. Loucura?

Daí vem a parte de vivermos como manda os ensinamentos para uma vida saudável e longínqua. Respirar? Parece que é um ato vital, não? Não. Porque “o oxigênio é um dos mais potentes radicais livres – moléculas que circulam pelo nosso corpo com elétrons instáveis, prontos para roubar elétrons de outras moléculas. E quando os radicais livres conseguem realizar o roubo, as células ficam danificadas”. E se dá o envelhecimento. PAM! Você sabia que beber água faz mal à saúde? Sim, porque sua fórmula é facilmente afetada pelos radicais livres, que quebram a ligação de Hidrogênio com Oxigênio. Já tem maluco bebendo D²O, pra se livrar dos Hs.

Depois de ler 10 páginas sobre o assunto, não teve como: parei para pensar se sou a favor ou contra essa evolução. Não que isso vá fazer com que ela aconteça ou não, mas até agora, pelo que entendi, cada um terá o direito de escolha de se transformar ou não em máquinas. O mínimo, concordam? Eu acho que optaria por continuar humana. Ou talvez quisesse ser um pássaro. Ops, isso ainda não pode. Mas até quando?

Como seria o mundo com, como se espera para 2040, 1,3 bilhão de pessoas com mais de 65 anos? Fora os imortais que caminharão por aí com seus 250 anos? Serão mais idosos que crianças no mundo já em 2015. Haverá espaço para tanta gente? As pessoas manterão o respeito pelos limites? Ora, se eu vou poder reverter qualquer efeito negativo consequente de algum hábito, haverá um aumento – creio eu – de pessoas que usam drogas, fumam, são obesas e vivem em um ritmo alucinado de estresse. Não haverá nada realmente prejudicial à saúde. Estaremos acima do bem e do mal. Porque, afinal, não seremos mais gente. Será que não estamos dando um tiro no pé?

Não será o fim da humanidade? E quando todas as pessoas que sobrarem forem robôs e um dia der um curto-circuito/pane no sistema? Qual pessoa de verdade vai socorrer? Será o fim. Oh! Além disso, nem quero pensar na polêmica espiritual e religiosa que vai ser. Se não morreremos mais, não acreditaremos mais em salvação divina, em vida após a morte e em ser uma boa pessoa para não acabar no inferno depois. Ninguém mais viverá a experiência da morte? Tudo bem eu querer morrer um dia pra ver como é?

Todas as fontes dessas ideias malucas estão na matéria da Super, devidamente citadas. (Edição 275 – Fev/2010)

Para saber mais e acompanhar as discussões que a Super propõe, siga a revista no twitter: @revistasuper

Por May.

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  1. May, compartilho da sua opinião.

    Não acredito que o ser humano tenha capacidade física de viver mais de 120 anos. Vivemos num ciclo perfeito e já estamos sofrendo com as mudanças que fizemos para um pseudobenefício. Não existe nada mais natural que a morte. Que ela não chegue com sofrimento, mas que venha a passos curtos. rs

    beijinhos

  2. Pai de luz! Vou junto, May! To sussa de viver tanto tempo.

    Pensa no quanto as coisas perderiam a graça.
    Se, na vida adulta, a gente já perde o encanto com muitas coisas, imagina depois de 296 anos? Nada mais tem a mesma graça… rs

  3. Tudo loucura. As pessoas gastam mais tempo pensando em viver pra sempre do que vivendo de verdade. Na verdade, acho que tá tudo errado ultimamente. Ninguém aproveita mais nada, isso me dá medo e eu não quero ser assim! Super concordo contigo e também quero morrer um dia, depois de ter vivido como um ser humano normal!

  4. acredita que eu ainda não li a Super!?!?
    ela tá sempre comigo, mas essa edição ainda não foi devorada…rs

    miieeeeeedo, chica. miedo master!
    acho bem bizarra essa neura pela imortalidade…viver bem, ok. eu quero mais é viver bem mesmo, mas não pra durar pra sempre…

    só espero que, quando formos dessa, que seja pra uma melhor!!! rs

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