Eu gostava de verdade

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Conversando com uma amiga sobre amores da infância e adolescência, começamos a ficar um pouco assustadas com as novas gerações. Até parece uma senhora de 70 anos falando, né. Mas acho que a rapidez com que as coisas mudaram justifica uns 50 anos, sim. Quando eu tinha meus 13/14 anos, eu gostava de um garoto. Queria ‘namorar’ ele, ficar junto, casar, ter filhos, mas tudo isso assim na forma mais simplória. Explico: não pensava em morar junto, em transar, em dividir contas, em conviver com a família dele e ele com a minha. Afinal, meu maior medo era ele descobrir que eu gostava dele. Simples assim. Bonitinho assim. Necessário assim pra hoje eu ser quem eu sou e encarar as relações como encaro.

A gente brincava de passar palitinho de dente e quando só tava o toquinho, encostava os lábios e o coração saía pela boca. Era essa a graça da coisa. A adrenalina era grande e fazia passarmos a noite em claro lembrando do milésimo de segundo em que nos ‘beijamos’. Recebia e escrevia cartas de amor e papel de bala com recadinhos de paquera. Divagava em anotações no diário sobre o dia em que, finalmente, assumíssemos nosso namoro. E conversava com as amigas sobre quem gosta de quem e de quem você acha que ele gosta.

Hoje em dia vejo meninas muito novas, com menos de 13 anos até, enchendo a cara, caindo de bêbada e vomitando no banheiro da balada depois de beijar quatro caras diferentes e ir pra cama com um que ela mal conhece. Expor e oferecer o corpo sem mais nem menos. Sem quebrar expectativas ou construir outras. Sem saber direito, na verdade, o que está fazendo, o que significa e a importância que tem. É um desenho sem fundo, sem personagens, sem textura, sem cor. São só linhas pretas contornando algo sem sentido.

Sim, acredito que a educação ainda é fator fundamental na construção da personalidade das pessoas e no amadurecimento das crianças, mas é fato que as coisas mudaram. Não vejo mais o romantismo entre adolescentes. É tudo mais fácil. Mais rápido. Mais prático. Não tem gostar. Tem estar a fim. Não tem papel de bala, recadinhos durante a aula, nem cartas com poesias mal escritas. Tem twittada, SMS e scrap. Não tem conquistar, se envergonhar, sonhar e passar o ginásio inteiro gostando de um mesmo menino. Tem ‘ele quer’ ou ‘ele não quer’. Se não quer, tem quem queira.

Não julgo aqui se essa ‘mudança’ foi pra melhor ou pior. E nem paro pra pensar como será o desenrolar dessa ‘evolução’. Só dou graças a Deus que fui adolescente naquela época e pude viver toda a fantasia de gostar de alguém e ser feliz assim, só com isso. Não esperava que ele fosse bom de cama, que tivesse um corpo malhado e bronzeado, que viesse me pegar de carro e que me ligasse no dia seguinte. Só o que eu esperava era que ele fosse pra escola naquele dia… e ele sempre ia.

Por May

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  1. Cara…
    Não sei quantas daquelas balas icekiss tive de comprar para escolher os papéizinhos com frases bonitinhas e entregar para a garota que eu jurava ser o amor da minha vida…hahahaha
    E isso na terceira série do primário hahahaha…

  2. genial!! sim, bons tempos…
    não brinquei de palitinho!!!! mas odiava brincar de jogo da verdade…pq se me perguntassem se eu gostava de fulano, eu TERIA que confessar. pensa numa inocência de sequer mentir e dizer que não….hahahahaha
    ai, ai…

    mas ó…acho que a nossa geração reflexiva sobrevive, max. sério…bella e edward estão aí pra isso (to super por dentro desse hit teen!!). e, convenhamos, uma parcela dessa adolescência continua bem viva em nossa porção quase adulta, vai. :)
    pelo menos na minha. pronto, falei! hahaha

  3. Pensei nas crianças de hj bêbadas aos 13 anos… (nossa conversa de almoço no domingo, lembra?).
    E sem dúvida, a educação é fundamental! Prova concreta disso é a ‘última’ de nós três! hahahaha
    Gostei mto do seu texto de hj Má! Lembrei de tantas tardes que a gte ficava conversando disso em casa, com ou sem as amigas… os bilhetes de ‘simpatia’ que a gte fazia e colocava num copo debaixo da cama durante a noite, as montagens com fotos horrorosas – sempre dentro de um coração – coladas na cabeceira da cama… o medo de ligar, de ouvir a voz masculina no telefone… qta história! qtas lembranças!

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