Uns hermanos bem diferentes…

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Acabo de voltar depois de 15 dias de férias, 10 deles passados na Argentina. Além de uma Buenos Aires charmosíssima, vi paisagens (em El Calafate e Ushuaia, ambas já na Patagônia) que nunca pensei que essas lentes e olhinhos míopes que a terra há de comer veriam.

Sobre a viagem, tenho muito o que postar! Mas hoje quero compartilhar algo além da Cordilheira dos Andes, presente em aproximadamente 80% das nossas fotos: as pessoas que fazem meus passeios serem especiais.

Sou fascinada por gente de países diferentes do meu. Gosto de ver a cor dos seus passaportes e tentar adivinhar, pelo idioma, pela roupa, pelo que as faz rir, de onde são. Na Argentina, aprendi com uma finlandesa adolescente como se diz “tchau” em finlandês! Em ortografia livremente imaginada por mim, seria algo como “Môi-Môi”. Com M em letra maiúscula mesmo, porque tem que reforçar bem o som anasalado dele.

Além dela, mais onipresente que a Cordilheira, estava uma família de indianos, que nos acompanhou – involuntariamente – durante toda nossa estadia em El Calafate. Por mais que Glória Perez tenda para a caricatura, há traços culturais que não se pode ignorar. A família era rica, grande, barulhenta e estava claro que o casal de senhores era o pai e a mãe dos três homens, acompanhados pelas respectivas esposas e crianças. As mulheres pareciam recém-saídas de um comercial de shampoo, com seus cabelos pretos e brilhantes. As crianças eram duas meninas de uns quatro ou cinco anos que nunca usavam luvas e um bebê – ah, o bebê! – que estava sempre enrolado em um cobertor bem justinho.

Em alguns momentos, a mãe sentou com o bebê do meu lado no avião (Tudo começou aí. Eles não paravam de trocar de lugares durante o vôo, então pude dividir o encosto de braço com quase todos). Ele devia ter uns dois meses, no máximo, e já tinha bigode. Juro! Os cílios eram imensos também. Olhei-o por cima, como alguém que lê o jornal alheio no metrô. Não vi a ponta do nariz dele, mas vi os cílios que saltavam do seu rosto peludinho. Ele tinha a pele bem morena e nunca abria o olho. Ali, todo enrolado no cobertor bege, com aquele semblante impassível de qualquer movimento, eu vi um amendoim. Ele é o nosso bebê amendoim.

Ele estava conosco no parque nacional dos glaciares (glaciar é um monte de neve acumulada que forma um paredão, como uma geleira, só que no pé da montanha) em Calafate. Continuou de olho fechado, mas saiu em todas as fotos que o fotógrafo oficial tirou da família, que se revezava no melhor canto da embarcação. Coisa de turista rico!

Ele também estava no dia seguinte, quando navegamos em um catamarã entre os témpanos (ou icebergs). O bebé maní (versão do apelido em espanhol) apresentava versões diferentes do seu cobertor, mas eu só via um grande amendoim, ora coberto de uma crosta de açúcar, ora de chocolate, ora de glacê azul. Em algum momento do passeio, minha irmã desceu ao primeiro piso do catamarã para ir ao banheiro. A porta estava trancada. Ela esperou uns 15 minutos, insistindo em mexer na fechadura para botar pressão. Até que – adivinhem – saem a mãe e o bebê amendoim! Claro que se sentiu culpada. Quem somos nós para incomodar a troca de casca do bebê amendoim?!

Já no último dia em El Calafate, estávamos tranquilamente jantando no último restaurante da cidade, afastado do burburinho da única rua com duas vias. Aos poucos, mais pessoas chegavam ao restaurante e um montinho de pessoas se aglomerou na salinha de espera. Eu estava pensando no bebé maní, se eu o veria novamente antes de partimos para o fim o mundo. Eu e minha família ríamos só de lembrar do petisco em forma de criança.

Minha irmã estava na frente e, ao passar pela salinha, olhou pra trás, parecendo que ia explodir de tão roxa. Só conseguiu dizer: “Marina, você não vai acreditar.”. E saiu correndo pra fora do restaurante. Quando olhei, lá estava o minduca, com mais uma versão de cobertura. Foi a última vez que eu o vi. É impressionante como alguém que não fala, não se mexe, e sequer abre o olho, tenha uma presença de espírito tão forte.

Não consegui tirar foto do bebê amendoim. Não arrisco dizer que é a mesma coisa, mas, para você sentir o gostinho (dispensando os trocadilhos), ele é mais ou menos assim:

.hare baba, bebê amendoim!.

.hare baba, bebê amendoim!.

 

Por Má-Má.

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  1. Irmãdi, acho que deveriam fazer um busto do bb amendoim em El Calafate. “Visitante ilustrante”. O texto fez sim jus baby minduca. bj

  2. auihaiuhauihauihsiuahnuiahsoiuashnjkansdiausdhaiusdh

    peanut baby????????????

    Absolutamente genial a foto!
    nunca uma imagem completou tão bem um post.
    ou será que é pq nenhuma imagem tem a presença de espírito tão forte quanto o bebê amendoim (ainda que em sua representação)?

    Adorei!

    Fotógrafo oficial? quero um desses pra viajar comigo tbm! vamos contratar um pra nossa super viagem de Corpus Christi? =]

  3. Adorei o post! Que delícia (tbm dispensando os trocadilhos haha), viajar nas palavras e imaginar o bebê… ainda bem que não tem foto, assim a gente cria ele na cabeça como preferir! :)

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