Familiaridade

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É engraçado me acostumei a certos elementos do dia-a-dia que, com o tempo, passaram a fazer tão parte da minha vida quanto as sardas no meu nariz, aquele pelinho rebelde da sobrancelha esquerda que insiste em ressurgir das cinzas (e bem fora do desenho original dela) ou até daquela camiseta roxa que agora virou pijama, mas nunca perdeu a cor original. Pois semana passada parei para relembrar alguns desses elementos, quando fui a uma farmácia comprar quaisquer itens que pudessem cessar minha tosse e uma rouquidão que (mesmo que charmosa) denunciava minha baixa resistência (entenda: cansaço).

 

Entrei, procurei um daqueles espirrinhos de própolis (cujo cheiro me lembra o produto que uma esteticista usava para fazer limpeza de pele e, portanto, não me traz boas memórias) e não achei. Perguntei no caixa e vi uma infinidade de variações de balas, chicletes e pastilhas que pudessem me ajudar.

 

Foi aí que duas imagens praticamente curaram minha garganta cansada: o chiclete Valda e a pastilha Melagrião. Uau! Como consumi isso na minha infância. Que Bubaloo de tutti-frutti, que nada! Eu gostava mesmo era do chiclete Valda. Eu me sentia adulta e a sensação de frescor bucal durava horas! Na seqüência, bebia uma água gelada e sentia todas as vias aéreas queimando (que ironia) tamanha a sensação de congelamento. Minha mãe não gostava nada da idéia, mas frequentemente, eu e minha irmã ganhávamos de “brinde” nas farmácias. A gente era tão bonitinha… acho que não dava pra resistir aos olhinhos ansiosos pelo Valda.

 

Por isso, não tive dúvidas. Comprei o Valda e o Melagrião, que não sobreviveram um dia na minha mesa do trabalho. Ai, que gostinho de infância. E que voz de veludo (que durou apenas alguns minutos, confesso)!

 

.te conheço.

.te conheço.

Foi então que pensei em como certas coisas nos marcam e, ao mesmo tempo em que ficam guardadas em nossa memória como algo distante, estão tão presentes no dia-a-dia. E lembrei da mulher em preto e branco do guarda-chuva. Você sabe do que estou falando. Aquela que foi febre nos anos 90 (ou antes!?). Ninguém sabe de onde veio nem pra onde foi, mas, depois de uma rápida busca na Internet, eis nesse post o paradeiro de um exemplar legítimo do guarda-chuva. Achei a foto em um blog de Portugal! É sucesso internacional, minha gente! Nunca tive coragem de comprar um por causa do tamanho dele (talvez fosse mais bem sucedida do que essa experiência), mas me diga quem nunca trombou com um desses por aí? E quem nunca parou pra pensar como seria essa mulher? Eu faço mil julgamentos dela. E acho que ela é legal!

 

 

O mesmo para a Gina, da caixinha de palitos de dente Gina. Antes era uma foto. E eu achava que era “real time”. Mas o tempo foi passando e ela virou uma ilustração, com cores um pouco artificiais e um toque sépia. Eu envelheci e ela não! Fiquei assustada. Perguntei até pra minha mãe se a Gina existia. Ela disse que achava que sim, mas que já deveria ter morrido pois, na sua infância, a Gina já tinha aquela idade. Cara, que desilusão. Que susto. Que triste! Que grande sacada de Marketing! Mas… do que será que a Gina morreu!?

 

Gosto da familiaridade, do reconhecimento, da certeza ou da especulação bem embasada que indica que aquele chiclete vai refrescar minha garganta, que o melagrião continua docinho, que a mulher em preto e branco não envelheceu mesmo depois de muita chuva ácida e que a Gina não é um fantasma amaldiçoado pela imortalidade. Gosto também de novas referências, familiares a outras pessoas. Descreva aí as suas! 

 

Por Má-Má.

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