O primeiro mic(r)o do ano

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Eu adoro miudezas. Deve ser porque elas tornam o mundo um pouco menos assustador do alto (ou baixo) do meu 1,50m. E poucos lugares oferecem uma sorte tão variada de miudezas quanto a Liberdade, o tradicional bairro que reúne a maior colônia japonesa do mundo (fora do Japão, claro).

 

Sempre que vou pra lá, volto com um mimo. Uma fivelinha, um brinquinho, uma bolsinha, um docinho, tudo inho mesmo. O dinheirinho diminui na mesma proporção, mas eu não resisto. Na última incursão aos boxes apertadinhos das galerias do bairro, finalmente tomei coragem de realizar um sonho de consumo: comprar o menor guarda-chuvinha que já vi na minha vida. Em comparação aos exemplares sem charme e totalmente descartáveis vendidos nos camelôs, a brincadeira poderia ser cara. Seriam R$15,00 investidos em um amontoadinho de lona e varetas de alumínio com pouco mais de 16cm. Sim, 16cm. Poderia caber em um estojo! E eu tenho bolsinhas de tamanho de estojos. J

 

Pois eu comprei o guarda-chuvinha. E ele é laranja, da cor exata de um colete salva-vidas. Coloquei-o na bolsa (coisa que eu odeio fazer com os do camelô) e esperei ansiosamente até um dia que chovesse para eu estreá-lo. Como eu sabia que, se eu o abrisse, não conseguiria dobrá-lo tão perfeitamente quanto os orientais que os produziram, preferi mantê-lo na capinha delicada, que fechava com um botãozinho prateado. Era meu mais novo “my precious”.

 

Pois o grande dia chegou. Foi quarta-feira passada, quando eu teria condições de escrever meu primeiro post. Pontualmente às 17h, quando eu saio do trabalho para não perder o fretado, vi pela janela que começou a chover (uma tempestade, na verdade). Abri um sorriso incompreensível e minha colega de trabalho chegou a me dizer “Legal, Má! Finalmente você vai usar seu guarda-chuvinha”. Afinal, eu os apresentei logo na segunda-feira, quando ele fez o primeiro passeio na minha bolsa. Coincidentemente, eu estava usando uma blusa laranja da mesma cor que ele, e meu diretor, já indo embora, parou e disse: “Olha só! Ela combina a roupa com o guarda-chuvinha!”. A comoção era geral.

 

Saí e parei estrategicamente na recepção para abri-lo. Peguei aquela coisinha na mão e – VUSH!.

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Cadê o resto do guarda-chuva!? Ele mal cobria meus ombros. Um coleguinha olhou e soltou uma risadinha abafada. Eu pedi respeito e apenas disse: “Tomara que ele agüente”. Saí e, mais alguns metros adiante, enfrentei a catraca para passar o crachá, bem em frente à guarita onde ficam os porteiros. Ao cruzar a catraca, só ouvi: “Olha o guarda-chuvinha dela!”. Eu já estava na rua; e meu corpo todo balançava de um lado pro outro. O danado não me protegia muito da chuva, mas seguia as ordens do evento que era uma beleza! Trombei com um pipoqueiro e o senhorzinho, embaixo do ponto de táxi, só disse: “Vai se molhaaar, moça”. Preciso dizer que idéia eu tive para me livrar do guarda-chuvinha ali mesmo!?

 

Cheguei ao ponto de ônibus e em poucos minutos meu fretado passou. Entrei e só então senti o estrago. Minha calça estava encharcada até os joelhos. As pontas do meu cabelo pingavam.

 

Cheguei em casa molhada e um tanto decepcionada. Minha mãe olhou bem pro meu rímel borrado e falou: “Você não levou seu guarda-chuvinha?!”. “Levei, mamãe. Ele está amassadinho aqui na minha mão”.

 

.você confiaria seu corpinho a ele?. 

.você confiaria seu corpinho a ele?.

 

Não tem como não sorrir ao olhar pra ele, é fato. Mas nunca pensei que um sonho de consumo tão inocente pudesse se transformar em tamanha fonte de chacota. É bonitinho, mas ordinário. E eu quero compartilhá-lo com todos você aqui. Porque, sem dúvida, vocês nunca o verão em ação em dias de chuva. Talvez eu o leve para passear qualquer dia. Não pesa nada na bolsa e arranca alguns sorrisos de outros transeuntes. Vejam aí do lado com seus próprios olhinhos. 

 

 Por Má-Má.

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    sem mais.
    por favor, quero ouvir essa história pessoalmente no sábado.

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