Quando a gente tem que escolher…

Padrão

 

Que a vida é feita de escolhas a gente já sabe e todo mundo concorda, mas que nem sempre as opções disponíveis nos agradam e mesmo assim temos que realizá-las gera, no mínimo, uma boa conversa de bar (ou de aula de Espanhol).

 

 

No antepenúltimo dia de aula do curso intensivo de entretenimento (ops!) idioma que faço com mais 14 pessoas, foi esse o tema do início da unidade 5: a gente tem mesmo tanta opção na vida? Tudo começou com o primeiro exercício, que perguntava se éramos estressados, o que nos deixava estressados e como poderíamos alcançar o equilíbrio espiritual (nada de auto-ajuda, gente) e físico.

 

A resposta do executivo pressionado me impressionou. Ele veio de família pobre do interior e fez a vida em São Paulo. Hoje ele chega à meia idade e tem uma resolução: parar de trabalhar para curtir sua família e pássaros aos 60 anos. Até aí, ok. Eu também quero ter uma velhice tranqüila ouvindo o canto dos rouxinóis ao lado do meu bem (seja lá qual ele for) e pensando no trânsito que meus filhos pegarão até chegar ao nosso sítio enquanto eu já estou de pernas pro ar. Acontece que ele completou: “essa é a opção que fiz hoje. E eu não conseguiria ter a velhice que quero se não a tivesse escolhido”.

 

 

Peraí. Se eu quero ter a velhice X então hoje eu tenho que ser –X. Então a gente nem tem tanta opção assim. Fiquei preocupada porque, desde que me lembro de pensar na vida, é assim: tenho que fazer isso para conseguir aquilo. E o peso da expressão “ter que” faz meus ombros descerem uns bons centímetros (e doerem muito nas aulas de yoga) que me fazem muita falta no conjunto geral do meu corpo.

 

 

A professora (meia-espanhola/meia-brasileira. Parece sabor de pizza essa nacionalidade, não?), sensata, espirituosa e culturalmente globalizada, rebateu: “Mas…então não é uma escolha. Se você tem que ser assim hoje, é porque não tem a opção de não ser”. Tendo mais a concordar com o que ela disse (esclarecendo que sou uma assistente pressionada, um pouco sensata, bem espirituosa e culturalmente curiosa), mas não tiro a razão dele, afinal, ser um executivo pressionado também é uma opção.

 

 

O papo continuou e pouca gente conseguiu se expressar com destreza (ainda mais em espanhol). Eu fiquei pensando nisso… em como eu tinha que chegar logo em casa se quisesse ver o fim do capítulo da novela, em como eu tinha que fazer um jantarzinho leve se quisesse dormir sem uma bigorna na barriga, em como eu tinha que deixar tudo pronto pra poder dormir mais 10 minutinhos e mesmo assim não perder o fretado…

 

 

Enfim… voltei pra casa pensando em como temos que nos esforçarmos pra enxergarmos tantas possibilidades em situações que às vezes são becos sem saída. Prefiro pensar que elas existem e estão escondidinhas por aí até eu encontrá-las e correr pro PICS (nunca escrevi isso!) dizendo “1, 2,3 , POSSIBILIDADE!”… ou em como eu tenho que trocar meu óculos para enxergá-las com mais facilidade.

 

 

Livremente inspirado nesse antigo post da May e em 22 anos de muitas escolhas

 

Por Má-Má.

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  1. Mew! Isso é mto complexo, heim…
    E pode ser frustrante se vc focar na questão de que não temos tantas opções assim na vida… temos interesses… e para td vc tem que abrir mão de alguma coisa…
    Fiquei pensando……… hoje eu tenho que fazer as coisas mais rápidas pra conseguir sair mais cedo e chegar na hora no meu dentista. Se eu não fizer as coisas mais rápido, a opção sair mais cedo não existe. Tenso.
    Ah! Mas ouvi uma frase boa esses dias:
    “Um vento deve ser muito ruim para não trazer coisas boas a ninguém”
    Ok. Meio nda a ver com o post, mas quer dizer mais ou menos que sempre tem alguém que se beneficia com alguma coisa que acontece, mesmo essa sendo péssimo pra maioria. Nóssa. Nada a ver mesmo com o subject, but…… estamos aí para divagar juntas mesmo! hahaha Beijos!

  2. Assunto que dá pano pra manga esse, hein?

    Fazer concessões e TER que fazer uma coisa para conseguir ter aquilo que você quer não me parece uma coisa ruim. Na verdade, acho que o que mais a gente tem na vida são opções. E são tantas que às vezes a gente acaba não se abrindo para todas as possibilidades para não perigar enlouquecer e não escolher nada.

    Não sei se faz muito sentido pra vcs o que eu to falando, mas acredito que o grande barato da vida é poder escolher tudo. E que todas as nossas escolhas implicarão em concessões e benefícios em prol de alguma outra coisa. Mas aí é que está o segredo (não O Segredo, apenas … uma coisa a se observar): você é que vai decidir se vale a pena fazer tais concessões ou sacrifícios em prol das suas escolhas. Se não valer, escolha outra coisa. E assim caminha a humanidade (ou não).

    Fato é que pra todo bônus tem um ônus. Lei do equilíbrio universal, não?

    (Pega que se era pra viajar, entrei de cabeça, Max!!!)

    bjos

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