À classe média

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Recentemente, foi publicada uma pesquisa que comprovou o aumento da classe média no Brasil. Os números me assustam e os critérios que a definem – ainda que estatisticamente comprovados – continuam duvidosos.

Pois vejam: segundo a FGV, 32% dos trabalhadores das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife que estavam em situação de miséria em janeiro deste ano aumentaram de renda e subiram na escala social. A pesquisa classifica 52% da população dessas regiões como classe média, entendendo-se como tal as famílias com rendimento mensal de R$ 1.064 a R$ 4.591.

Ainda que não tenha opinião formada sobre muitas coisas, tenho a maior dificuldade para ser imparcial. E minha idéia com esse post não é discutir se a classe média não quer só comida, quer comida, diversão e arte (e quem consegue isso com uma renda familiar de R$ 1.064?!?!?! A arte fica por conta da mágica… e é mais fácil atribuir a sobrevivência ao milagre da multiplicação, não!?). Acima de qualquer discussão terrena sobre o assunto, compartilho o que faz de mim parte desses 52% da população das regiões metropolitanas das maiores capitais brasileiras.

Atire o primeiro brinde quem quiser se excluir dessa porcentagem. E traga um pratinho de doce ou salgado quem se identificar com as seguintes situações:

– Sempre que vou a eventos (de entretenimento ou corporativos), espero ganhar brindes. A expectativa vai do lápis à pen-drive bacana.

– AMO coffe-breaks e cafés-da-manhã de hotéis. Não há croissant da Vila Zelina que se equipare.

– Em compensação, não conheço bairro com mais opções de padarias e rotisseries tão caseiramente saborosas quanto o tradicional reduto lituano que habito ou a Mooca querida. O milho no pratinho do Cambuci também me surpreendeu.

– Adoro confraternizações em que cada convidado se encarrega de levar um prato de doce ou salgado. O mais legal é conhecer as habilidades culinárias alheias (que se estendem às respectivas mães ou padarias e rotisseries mais próximas, citadas acima) e sair com uma bandejinha diversificada, coberta por magipack.

– Percorro de fretado metade da cidade no trajeto casa-trabalho por falta de recursos (financeiros e psicológicos) de bancar o carro, que fica na garagem descoberta da casa abandonada colada na minha. É neste ambiente que conheço outras histórias da classe média, como o temível Boneco de Neve detentor da pasta de couro sintético mais amigável do universo dos materiais artificiais.

– Se morasse em apartamento, certeza que participaria de reuniões de condomínio. Só pra dar opinião na cor da poltrona do hall que nunca foi usada e na planta artificial que ocupa o vaso ali no canto.

– Vou a restaurantes por quilo e, se escolho salada, é só palmito! Imagina… pelo mesmo preço do tomate! Tem que aproveitar!

– Se o restaurante é rodízio, traga logo o salmão em todas as apresentações. Nada de pepino agridoce pra mim.

– Fico tão ansiosa pelas férias que virão (e igualmente preocupada com o orçamento disponível para aproveitá-las como gostaria) que até a senha para acessar o computador no trabalho carrega o destino e o ano em que acredito que conseguirei visitá-lo.

– Os gastos previstos em lugares desconhecidos (principalmente aniversários em baladas) são automaticamente convertidos em número de Happy Hours que poderia realizar ao longo da semana, quase sempre equivalentes a R$15,00/cada (decorrentes da calabresa acebolada coletiva pessoas e dois chopps)

– Guardo inúmeras sacolas de papelão de lojas de roupas. Nunca sei quando precisarei de uma para levar aquele sapato pra trocar o saltinho que já caiu de novo!

– Tenho amigos igualmente classe-médios para fazer passeios baratinhos e geniais, como uma visita ao zôo ou uma voltinha pela Benedito Calixto, só pra ver as (velhas) novidades do circuito alternativo comercial paulistano.

Pronto. Fiz minhas confissões de classe média. Diga-me você agora a média dos seus hábitos com mais classe! Ops! A média da sua classe de hábitos! Ou a classe dos seus hábitos médios… hum… o conceito continua confuso!

Bem…fique à vontade! E depois volte aqui pra eu embrulhar um pedaço de bolo pra sua mãe! Aposto que ela vai adorar essa carne louca também… e o salpicão de frango, então…

Por Má-Má.

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  1. hahaha
    Compartilho de todas seus hábitos de classe média, Mamá! Todos mesmo.

    Mas adiciono um:
    Quando consegui estar em condições de morar sozinha, a primeira coisa que fiz foi realizar um open-house seguido de um chá-de-cozinha de solteirona! rsrsrs para ganhar utensílios que, se comprados juntos, estouraria minhas economias mensais… e ah! no final, é claro, embrulhei com papel-toalha e fita adesiva transparente pedaços (igualmente divididos) de pão de calabresa da padaria da Mooca para as últimas amigas a irem embora! Pq lógico que os quitutes ficaram por conta dos pratos salgados ou doces que cada um trouxe.

    Vale ressaltar que até hoje ainda há necessidades não-preenchidas de coisas no meu apartamento, habitado por mim desde março……… esperarei ganhar… como já prometeu papai no caso da cortina e mamãe referente ao móvelzinho para o microondas, que continua apoiado em sua própria caixa de papelão.

    Classe Média, here we go! =) And so happy we are…

  2. Genial, Ma!!!

    Sim, os aniversários em baladas sempre quebram as pernas… por isso que fica aqui o conselho: se vc aniversariante classe média quer que (qse) todos os seus amigos compareçam à sua comemoração, preze pelo baixo custo do passeio. Caso contrário, corre o risco de aparecer só os abastados!!

    Ah, gente, sabem uma coisa que é super classe média?? Dividir quarto com irmã/o! E ai se vcs têm os horários diferentes! É um tal de pegar peça errada de roupa pra nao acender a luz pela manhã na cara do companheiro de quarto, de bater o dedinho do pé na quina da cama pq nao enxergou o caminho ou até de separar a vestimenta do dia seguinte na noite anterior…

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