Muita emoção vence o saco um pouco cheio

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Nessa época de Olimpíadas, dois sentimentos me confundem a cabeça e o coração. É verdade que os jogos nem bem começaram e eu não agüento mais ligar a TV e ouvir apenas notícias sem vergonhas sobre Pequim, suas baladas noturnas e seus costumes já bem conhecidos pelo Ocidente, quando as novidades sobre as Olimpíadas em si já foram dixavadas, assim como, ao abrir o jornal ou as páginas principais dos portais de notícias, posso adivinhar quais serão as manchetes. Mas, ao mesmo tempo, ontem, vendo as meninas da ginástica olímpica dando aqueles saltos, piruetas e paradas de mão com tanta força e delicadeza, quase chorei. Então, o placar final, posso afirmar que foi 1X0 para a parte boa dessa enxurrada de esporte que está só começando.

 

Não sei se é porque aqui no Brasil o esporte não é fortemente incentivado e, fora das Olimpíadas, o futebol parece ser o único esporte brasileiro de qualidade, que os únicos atletas que são absurdamente reconhecidos são os jogadores de futebol. Sempre gostei muito de volley e, assim como a Carol, acompanho a seleção brasileira há um bom tempo. Mas é fato: só lembram deles quando trazem uma medalha dourada para a nossa pátria. Não temos noção de quantos atletas treinam em situações precárias durante o ano todo, sem apoio nenhum, com conforto zero e respaldo inexistente, para, quando as Olimpíadas chegarem, representarem o país que os deixam esquecidos durante os outros – passados ou próximos – 4 anos.

 

Acho que pelo mesmo motivo é que todos nós adoramos as Olimpíadas, pois a atenção despendida com o trânsito, a violência, a pobreza e a educação precária volta-se aos atletas, às maravilhas da cidade de Pequim e à cultura fantástica da China, grande país! Né não? E os nossos atletas? Quanto orgulho! Mas ai de Daiane dos Santos não trazer a medalha de ouro no solo. Ai do Thiago Pereira não bater Michel Phelps em número de medalhas! Ai ai ai… ai das seleções de volley – tanto feminina quanto masculina – não serem as campeãs! E imagine você, que decepção, se Jade Barbosa não crava a saída do salto? Nem preciso dizer que Ronaldinho Gaucho, Pato e cia devem fazer um belo trabalho representando o futebol brasileiro. Mas se não fizerem também, já são penta campeões da Copa do Mundo mesmo… não será tão grave assim.

 

Os brasileiros depositam as esperanças de um país melhor nesses atletas. Eu sou uma torcedora emocional. Quando vejo aquelas meninas de, em média, 17 anos, competindo com tamanha seriedade, responsabilidade e pressão, tendo que se equilibrar em uma barra de 10 centímetros de largura, acredito que o Brasil pode mais. E fico apertando as duas mãos, com o coração acelerado e a barriga gelada até a série acabar. E quando acaba, tenho vontade de aplaudir.

 

Mesmo achando que a imprensa brasileira exagera um pouco na transmissão das Olimpíadas, não pelo fato de nos manter atualizados sobre o maior evento esportivo do mundo, mas por confundir o interesse dos telespectadores. Fazer auê em torno da infelicidade do problema no joelho da Juliana, do volley de praia, que a tirou das competições; da escorregada do atleta de basquete que foi pego no exame antidoping por uso de maconha ou da bolha que rasgou a mão da ginasta Ana Cláudia durante e prova das barras assimétricas, o que, claramente, gerou mais espanto, dor e preocupação no bando de fotógrafos que juntou para captar imagens da menina do que nela própria ou em seu médico, aparentemente tranqüilos com o acontecido…. Esse tipo de insistência no ineditismo da matéria não me deixa satisfeita com o ‘ar’ desse jornalismo. Quero saber, sim, de tudo isso. Mas só saber e não rever, rever e rever.

 

Sou uma adoradora das Olimpíadas. De verdade. Senti muito que não pude ver a abertura – dizem que foi uma das mais belas, tecnológicas e impressionantes da história -, mas, para mim, a vida continua… e o trabalho também. Queria férias durante esse tempo de Olimpíadas, para poder prestigiar os atletas e me divertir, me emocionar e sentir um pouquinho do nervosismo das provas.

 

Eu torço mesmo!

Eu torço mesmo!

 Por May.

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  1. aaai, eu queria tanto ter visto a abertura!!!!
    confesso que – depois de ver algum atleta no pódium – é o que eu mais gosto de assistir!!!
    hahaha
    acho que o que mais me agrada é a ginástica tb…natação é bom pq é rápido tb…
    futebol, só pelo Pato, que é uma graça. :)
    hahahaha
    eu tb to cansada de ouvir que os chineses comem cachorro. e que gospem nos restaurantes e todo mundo acha ok!!!

  2. Ai, gente… a abertura dos Jogos foi linda linda!!! E olha que eu nunca dei bola pra nada disso, mas vou dizer… Foi realmente sensacional! Eu simplesmente amei a hora que o chinesinho lá acendeu a pira olímpica!!! Foi emocionante!

    Mas viu… judiação os horários dos jogos com a gente, não?? Brasil X Egito às 3h30 de um sábado para domingo? Parece piada… Coloquei o despertadorzinho pra tocar e td mais. Mas só consegui acordar pra ligar a TV e voltar a dormir… lamentável… a minha indisposição, não o jogo que foi 3X0! =]

    Delicious! =]

  3. May, sem querer fazer inveja… a abertura foi o espetáculo mais impressionante que eu já vi!! Concordo com você em tudo o que disse, adoro Olimpíadas também!! E sobre tirar férias, acredita que minha mãe é tão fissurada em esportes que sempre tira uns dias durante Copa do Mundo e Olimpíadas? :)
    Beijooo

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