Ah, se fosse o pão…

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Um amigo certa vez disse: “quarta-feira é o pior dos dias. É quando estamos mais longe de qualquer fim de semana!”. E nesta quarta-feira, em especial, não sei se agradeço pela metade da semana que já passou ou se choro pelo que a metade a vir me reserva. Medos de denunciar o quanto minha vida pode ser entediante à parte, vou retomar memórias do feriado.

 

Passei quatro dias em Visconde de Mauá com minha mãe, pai, irmã e namorado dela (a sina das viagens em casais + eu). Lá de cima, no mirante, Doug (o namorado da irmã e meu companheiro de extracorporativos) faz um comentário pertinente: “Cadê a cidade?”. No que meu pai responde: “Ali, às margens do rio. O lado esquerdo é Minas; o direito é Rio de Janeiro!”. Ah, tá. Consegui avistar o menor pedaço de terra que divide dois grandes estados.

 

Além das cachoeiras (as mais lindas que já vi. Um total de 14 em três dias), a mata nativa quase intocada, o melhor queijo quente do mundo, um delicioso creme de palmito e um arco-íris (algo que eu não via há anos!), um personagem chamou minha atenção: o padeiro maluco.

 

Pra quem acha que leva vida alternativa (desculpa, mas quem tem um blog ou freqüenta um, definitivamente, não é alternativo), aí vai um exemplo de vida. O cara anda pela cidade com roupa de chef, bandana estrelada, all star e barba guevariana guiando uma bicicleta cuja cesta na dianteira carrega bem uns 10 pães feitos de 80% de arroz torrado e os 20% restantes de semolina e farinha comum. Enquanto não está pedalando, amigavelmente aparece na varandinha superior do estabelecimento cujo andar de baixo abriga um estúdio fotográfico que, entre outras produções duvidosas, cria montagens de fotos de turistas interagindo com duendes e gnomos. (não me faça perguntas. Só vendo pra entender).

 

Ao adentrarmos o recinto, a (não tão inesperada) composição de cena: Chuck Berry em altíssimos decibéis, neblina em um ambiente fechado, o cheiro de arroz torrado, chutney de manga, pepino em conserva e, claro, toda a sorte de aromas das mais especiais ervas da montanha. Mais um comentário pertinente, dessa vez de mamãe: “Hummmm…que cheiro bom!”. A padeira maluca (eles andam sempre acompanhados?), recém-saída de um revival do Woodstock, esclarece: “É o pããããoooo…”. Yeah, right.

 

Solto um risinho ao cada vez que lembro da explicação. Faltou ela dizer que a neblina era da serra e que os duendes das fotos estiveram lá naquele dia! Só fui contar pra minha mãe que o cheiro bom na verdade vinha das ervas especiais (que, aliás, repousavam devidamente embaladas em papel fininho em cima do balcão) quando comecei a rir sozinha dentro do carro, já de volta pra São Paulo.

 

Me arrependi de não ter levado o chutney. Mas o pepino em conserva com o pão…eles me aguardam assim que publicar esse post. Isso se minha mãe não resolveu tirar a dúvida se os temperos especiais não fazem parte da receita e comeu tudo sozinha. Se me dão licença, vou checar se a densidade do ar da cozinha condiz com a média da nossa altitude por aqui.

 

Por Má-Má (a menina que, em mais um episódio da sitcom que protagoniza, ironicamente não pagou os impostos na quarta-feira passada. Não me faça perguntas. Só vendo pra entender).

 

.juro que o arco-íris está aí. e eu nem tinha conhecido o padeiro maluco ainda.

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  1. Somewhere over the rainbow
    Way up high
    And the dreams that you dreamed of
    Once in a lullaby….

    Aposto que essa viagem teria essa música de fundo se fosse em um filme – um filme meu pelo menos! hehehe

    Se bem que pode ser aquela do Tijuana, que poderia ter sido escrita lá em Visconde de Mauá:

    Gnomos não fumam cigarro, cigarro só verde e amarelo
    Gnomos ficam sossegados em baixo de seus cogumelos
    E a população dos gnomos exorbita-se a cada segundo
    Gnomos querem ajudar, vamos lá dominar os casmurros

    Mas aí é ser infame demais… =]

  2. Ô, coisa linda, não pagou os impostos??? rsrs

    Visconde é mto bom mesmo!!! A tia Clara ficou numa pousada que ficava bem na divisa de Rio com Minas… aí, a Cê foi tentar me contar isso e disse:
    Clau, a pousada fica na divisa de Mil com Rinas! Acho que ela tava chapada já… rsrsrs

    :p

    bjooo

  3. Estive em Visconde de Mauá no carnaval, e gostei muito de tudo por lá. Conheci um rapaz chamado Alan no vilarejo de Maromba, que saíra de São Paulo em dezembro de bicicleta e estava indo de povoado em povoado, fazendo pequenos trabalhos. Naquela ocasião, ele trabalhava como ajudante do padeiro (!) e me chamou muito a atenção as peculiaridades de sua “produção”. Na padaria, havia uma plaquinha dizendo: puxe a corda para chamar o padeiro. Você puxava a corda e tocava um sininho lá dentro, de onde vinha o padeiro de sunga e chapéu de chef. Achei o máximo!
    O melhor dessas viagens são as pessoas que conhecemos.
    Beijos

  4. MARI!!!É ESSE MESMO PADEIRO!!!
    ahuahauhauhauhaua
    juuuuuuuuuuuuuro!!! logo ali na vilinha de maringá!!!!
    huahauhauahua
    não é mais um sino! é um chocalho de berimbau!!!
    nossa, esse padeiro é um dos caras mais figuras que eu conheci…

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