Para quem avisa que a porta está aberta

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Sabe quando você está no carro – dirigindo ou não – e ouve aquele toquinho duplo e curto de buzina: “Bip-Bip”? Você olha pro lado e vê uma pessoa gesticulando e pronunciando qualquer coisa que você não entende, mas que o deixa com apenas duas opções: ou você fez uma cagada ou sua porta está aberta.

 

Aí você olha para o painel ou dá aquela mexidinha no trinco e percebe que, sim, sua porta estava aberta (a não ser que você realmente tenha feito uma cagada. Você saberá)! Fico preocupada. Como é que a gente não percebe isso sozinha?!

 

Enfim, você fecha a porta ainda sob o olhar vigilante do(a) colega simpático(a), responde com o toque duplo e curto e vocês seguem felizes – e mais seguros – os respectivos caminhos.

 

Eu sempre gostei de gente que avisa que a nossa porta está aberta. Às vezes me pego olhando para as alheias para ver se dou sorte de encontrar uma. Já obtive sucesso! Porque ali, em movimento e quatro buzinadas curtas e duplas depois, estabelece-se, em segundos, um mini-pacto de confiança com alguém que você provavelmente nunca verá de novo. E, nesses mesmos segundos, você percebe que ainda há esperança na humanidade, as pessoas são amigáveis e torcem para que as outras se dêem bem. Gente assim nunca é demais no mundo!

 

Confesso: talvez a satisfação de avisar que a porta está aberta seja maior do que a preocupação real em ajudar o próximo (ah, os humanos, tão e sempre imperfeitos), mas essa é mais uma das coisas que não existiria sem a outra, concordam? Isso não anula a nobreza do gesto.

 

Se um dia alguém aí me encontrar com a porta aberta, não hesite (por favor, não me pergunte qual a possibilidade de alguém que passou por aqui realmente cruzar comigo no trânsito, me encontrar com a porta aberta e, mais improvável ainda, me reconhecer. Gosto de acreditar que isso poderia acontecer).

 

Dê o seu toquinho curto e duplo e gesticule o máximo que puder; estou sempre de rádio ligado e bem alto. Ah! Desconsidere o toquinho em casos de cagada. Como disse, eu saberei. Ouço muitos toquinhos – não tão simpáticos – de buzina.

 

Assim poderemos ser amigos! Porque sempre penso que uma pessoa que faz isso só pode ser legal (também gosto de acreditar nisso). J

 

Bip-Bip!

 

Por Má-Má.

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  1. Sensacional!!
    Acredito que o Bisninha deverá ficar sempre de porta aberta com uma motorista como eu!
    Fique atenta para encontrá-lo! hehehe

    bjs

  2. Nunca tinha parado pra pensar nessas coisas… e concordo com você em tudo!

    “Porque ali, em movimento e quatro buzinadas curtas e duplas depois, estabelece-se, em segundos, um mini-pacto de confiança com alguém que você provavelmente nunca verá de novo.”

    Fantástico.

  3. Genial!
    Acho que me lembro de termos conversado sobre isso algum dia desses, mas o assunto era mais amplo, do tipo: como somos boas em fazer amigos no trânsito! hahaha

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