Cuidado, minha filha…

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Há anos ouço essa frase. E, a cada vez que minha mãe a pronuncia, ela ganha um novo sentido.

 

Quando tinha 10 anos, peguei ônibus sozinha pela primeira vez. Saí de casa para chegar a tempo – e com antecedência – ao meu “compromisso”. Já havia ido diversas vezes na companhia da minha mãe, sabia exatamente qual ônibus pegar (linha 4288 ) e em que altura de uma certa rua eu deveria apertar o botão do sinal ou – no caso da ausência dele – pedir ajuda para alguém puxar a cordinha pra mim (procedimento ao qual recorro até hoje, dependendo da altura do meu salto).

 

Naquele dia, ouvi o “Cuidado, minha filha” e automaticamente a frase foi decodificada: “Filha, lembre-se quando deve apertar o botão e puxar a cordinha. Se perder o ponto, desça no seguinte e pegue um ônibus com o mesmo número que esteja vindo no sentido contrário da rua”. Funcionava! Nunca perdi o ponto.

 

Essa é minha primeira memória de advertência, que soava mais como uma prece para que eu chegasse sã e salva à aula de catecismo (e depois ao treino de handball, ao shopping, ao colégio, à faculdade e por aí vai… e eu ia mesmo!). O tempo passou e quando eu saía de casa para qualquer passeio inocente com meu então namorado, o “Cuidado, filha” virou: “Filha, não engravide, por favor”. Antes que me perguntem, também funcionou (e não me refiro ao namoro)!

 

Mais uma passagem de tempo (implacável!) e… a primeira saída dirigindo meu carro! A advertência então virou uma extensão do curso preparatório de condutores (com o agravante de minha mãe não ser habilitada): “Respeite os sinais e a velocidade máxima, cheque o caminho no mapa e caso aconteça alguma coisa, aqui está uma lista de telefones úteis. Volte viva e mantenha os pedestres e outros motoristas na mesma condição”. Obviamente, o pessoal que esperava por mim e por outra amiga para almoçar amargou 2h15 no couvert e refil de coca-cola, mas essa aventura por todas as grandes vias (leia bem. Eu disse todas) de São Paulo eu conto em outra oportunidade.

 

A frase continua a mesma, o tom de voz, idem. As interpretações variam, mas o significado – ainda bem – é mantido. Aquele zelo que sempre me leva de volta para o tempo em que uma de minhas maiores preocupações era repetir o “4288” como um mantra, às vezes até em voz alta. Sempre dou uma risadinha quando minha mãe fala. Coisa boa de ouvir que abre um mundo de perspectivas, para as quais eu ainda terei que tomar muito cuidado. Mais ainda se não conseguir ler as placas pelo caminho!

 

Por Má-Má.

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  1. hahahaha
    sim. esse dia do ‘Cuidado minha filha’ para a primeira real dirigida nos rendeu também uma bela conta no restaurante… afinal, foi muito tempo no couvert!
    Muito bom!!!! hahahaha
    Mas devo dizer que funcionou e hoje é praticamente um Senna! :)

  2. kkkkkkkkkkk

    sem comentários!!!!! Passei com vc por todos os caminho de S. Paulo, passamos fome no carro, falamos com mães dos outros para ensinar o caminho!!!!!
    hahahahahahahha

    aiai….

    Jaz aqui.
    =p

  3. huahauhauahuah

    Amei e morri: “pedir ajuda para alguém puxar a cordinha pra mim (procedimento ao qual recorro até hoje, dependendo da altura do meu salto).”

    Muuuito bom!!!

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