Hoje aqui, amanha em outro lugar
Por qualquer motivo tive vontade de ler os textos antigos do Palavra. Comecei com os arquivos do primeiro mês, depois do quarto… e a sensação foi estranha. Então resolvi ler um ou dois de cada mês pra me basear em uma mostra mais justa. Claro que não fiz tudo isso hoje… mas fui lendo aos poucos, durante uns três dias, acho. Cada texto meu que eu lia, tinha vontade de editar. Muitas vezes pensei: “Qué dice esta chica?”, mas na verdade era eu.
Curioso pensar que em três anos tanta coisa mudou. Claro, são três anos. Mas depois de ter certeza de que quase nenhum post meu antigo me agrada hoje, resolvi denominar isso como amadurecimento. Porque não é só uma questão de texto, mas de idéias, de organização de pensamentos, de julgamentos e opiniões que mudaram. E que hoje não me parecem os melhores, mas naquela época refletiam exatamente como me sentia, como pensava e sonhava.
Bom, agora, enquanto escrevo este texto, me sinto um pouco ridícula pelos dois parágrafos que já estão prontos, mas tentarei não apagá-los. Isso porque, óbvio que ler os textos de três anos atrás seria uma experiência instigadora. Claro que nem tudo que foi dito lá faria sentido hoje. O contexto era outro. Outro é pouco. E seria muito frustrante que fosse o mesmo. Então, se o meu raciocínio foi capaz de mudar durante os 10 ou 15 minutos em que comecei com o documento em branco até agora, o que diria de um período de três anos? Boolshit.
Um pouco assustador estar com a cabeça tão desordenada desse jeito… e acho que buscar referencias nos textos antigos do Palavra significa tentar reviver aquelas épocas, das quais sinto tanta saudade. E, ao me encontrar com esta nostalgia, o resultado também foi mais complexo: além, claro, de sorrisinhos e gelinhos na barriga de relembrar momentos tão significantes e delícia, também senti um sossego de estar onde estou agora, de ter passado por tudo aquilo. E de saber que carrego comigo até hoje o melhor daqueles anos. De sentir que, apesar de muito bom, foi passageiro. Que de tudo que vivi, hoje trago lições, crescimento, conquistas e pessoas sensacionais.
A vida tem que ser assim… dinâmica. E se um dia a minha parar em algum canto, e eu ler um texto de três anos atrás e sentir que estou no mesmo lugar, com certeza não terei vontade pra escrever um post sobre isso. Talvez nem ânimo para continuar.
Por May.
Minha vida de acordo com… Aline, ops, John Mayer
Esta é mais uma edição do diario de bordo de Lucas Silva & Silva. Mentira. É uma edição especial e espontânea, ainda que encomendada, do “Minha vida de acordo com…” que a Line pediu para eu fazer com o John Mayer. Claro, eu aceitei. Não porque o John é meu preferido. Ele não é mesmo. Mas a Aline é. E, em nome da saudade, chegamos a um consenso que nem precisou de muita negociação; aqui está nossa vida de acordo com John Mayer, uma homenagem à nossa amizade linda de viver.
- Escolha o artista/banda: John Mayer
- Você é homem ou mulher? Daughters
- Descreva-se: Bigger than my body (gives me credit for)
- Como você se sente? In repair
- Descreva o local onde você vive atualmente: The heart of life
- Se você pudesse ir a qualquer lugar, aonde você iria? Back to you
- Sua forma de transporte preferido: Gravity
- Seu melhor amigo: Only heart
- Você e seu melhor amigo são: Bold as love
- Qual é o clima? Stop this train
- Hora do dia favorita: Come back to bed
- Se sua vida fosse um programa de TV, como seria chamado? Great indoors
- O que é vida para você? Wheel
- Você sorri quando: New deep
- Você chora quando: Something’s missing
- Seu relacionamento: Love song for no one
- Seu medo: Vultures
- O melhor conselho que você tem a dar: (Don’t keep) Waiting on the world to change
- Pensamento do dia: Belief
- Seu lema: Who Says
Por Má-Má.
O que te move?
Dependendo da pessoa para quem você perguntasse, poderia ouvir: “Ora, pois! Seus pés!”. Não, não estou fazendo piadas etnocentristas, garanto. Quase isso aconteceu de verdade com uma pessoa que não riu na cara de quem disse porque é incapaz de ofender alguém. E também porque quem disse não estava em nenhum momento ironizando, mas racionalizando (a não-novidade aqui é que, sim, foi em Portugal). O que nos leva à resposta da pergunta desse post: o que nos move? Certeza que razão é que não é. Também te garanto; porque uma professora da cabeça muito inteligente me falou. Mas não só por isso; porque é fato que o que nos move a fazer piadinhas bobas, rir delas, ofender-se ou simplesmente ignorá-las são as benditas emoções.
Ok. Nem sempre tão benditas, mas abençoadas, vai. Quem aqui nunca teve vontade de maldizer até a última geração de determinada emoção? De jogar na cara do primeiro hormoninho que foi liberado para que ela fosse sentida o quanto ele é odiado? De interromper o primeiro passo do processo cognitivo que nos levou a não gostar de algo que sentimos? (A explicação mais profunda disso eu ouvirei da minha professora da cabeça inteligente na próxima aula). Mais do que isso, quem aqui preferia não sentir nada do que sentir algo ruim? Eu, definitivamente, não faço parte desse grupo. Porque sinto… às vezes até demais, às vezes, só sinto muito. Mas sempre com intensidade. E isso é mais do que ter vontade de viver. É já estar vivo.
Enquanto isso, a tal da razão, que adora brincar de esconde-esconde, ri de mim, se diverte às minhas custas, porque sua capa da invisibilidade (sim, eu continuo me esforçando para não deixar os trouxas me chatearem) dá um baile nas minhas lentes corretivas de miopia, que definitivamente não têm o poder do raio-X.
O lado bom de tudo isso é que mover-se, mesmo sem sair do lugar, é bastante especial, não? Pois então bendiguemos as emoções, ainda que às vezes não saibamos muito bem como lidar com elas. Não dá para ser perfeito. E a dona razão estará sempre por perto para soltar uma risadinha irônica quando você achar que vai perder a linha por não encontrá-la. Nessa hora, sim, eu tento agarrá-la com força. Se for preciso, perco algumas horas de sono tentando convencê-la a ficar comigo, a segurar minha mão e a dizer que vai ficar tudo bem, meu bem. O que não perco é a chance de sentir, na esperança de que, com o tempo e a diversidade de emoções, elas se tranqüilizem, se convençam de que cada uma tem seu lugar cativo, estarão eternamente coladas no meu coração, mesmo quando eu sinto que ele virou um vermelho balão, e está rolando e sangrando, chutado pelo chão.
Por Má-Má (às vezes, toda errada, mas sempre com as melhores das intenções, ops, emoções).
Para quem curte mover-se no mode [extreme], um clássico:
Foi a saudade que me trouxe pelo braço
Eu demorei para entender o que é sentir saudades. Na escola, aprendi que pode ser singular ou plural, afinal, podemos sentir saudades de muitas coisas. Fora da escola, não demorei para aprender que, de pessoas, sentimos ainda mais. E mais ainda quando coisas estão ligadas a pessoas.
E existem tantos jeitos de sentir saudade… a frase que dá nome a esse post é de uma música sobre Recife, onde estive novamente semana passada, depois de uma visita há quase três anos (que foi tema de outro post por aqui). Não sei por que, mas amo Pernambuco. Na verdade, acho que sei. Amo o que Pernambuco me mostrou quando estive lá pela primeira vez. E senti saudade de lá. Por isso a idéia das ultimas férias em família antes de tudo mudar não poderia ter cenário melhor do que o pedacinho de paraíso de Porto de Galinhas e adjacências.
É uma dessas adjacências que quero valorizar aqui: o Cabo de Santo Agostinho. O Cabo é uma cidade pobre, sem saneamento básico, cercada de plantações de cana e, por casualidade geográfica, tem o segundo ponto do Brasil mais próximo da África. Foi mais especificamente deste ponto que senti tanta saudade (vou deixar pra lá a deprê com a situação caótica da cidade e a esperança de que tudo melhore com as eleições).
Primeiro porque o lugar é maravilhoso. Faz silêncio e venta. E você só ouve o som do mar e do ar. Qualquer voz – de dentro e fora da gente – fica baixa por ali. Paguei a conta do cartão de crédito? Onde guardei as chaves do cadeado da mala? Passei protetor solar? O que importa? Ok. Talvez eu tivesse que prestar mais atenção à resposta que daria à última, a julgar pela cor de caipora dos meus braços. Lá, você só vê as cores da natureza e sente o cheiro de milhões de anos de exposição ao sol de um conjunto de penhascos de causar vertigem. O lugar exige tanto respeito que cria seu próprio mecanismo para proteger quem quer guardar aquela imagem pra sempre na memória: não é possível chegar à ponta do penhasco para dar aquela bisoiada no mar lá embaixo. É perigoso. E lindo demais. E parece que está ali para causar saudade mesmo.
Penso sempre nesse lugar. E foi muito bom voltar lá depois de três anos e encontrá-lo intacto (diferente do Mirante a poucos metros dele, onde a paisagem é atrapalhada por um estaleiro bem feio construído pelo Lula. Mas também vou deixar isso pra lá). Ele estava igualzinho a como eu o olhei pela última vez em 2007. E esse é o poder da saudade. Ela congela a coisa no tempo, no espaço, na memória. Desta vez, comprovei que essa saudade valia a pena. E que uma outra saudade que eu sentia quando fui lá pela primeira vez hoje já está na sacola dos pensamentos inúteis, junto com a conta do cartão de crédito (já paga, aliás, na maior facilidade, pela internet em pleno domingão na terra da garoa).
Por Má-Má.
Aqui e em qualquer lugar
- O endereço: a Paulista.
- O ponto de encontro: aqueles sofazinhos da Cultura onde as pessoas dormem e lêem.
- O evento: o reencontro depois de 5 anos desde o último, que também aconteceu na Paulista, seguido de jantar.
- A companhia: a Ná, a amiga. Uma das melhores que, assim como eu, vive com o celular quebrado e caiu nas redes sociais, mas prefere os encontros presenciais.
Eu não sei o que seria do meu primeiro colegial sem ela (e não é que faz tempo!?). Eu só continuei acreditando no ser humano (e em mim) por causa dela. É sério. Foi um ano difícil aquele. E, além do trauma de helanca azul que eu tenho hoje, tudo poderia ter sido pior. Ela fazia os exercícios de Física parecerem muito fáceis (quando eu realmente achava que aquilo era a coisa mais importante do mundo) e, no mesmo dia, poderíamos passar horas conversando sobre a vida, sobre tudo que não era exato mas que dava o mesmo trabalho pra entender quantos as fórmulas até hoje indecifráveis para mim. Já a ouvi dizendo mais de uma vez que ela é uma pessoa difícil. Pois, se for, eu sou bem diplomada. Porque… oh, boy… como é fácil gostar dela!
Em quase quatro horas de jantar, passamos voando por cinco anos. Nunca uma quiche rendeu tanto! Concha y toro. Passaporte. América Latina. Potencial. Bipolaridade. Cursos de idiomas. Amores e desamores. Planos, muitos planos. E, apesar de tanto tempo distantes, confesso que não foi uma surpresa: continuamos muito parecidas. E os tais planos, idem.
Já estivemos em muitos “mesmos lugares” em momentos muito diferentes (os tais sofazinhos só fazem sentido para quem já sentou neles, por exemplo) e é uma pena que não tenhamos nos encontramos em nenhum deles durante estes anos. Ela já foi a muitos outros lugares aos quais eu adoraria ir. O contrário também aconteceu. E com certeza existem muitos outros que nenhuma de nós conhece e que – espero mesmo – que possamos conhecer juntas, ouvindo Jet Plane, que tanto me faz lembrar dela, ou Mombojó, a banda que ela me apresentou e que fez tanto sentido quando conheci.
Estou algumas páginas atrás – literalmente – no cumprimento do objetivo de vida que agora não é exclusividade dela. O que importa é que aqui e em qualquer lugar, agora ou em tempos diferentes, mantê-la por perto sempre vai fazer parte dos meus.
Por Má-Má.

