Quando você sabe que termina
Para ler ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=7vUhlD0194o
Desde criança, a gente já é treinada para sacar quando algo está acabando. Tem situação que nem precisa de sexto sentido, tipo quando o canudo do Toddynho começa a fazer barulho. Pronto. Está acabando aquele pedacinho de infância em estado líquido. Alguns anos depois (claro, sem abandonar o Toddynho), é a vez do gole quente da cerveja. Só ele indica que é hora de largar a lata (ou, somente para os fortes, não desperdiçar o estado líquido do inferno).
Na escola, quando o ano estava acabando, era aquele monte de camisetas rodando a sala inteira e muitas canetas coloridas que expressavam os mais sinceros votos de “Amodoro você” ou “VC é D+!” na peça de roupa que seria motivo de bronca em casa. Mas o que importava!? Eu ainda tinha a tarde inteira no McDonald’s à base do Nº4 e uma casquinha mista que comprava com o ticket do meu pai. Tudo isso para esperar que aquele garoto se aproximasse e falasse qualquer coisa além de “Me empresta a lição de Português?”.
Na faculdade, os quatro fins de ano foram cheios de ansiedade. Trabalhos e mais trabalhos e um amigo secreto no segundo ano que, lembrando bem, não sei como deu certo. Eram 50 pessoas! Isso sem o suporte do amigosecreto.com. Já no quarto ano, foi a expectativa do TCC (pra gente, o PEX). A oportunidade de mostrar aos pais, familiares mais chegados e amigos a toda prova o que raios significava Relações Púbicas. Ao final de tudo isso, o último respiro de adolescência: o videozinho. Sabe aquele que tem clima de debutante? Com uma música fofa que embalou a balada de todo mundo, que tem um significado especial pro grupo? Então. Junte isso a fotos de infância, fotos de jogos universitários, fotos que antecederam o quarto copo de Jurupinga, fotos em que você está com quatro quilos e menos e, pronto, você tem o anúncio do fim do seu status “universitário”.
Já nos relacionamentos, cada um tem seu jeito de perceber que está acabando. Mas, quando “o problema for o outro, não você”, acredite. E agradeça que você se livrou dessa sem muito esforço.
O fim de ano no trabalho não tem camiseta assinada, mas as piadas por e-mail se intensificam, assim como as risadas nos corredores, as provocações de quem emenda as férias, a festa da firrrma e a delícia do almoço sem volta no último dia.
O fim do ano é assim. Não tem Toddynho (por favor, mantenham minha cerveja), o papo com o garoto já não é sobre a lição de Português, encaro aquela maratona de compras, topo a loucura para encaixar todos os Happy Hours que não aconteceram nos 12 meses, reúno todos os pensamentos positivos do ano e desejo a todo mundo que o próximo seja melhor. Sempre melhor, não importa quão bom tenha sido o anterior.
Hoje, dou um “até nunca mais” para 2009 aqui no Palavra e um “até mais” para quem nos visita. Eu vou pras bandas de lá, vou viajar e desligar o celular. E desejo, de verdade, que todo mundo veja muito o sol nascer e morrer no mar em 2010.
Por Má-Má.
