É pra ontem!
Sabequandoagentefalatudoatropeladoeninguémentendenada? Isso é sinal de ansiedade! E quando a gente começa a roer as unhas ou as peles em volta delas, balançar as pernas sem parar ou batucar aquilo que estiver na frente? Isso também é típico do ansioso! Aquele que dá prejuízo para a churrascaria quando pede rodízio ou a garota que devora duas barras de chocolate durante uma tarde de terça-feira, pode ter certeza: fazem parte desse time de ansiosos.
A ansiedade pode surgir de repente e a gente nem se dar conta. Quando vamos ver, ninguém está acompanhando o que estamos falando, nossa comida já acabou e o garçom está demorando demais com a conta! E o tanto que as maquininhas de cartão de débito estão lentas hoje? Já não basta o cara do Corsa atrapalhando o trânsito no caminho pra cá? Ele veio ao mundo a passeio? Só pode… ninguém normal é lerdo assim!
O mal dos males atualmente é a ansiedade. Quando não estamos ansiosos, estamos “na correria” pra dar conta de tudo que a nossa ansiedade quer que façamos. Driblar o trânsito, fazer atividade física, concluir o MBA com 24 anos, morar no exterior, alimentar-se direito, vestir-se com as roupas da moda, cuidar do cabelo, unhas e pele, frequentar os lugares mais badalados, ser fluente em inglês, espanhol e (ai ai ai!) mandarim… ufa! Me dá preguiça só de começar a listar o tanto de coisa que “devemos” fazer.
Como o meu dia só tem 24 horas (não sei o de vocês…), dar conta de tudo isso é bem difícil. Corrigindo: é impossível! Daí o motivo de tanta ansiedade. E paulistano gosta de dizer que está sempre na correria, né? Fico impressionada. “Ah, em São Paulo as coisas funcionam, são mais rápidas e eu consigo almoçar em 20 minutos!”. Jura? Azar o seu. Comer rápido faz um mal pra saúde… pergunta pro seu médico. Ah, não tem tempo de ir ao médico? Hum.
Sim, é bom ser atendido rápido, principalmente quando se tem pressa e hora marcada, mas durante as férias na Bahia, a última coisa que quero é alguém me apressando pra terminar logo de almoçar ou sair correndo pra não perder o transfer. Será que fora de São Paulo as coisas não funcionam ou será que aqui decidimos dar um fast forward em tudo?
Enquanto eu ainda decido que raios eu quero estudar daqui pra frente (e já adianto que não será mandarim), vou usando as roupas de sempre, mantendo a minha fluência na língua portuguesa mesmo e respirando fundo cada vez que me der vontade de xingar o motorista do ônibus que anda devagar demais.
Por Carrô.