27 de abril de 1986
Hoje é meu aniversário e como não tenho direito de day off no trabalho (acho que deveria, inclusive, existir uma lei que decretasse ser feriado para você o dia do seu aniversário), vou aproveitar o único espaço que me cabe uma parte do poder para decretar oficialmente que não postarei nada hoje! rs Mesmo que eu já não fosse escrever nada, quando o comunicado é oficial, dá outra ‘cara’, não?
O fato é: esse ano faço 23. Sete anos para os 30. Se eu for começar a desenvolver qualquer assunto que seja sobre meu aniversário… tentar dar um foco romântico e nostálgico, dizer o quanto tenho gente bacana do meu lado e blá, inevitavelmente cairei nessa conclusão no final do texto. Então, prefiro encurtar o discurso para: “Fodeu! Daqui 7 anos tenho 30!”
Beijo/Me liguem pra me desejar tudo de bom!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Por May – 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22… 23!
“Ombisu”
Sem sombras de dúvida, é o meio de transporte mais divertido que existe. É bom ter seu próprio carro? Ir de ar-condicionado, ouvindo seu som, sem sentir cheirinho de bolacha de morango e sem ninguém te encostando? Sim, deve ser. Mas nunca andando de carro vc terá histórias tão engraçadas, bizarras, assustadoras e inéditas no caminho de volta pra casa, rumo ao trabalho, ou até mesmo em direção a algum local de lazer.
Já “pescocei” histórias trágicas. Já presenciei inúmeras DRs entre casais, brigas de mãe e filha, declarações de amor e nem preciso dizer que papos da mulherada, ou seja, sobre homem ou difamando alguma outra coitada. Colegas de trabalho detonando o chefe e aquela ‘pi-ra-nha’ da área de Contabilidade não são mais novidade tbm. Mas não pense vc que os homens não são pegos pelo meu radar. Papos machistas sobre a ‘mina que to pegando’ e conversas nada modestas de auto-elogio são bem frequentes tbm. Gente, depois as pessoas ainda me perguntam por que não uso fone de ouvido durante minhas viagens busanísticas… é óbvio: não consigo imaginar um repertório mais interessante que as conversas alheias!
Mas não só de papo furado sobrevive os ônibus. Suas trajetórias também são delineadas por atuações fantásticas. Pessoas sem noção que continuam sentadas nos assentos amarelos mesmo depois de verem subir aquela senhorinha sofriiiiiiiiida no ponto do Hospital das Clínicas, ou aquele homem visivelmente cansado se apoiando em uma bengala. Tombos, xingamentos e desentendimentos são corriqueiros. Tbm já me deparei com cada motorista mal-educado e cobrador folgado, que não estão no gibi, viu… Tenho uma história interessante que aconteceu comigo de um motorista muito do infeliz que achou que eu queria descer na porta de casa (semi interno esse comentário. Prometo que outro dia compartilho, mas não é o foco hoje!) rs Vou contar outro acontecido, mais recente.
Certa vez estava de pé bem em frente a uma mulher de meia idade. Logo chegou um rapazinho todo simpático e sentou ao lado dela. De repente, eles engataram uma conversa tão profunda e eterna, que, vejam só vcs, fiquei com preguiça de prestar atenção e procurei outro foco.
O tempo passou.
Outro dia estava eu voltando tarde já do trabalho, tipo quase 21h, sentei sozinha e tava morrendo de sono. (Parênteses: quando não estou entretida com nenhum assunto alheio interessante, durmo. Mas jamais puxo papo no busão. Preguiça sem fim). Avisto o rapazinho passando pela catraca. Sim, eu o reconheci. Pensei com meus botões: “Queria ir sozinha até onde eu desço! Mas acho que terei sorte, afinal, tem MUITOS lugares vazios!”. Não deu outra. O cara sentou do meu lado, já com um sorrisinho de quem vai puxar conversa. ZZzzzZzzz
Ele: “Oi! Queria ir pra faculdade hoje, mas tive uns imprevistos no trabalho e não consegui sair na hora…”
Eu: ZzzZzzzz “Hmmmmm…” acho mancada tbm vc dar trela pra pessoa sendo que não quer conversar. Então prefiro ser seca, porém, sempre educada, como perceberam! Rsrs
Ele: “Deixei meu material da faculdade no trabalho hoje pq amanhã volto pra trabalho e assim não preciso levar pra casa hoje e trazer de volta amanhã. Melhor, né?!”
Gente, juro que acho que ele tem algum problema. Ele falou sobre vários assuntos, completamente fora de contexto. Falou da faculdade, do trabalho, da família, do cachorro. Até sacou o celular para me mostrar fotos da mãe e do ambiente de trabalho. Isso pq eu estava sendo monossilábica.
Depois de muitos pontos, ele deu a entender que levantaria, mas antes disso lançou a pérola: “Eu namorei durante 5 anos”. Eu: “Ahnnn…”. Ele: “Vc namora?”. Eu: “Uhum”, balancei a cabeça dizendo que sim. Ele: “Vai casar?”
Oi?
…. silêncio meio constrangedor. Eu lá sei se vou casar?! rs
Ele sentiu minha indecisão e… “Não sabe ainda, né?! Vc não acha que ele é o amor da sua vida?”
“Ai, preciso ir. Tchau!”
Por May – ainda tentando compreender.
Ai! Putz!
sensação
■ substantivo feminino
1 Rubrica: fisiologia, psicologia.
processo pelo qual um estímulo externo ou interno provoca uma reação específica, produzindo uma percepção
Ex.: <s. visual, tátil, gustativa, olfativa> <s. de fome> <s. de opressão, de liberdade>
2 conhecimento imediato e intuitivo
Ex.: s. de que algo não vai bem no casamento
3 emoção, vivência significativa que mobiliza afetos e emoções
Ex.: <s. confusa de atração e repulsa ao mesmo tempo> <estar ávido de sensações>
4 surpresa ou grande impressão, causada por um acontecimento invulgar
Ex.: <causar s.> <produzir s.>
Todo mundo sabe que a gente passa por isso o tempo todo. São mil sensações o dia inteiro, das boas às ruins. Hoje resolvi falar sobre uma que quase não consigo descrever, mas que tem acontecido com mais freqüência do que gostaria. A sensação do “Ai! Putz! Acho que fiz algo errado!”.
Foi assim ontem, quando respondi um e-mail de uma ex-colega de trabalho e sempre amiga reclamando de uma atual colega de trabalho e nunca amiga. Você deve pensar: “Ah! Legal! E-mails extracorporativos contribuem para a produtividade!“. É, eu sei. Mas não quando você copia na mensagem a atual colega de trabalho mal-falada pela amiga. Eu sou a rainha da auto-sabotagem! “Ai! Putz! E agora?!” foi a única coisa que consegui falar, além de outros palavrões mais pesados direcionados a mim mesma. Ainda bem. Foi o que chamou a atenção da atual colega de trabalho e amiga, que deu a brilhante sugestão do recall do e-mail. Tudo isso em poucos segundos, claro. E deu certo: recall success!!! Ufa!
Outra sensação “Ai! Putz!” aconteceu há algumas semanas, quando recebi uma ligação de um número desconhecido aqui no trabalho. Atendi e ouvi: “Oi, Marina! Tudo bem?”. Fui simpática, respondi que sim e perguntei se ele também estava bem, sem saber quem era. Foi aí que ele completou: “Sou o Cláudio, do SPC”. “Ai! Putz! Como assim?! SPC?! Mas eu só tenho 22 anos e já estou no SPC?!”. Claro que isso não foi verbalizado. Foi aí que voltei a fita: “Peraí. Cláudio de onde?!”. “Do SBC”, ele respondeu. Na seqüência, eu: Aaaaaaaaahhh, do SBC!!! Mas… SBC? B de quê?”. O esclarecimento: “Sociedade Brasileira de Cardiologia! Quero seus contatos para nosso mailing.” Ufa de novo! Eu estou sendo procurada para fazer parte de um mailing! Legal! Anota aí meus dados, Cláudio!
Há menos tempo, aqui no trabalho mesmo, a voz da chefe ecoou ao longe. “Marina, vem aqui.”. Quando esse pedido não vem acompanhado de um “Hora do recreio!” ou “Traz seu caderno”, eu nunca sei do que se trata. “Ai! Putz! O que será que eu fiz?!”. Quando chego à mesa, um sorriso que não cabe no espaço entre as duas bochechas e só a frase solta: “Fui numa cartomante e ela disse que você vai ter um casamento perfeito! Vai casar muito bem, dona Marina!”.
Em todas as ocasiões, o “Ai! Putz” não vem sozinho. É um gelo no estômago, a mão que é quase sempre suada fica fria, minhas sobrancelhas franzem e involuntariamente coloco a mão sobre a boca. É o tal processo pelo qual um estímulo externo ou interno provoca uma reação específica, produzindo uma percepção. Nunca gosto dela nos segundos em que toda essa reação fisio e psicológica toma conta de mim, mas, ah, como é gostoso manifestar meu “Ufa!”. Ainda bem que o Outlook é brother, que eu não tenho dívidas e que meu marido será maravilhoso. J
Por Má-Má.