Eu resisto… mas tem umas coisas… eu desisto

Março 26, 2009 at 2:12 pm (Post)

Já era segunda-feira. Acordei cedo, como de costume e graças à Santa Organização presente em minhas orações, minha malinha da academia estava pronta. Por pouco (os nove minutos de soneca do despertador), não desisti de me alongar, levantar e abaixar os pesinhos que – dizem – darão uma forma menos redonda pro meu corpo.

 

Resisti à sessão de musculação que odeio e aos comentários competitivos e azedos dos colegas de malhação. Resisti ao sono também. Já era hora do almoço e aquele buffet à vontade do francês (ouie! Qué francés!) quase me manteve no ritmo, mas  não deu pra negar batata e hamburguinho de picanha com molho chique. Claro, foi aí que desisti do regime, como faço desde os 15 anos. Pra fechar, uma palha italiana acompanhada de um café (com açúcar, claro).

 

Opa! Chegou a terça-feira. Um evento importante no trabalho logo às 8h30. A malinha do yoga estava pronta (nota da redatora: eu acho que só de ter que carregar essa mochila eu deveria me isentar do regime), mas continuou no carro. Desisti de tentar entender e traduzir mil estratégias corporativas para definir coisas que toda pessoa deveria ter como item de fábrica: bom senso e responsabilidade. Resisti ao ímpeto de provocar um piquete e me recolhi em minhas anotações.

 

Já no carro, no caminho de volta pra casa, depois de 11 horas em frente ao computador, não resisti e liguei o rádio. Desisti de achar uma boa música nas FMs quando só se fala nos quilômetros de lentidão em São Paulo. Mas olha só… pararam de falar da Marginal e começou uma melodia que conheço. Putz! Tinha que ser essa música? Aquela lá? Justo a que não permite que eu resista a uma lágrima que vai embaçando a lente e embaralhando os faróis dos carros e semáforos à minha frente? Que bom que só uma desiste de ficar escondidinha. Isso pode ser perigoso quando você é dependente da lente de contato para dirigir e já nem sabe porque não consegue resistir, apesar do meu esforço.

 

Caramba! Já é quarta-feira! E não escrevi meu post. Atendi a todos os pedidos às vezes indelicados por não resistirem à pressão do nosso dia-a-dia corporativo. Cheguei à aula de espanhol e desisti de tentar entender por que algumas pessoas simplesmente têm que falar mais que as outras, ser mais ouvidas que as outras, me irritar muito mais que as outras.

 

Hoje já é quinta. Já não é meu dia de postar, mas não resisti registrar o embate de resistência e desistência da semana até agora. Desisto de começar aquela pendência chata para atender alguém que não resiste à própria ansiedade. E cá estou eu! Pós-almoço, depois de resistir ao mousse de suflair de sobremesa, mas de não desistir do benefício do chocolate. Que bom que aquela calda derretida fez toda a diferença na salada de fruta pra eu resistir até o fim do horário de rodízio!

 

Por Má-Má.

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Terça-feira 17

Março 18, 2009 at 11:13 am (Post)

Que sexta-feira 13 que nada… o que pega é terça-feira 17! Hoje meu dia foi, no mínimo, agitado. E não poderia deixar de compartilhar com vcs, afinal, nem só para coisas boas servem os posts deste blog! Acordei mais cedo do que gostaria com uma criancinha berrando no parquinho no prédio ao lado do meu e não, não era meu primo. Se fosse, acharia uma gracinha e iria até a janela para vê-lo. Sou parcial mesmo, mas fazer o quê, né?! Enfim, mas já que havia levantado mais cedo, decidi tomar um café-da-manhã gostoso como nunca faço. Fui preparar um copo de leite gelado com Nescau e sim, derrubei o leite na geladeira. Tem coisa pior? Não? Também achei que não… Limpei.

Saí de casa atrasada. Já com o humor abalado, of course. Peguei o busão e cheguei na agência. Bom, pensei, se nada aconteceu no trajeto no transporte público, a minha zica do dia limitar-se-ia ao leite derramado na geladeira. Ok. Às 10h45 recebo a ligação de uma produtora de TV querendo confirmar um transplante de fígado que aconteceria no Hospital. Blá blá blá com a jornalista. Blá blá blá com a cliente. Taca eu pro Centro Cirúrgico acompanhar o tal do transplante de um bendito fígado bem na hora do almoço – gente, eu te-nho-fo-me –. Mas foi até que interessante. Eu toda paramentada até parecia uma das enfermeiras dali. Dá 15h eu estava começando a almoçar. Ufa! Por hoje it’s all folks? No. “Uau! Que chuva! Ainda bem que ta caindo tudo agora pra quando der 18h estar um céu azulzinho e eu retornar ao meu lar feliz e contente”. Sonho meu.

Trânsito absurdo para voltar para a agência. Cliente cobrando o fup de uma pauta exclusiva que estamos trabalhando. Tentativas mil de falar com a jornalista. Mal sucedidas. Todas. Desânimo. A tela do meu celular resolve começar a apagar. Legal!

17h: Apagão! Ebaaaa… todo mundo pra casa!! 17h13: Clarão. Todo mundo de volta ao trabalho!! Só pra dar uma emoção, gente. 18h: opa! Hoje marquei manicure e pedicure e nãofaltopOrnada. A tempestade insiste, mas mesmo assim honro minha ida ao salão. Fixo o olhar em um ônibus do corredor e em 45 minutos ele não sai do lugar. Desisto de voltar pra casa. Tento novamente, insistentemente, falar com a tal jornalista. Não consigo. Tento falar na agência com alguém. Não consigo. Great! Meu celular não está realizando chamadas. Delícia.

Estou de unhas lindas e volto pra agência numa escuridão sem fim. Postes e semáforos apagados. Medo. Chego lá e a galeeeera desencanou de ir pra casa. E o esmalte do dedão da mão direita borrou. Pedimos uma pizza e bora resolver os pepinos daqueeeela pauta. Lembram? Conference call. A pizza chega. Conference call. Blá blá blá. A pizza esfria.

21h54: Saio da agência depois de muito papo furado. Coisa boa do dia. Chego em casa e meu celular não liga mais. Ligo o computador pra checar os emails. Não me pergunte o porquê. E meu computador tá cheio de vírus. Não me deixa abrir nenhum arquivo que já manda eu reiniciar. Trojan. Dizem que é vírus grave.

00h07: Rodando o antivírus. Enxaqueca bombando. Mente agitada. Corpo cansado. Sorte que amanhã vou poder dormir um pouquinho mais: só consegui horário às 10h no meu dentista. Ah! Detalhe: no meio disso tudo um braquet do meu aparelho quebrou.

Quarta-feira 18, 11h09: Ops! Ontem meu computador pifou de vez e eu não consegui postar. Dia de cão for sure. Post no ar com 11 horas de delay.

Por May

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Mera coincidência?

Março 13, 2009 at 11:19 am (Post)

Ao longo dos meus 23 anos, sempre acreditei em coincidências. Mas de uns tempos pra cá, tenho desconfiado que as coincidências não são, bem, tão coincidências assim. Pensei nisso hoje, quando peguei um taxi para o trabalho ali na Faria Lima (ao invés do cotidiano ônibus, já que eu estava carregando minha também costumeira mochila para viagens de curta duração) e, ao dizer o meu destino, o taxista falou que já havia me levado ao mesmo lugar, semanas antes.

“Coincidência, né?”, disse ele. Claro que eu disse que sim, mas… será que é mesmo? Considerando que eu passo por ali todo dia para ir ao trabalho, quase sempre no mesmo horário, e que ele trabalha no mesmo ponto de táxi todo dia e também inicia seu dia mais ou menos no mesmo horário, não seria meio lógico ele estar no local no momento em que eu precisava de um táxi?

Talvez esse exemplo não tenha sido muito bom, mas foi a partir dele que eu lembrei que não acredito muito em coincidências, apesar de usar muito essa palavra. Em shows, costumamos encontrar pessoas de nossa convivência – como colegas de faculdade, curso, vizinhos, amigo do primo etc. – e a primeira coisa que vem em nossa cabeça é: coincidência! Ou não, né? Se pensarmos que o amigo do seu primo ou aquele colega de sala totalmente coadjuvante tem mais ou menos a mesma idade que você, escuta provavelmente as mesmas rádios, lê as mesmas revistas/sites na internet, pode-se dizer que vocês são influenciados pelas mesmas coisas/pessoas já que vivem no mesmo meio e, logo, tendem a gostar da mesma banda. Conseqüentemente, vocês estão no mesmo show. Coincidência mesmo?

O carnaval costuma proporcionar esses encontros acidentais também. Metade da população universitária (ou recém-formada) de São Paulo estava em São Luis do Paraitinga esse ano. Os mais desavisados poderiam dizer que foi coincidência. Algumas coisas me dizem que não foi, por exemplo:

- SLP fica perto de SP. Isso por si só não diz muita coisa. Mas considerando que muitos universitários e recém-formados trabalham na quarta-feira de cinzas, escolher uma cidade para passar o carnaval que não seja muito distante da capital é fundamental (não-coincidência 1 X coincidência 0);

- Apesar da inflação do preço das casas em SLP para o carnaval, SLP continua sendo uma opção barata de destino para a folia, outro ponto fundamental para universitários e recém-formados que ainda não ganham o suficiente para passar o carnaval em Salvador, por exemplo. (não-coincidência 2 X coincidência 0);

- O famoso boca a boca funciona aqui também. Universitários e recém-formados fazem a propaganda do sucesso que é o carnaval em SLP para outros universitários e recém-formados. Entre eles, possivelmente estará o cara mais interessante do seu curso de Krav Maga ou aquele colega de firma mala. (não-coincidência 3 X coincidência 0);

E por aí vai. Talvez o assunto renda muito pano pra manga e um post é um espaço muito curto pra eu tentar explicar o porquê de não acreditar nas coincidências. Hoje eu também não estou a pessoa mais lógica e bem articulada do mundo e, por isso, não seria mera coincidência você não ter entendido nada desse post.

Por Carrô.

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Familiaridade

Março 11, 2009 at 4:44 pm (Post)

É engraçado me acostumei a certos elementos do dia-a-dia que, com o tempo, passaram a fazer tão parte da minha vida quanto as sardas no meu nariz, aquele pelinho rebelde da sobrancelha esquerda que insiste em ressurgir das cinzas (e bem fora do desenho original dela) ou até daquela camiseta roxa que agora virou pijama, mas nunca perdeu a cor original. Pois semana passada parei para relembrar alguns desses elementos, quando fui a uma farmácia comprar quaisquer itens que pudessem cessar minha tosse e uma rouquidão que (mesmo que charmosa) denunciava minha baixa resistência (entenda: cansaço).

 

Entrei, procurei um daqueles espirrinhos de própolis (cujo cheiro me lembra o produto que uma esteticista usava para fazer limpeza de pele e, portanto, não me traz boas memórias) e não achei. Perguntei no caixa e vi uma infinidade de variações de balas, chicletes e pastilhas que pudessem me ajudar.

 

Foi aí que duas imagens praticamente curaram minha garganta cansada: o chiclete Valda e a pastilha Melagrião. Uau! Como consumi isso na minha infância. Que Bubaloo de tutti-frutti, que nada! Eu gostava mesmo era do chiclete Valda. Eu me sentia adulta e a sensação de frescor bucal durava horas! Na seqüência, bebia uma água gelada e sentia todas as vias aéreas queimando (que ironia) tamanha a sensação de congelamento. Minha mãe não gostava nada da idéia, mas frequentemente, eu e minha irmã ganhávamos de “brinde” nas farmácias. A gente era tão bonitinha… acho que não dava pra resistir aos olhinhos ansiosos pelo Valda.

 

Por isso, não tive dúvidas. Comprei o Valda e o Melagrião, que não sobreviveram um dia na minha mesa do trabalho. Ai, que gostinho de infância. E que voz de veludo (que durou apenas alguns minutos, confesso)!

 

.te conheço.

.te conheço.

Foi então que pensei em como certas coisas nos marcam e, ao mesmo tempo em que ficam guardadas em nossa memória como algo distante, estão tão presentes no dia-a-dia. E lembrei da mulher em preto e branco do guarda-chuva. Você sabe do que estou falando. Aquela que foi febre nos anos 90 (ou antes!?). Ninguém sabe de onde veio nem pra onde foi, mas, depois de uma rápida busca na Internet, eis nesse post o paradeiro de um exemplar legítimo do guarda-chuva. Achei a foto em um blog de Portugal! É sucesso internacional, minha gente! Nunca tive coragem de comprar um por causa do tamanho dele (talvez fosse mais bem sucedida do que essa experiência), mas me diga quem nunca trombou com um desses por aí? E quem nunca parou pra pensar como seria essa mulher? Eu faço mil julgamentos dela. E acho que ela é legal!

 

 

O mesmo para a Gina, da caixinha de palitos de dente Gina. Antes era uma foto. E eu achava que era “real time”. Mas o tempo foi passando e ela virou uma ilustração, com cores um pouco artificiais e um toque sépia. Eu envelheci e ela não! Fiquei assustada. Perguntei até pra minha mãe se a Gina existia. Ela disse que achava que sim, mas que já deveria ter morrido pois, na sua infância, a Gina já tinha aquela idade. Cara, que desilusão. Que susto. Que triste! Que grande sacada de Marketing! Mas… do que será que a Gina morreu!?

 

Gosto da familiaridade, do reconhecimento, da certeza ou da especulação bem embasada que indica que aquele chiclete vai refrescar minha garganta, que o melagrião continua docinho, que a mulher em preto e branco não envelheceu mesmo depois de muita chuva ácida e que a Gina não é um fantasma amaldiçoado pela imortalidade. Gosto também de novas referências, familiares a outras pessoas. Descreva aí as suas! 

 

Por Má-Má.

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Post sem título

Março 9, 2009 at 10:29 pm (Post)

Estive pensando em algo para escrever no blog. Pensei em contar sobre minha viagem de férias a Trancoso. Mas achei óbvio demais. Fiquei com preguiça. Pensei em escrever sobre o Carnaval. Não faz sentido. Passou em branco pra mim. Pensei em elogiar as mulheres e comemorar o Dia Internacional da Mulher. Mas li tantos posts a respeito que fiquei sem ideias. Cogitei até escrever um texto explicando porque eu fiquei tanto tempo sem aparecer. Daí me dei conta de que não conseguiria escrever sobre uma coisa sóbria nesse momento. Sólida. Coerente. Eu não estou sóbria.

 

Não consigo pensar nas coisas que sempre fizeram sentido pra mim. Agora elas são amenidades. Pensei em discutir essa minha confusão sobre sentimentos dos quais sempre tive certeza. Mas conclui que não valeria a pena. Seria exaustivo e não sairia do lugar. Então resolvi apenas escrever…

 

Será que estou perdendo a segurança que sempre procurei? E gostando. Querendo me sentir desequilibrada. Sem saber pra onde ir.  E gostando. Procurando respirar ares mais limpos, mais sujos, mais densos, menos conhecidos. Qualquer ar que não seja com o qual eu esteja acostumada a respirar. E gostando. E querendo mais. Pensando como seria se não fosse. Ou se não tivesse sido. Ou se não estivesse prestes a ser.

 

A cabeça está desejando outra coisa, que o coração insiste em resistir e hesitar. E bater o pé dizendo: Eu quero ir por ali. E a razão ainda tem vantagem. Pedindo pra ficar onde sempre achou que fosse o lugar mais seguro dentre todos os que já visitou. Mas o coração, a emoção e a sede de seja lá o quê se juntaram e estão decididas a comprar essa briga. Até quando?

 

Não queria que o post saísse com essa entonação. Era apenas expor o quanto estou cambaleando por aí me esforçando para acertar o passo. Mas parece que ficou triste. E não é. Pelo contrário. É ocasião que transborda expectativa, entusiasmo, ansiedade e um montão de medo. O resultado? Uma Mayra em ebulição. Mas se o texto não ficou do jeito que eu esperava que ficasse, ok, coerente com tudo que eu disse. Imprevisível como tudo que vem acontecendo. Como diz um amigo muito especial: O importante é ter a intenção. :)

 

 

Por May – pensando até agora em um título.

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