Prefiro que não me avisem. Depois não digam que eu…

Fevereiro 11, 2009 at 10:15 am (Post)

Eu adoro expressões populares. Uso muitas: as que estão em moda na televisão (é mara! Ah, tcha-tcha!); as que mais aparecem nos meus blogs preferidos (oi?); as que minhas amigas lançam inocentemente nos Happy Hours ou viagens da vida e, quando vejo, já estão irritando minha irmã (mano! Sem hesitar… me mata!); as que eu não entendo (qual é o pé do frango mesmo?)… enfim, tudo quanto é expressão, frase ou palavra que pode ser empregada em situações diversas para expressar o que não seria possível de outra forma, eu gosto de usar.

 

Mas tem uma… ah… tem uma que eu odeio. A maioria adora dizer e odeia escutar. Vocês querem saber qual é? Depois não digam que eu não av… ops! Já foi! É essa mesma. A chatíssima “Eu avisei…”.

 

Foi ela que dominou meu fim de semana e continua ecoando nos labirintos da minha consciência, como um fantasminha que vira fumaça quando tomo coragem de juntar minhas mãos para estrangulá-lo. Tudo isso porque, nos últimos seis meses, a luzinha de aquecimento do motor do meu carro acendeu DUAS vezes e… bem… porque ele deu o último suspiro de vida no sábado, depois que o maldito pontinho vermelho no painel fez sua terceira aparição.

 

Eram quatro horas da manhã quando consegui chegar ao posto sentindo o cheiro de queimado que saía do motor. Daí começou o festival do “Eu avisei…” de gente que nunca tinha me visto na vida antes! Tirando o frentista, que não tinha moral pra falar isso porque encharcou o motor de água quando não poderia (crianças, não se deve jogar água motor enquanto ele está fervendo. Depois não digam que eu…), foi a festa da sabedoria popular, a começar pelo motorista do guincho, que testou minha paciência, educação e conhecimentos de borracharia e – claro – às cinco da manhã me deu um zero bem redondo nessa última matéria. Em casa não foi diferente. Mãe, irmã e pai eram os novos… hummm… (diz aí o nome de um mecânico famoso. Não sabe?)… eram os novos sabe-tudo de sistemas de arrefecimento.

 

Agora o carro já está na oficina e quase pronto pra voltar pros meus braços. Segundo o verdadeiro sabe-tudo (assim espero, já que o cara é mecânico), o problema dele foi grave, mas não foi o pior. E que, sim, pode acontecer com qualquer carro, com qualquer pessoa. Há! Foi a melhor vingança. Não me considero nenhuma sabe-tudo (nesse assunto), mas o argumento foi o mesmo que usei para não transformar minha família em fumaça nos labirintos do inconsciente (não considerei a possibilidade de estrangulamento e ignorei o fato de que o cara vive disso, afinal, se existem mecânicos é porque os carros quebram mesmo, contra a vontade de seus donos).

 

O melhor é que não tive vontade de proferir a maldita “Eu avisei…” para os fantasminhas e, assim, evitei “mal-humorar” algumas pessoas. Tudo isso por um motivo bem egoísta (e nada nobre): prefiro guardar todo o gostinho da razão só pra mim e usar esse estoque quando eu realmente merecer ouvir o tom superior de quem me avisou.

 

Por Má-Má.

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