O primeiro mic(r)o do ano

Janeiro 21, 2009 at 8:03 am (Sem categoria)

Eu adoro miudezas. Deve ser porque elas tornam o mundo um pouco menos assustador do alto (ou baixo) do meu 1,50m. E poucos lugares oferecem uma sorte tão variada de miudezas quanto a Liberdade, o tradicional bairro que reúne a maior colônia japonesa do mundo (fora do Japão, claro).

 

Sempre que vou pra lá, volto com um mimo. Uma fivelinha, um brinquinho, uma bolsinha, um docinho, tudo inho mesmo. O dinheirinho diminui na mesma proporção, mas eu não resisto. Na última incursão aos boxes apertadinhos das galerias do bairro, finalmente tomei coragem de realizar um sonho de consumo: comprar o menor guarda-chuvinha que já vi na minha vida. Em comparação aos exemplares sem charme e totalmente descartáveis vendidos nos camelôs, a brincadeira poderia ser cara. Seriam R$15,00 investidos em um amontoadinho de lona e varetas de alumínio com pouco mais de 16cm. Sim, 16cm. Poderia caber em um estojo! E eu tenho bolsinhas de tamanho de estojos. J

 

Pois eu comprei o guarda-chuvinha. E ele é laranja, da cor exata de um colete salva-vidas. Coloquei-o na bolsa (coisa que eu odeio fazer com os do camelô) e esperei ansiosamente até um dia que chovesse para eu estreá-lo. Como eu sabia que, se eu o abrisse, não conseguiria dobrá-lo tão perfeitamente quanto os orientais que os produziram, preferi mantê-lo na capinha delicada, que fechava com um botãozinho prateado. Era meu mais novo “my precious”.

 

Pois o grande dia chegou. Foi quarta-feira passada, quando eu teria condições de escrever meu primeiro post. Pontualmente às 17h, quando eu saio do trabalho para não perder o fretado, vi pela janela que começou a chover (uma tempestade, na verdade). Abri um sorriso incompreensível e minha colega de trabalho chegou a me dizer “Legal, Má! Finalmente você vai usar seu guarda-chuvinha”. Afinal, eu os apresentei logo na segunda-feira, quando ele fez o primeiro passeio na minha bolsa. Coincidentemente, eu estava usando uma blusa laranja da mesma cor que ele, e meu diretor, já indo embora, parou e disse: “Olha só! Ela combina a roupa com o guarda-chuvinha!”. A comoção era geral.

 

Saí e parei estrategicamente na recepção para abri-lo. Peguei aquela coisinha na mão e – VUSH!.

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Cadê o resto do guarda-chuva!? Ele mal cobria meus ombros. Um coleguinha olhou e soltou uma risadinha abafada. Eu pedi respeito e apenas disse: “Tomara que ele agüente”. Saí e, mais alguns metros adiante, enfrentei a catraca para passar o crachá, bem em frente à guarita onde ficam os porteiros. Ao cruzar a catraca, só ouvi: “Olha o guarda-chuvinha dela!”. Eu já estava na rua; e meu corpo todo balançava de um lado pro outro. O danado não me protegia muito da chuva, mas seguia as ordens do evento que era uma beleza! Trombei com um pipoqueiro e o senhorzinho, embaixo do ponto de táxi, só disse: “Vai se molhaaar, moça”. Preciso dizer que idéia eu tive para me livrar do guarda-chuvinha ali mesmo!?

 

Cheguei ao ponto de ônibus e em poucos minutos meu fretado passou. Entrei e só então senti o estrago. Minha calça estava encharcada até os joelhos. As pontas do meu cabelo pingavam.

 

Cheguei em casa molhada e um tanto decepcionada. Minha mãe olhou bem pro meu rímel borrado e falou: “Você não levou seu guarda-chuvinha?!”. “Levei, mamãe. Ele está amassadinho aqui na minha mão”.

 

.você confiaria seu corpinho a ele?. 

.você confiaria seu corpinho a ele?.

 

Não tem como não sorrir ao olhar pra ele, é fato. Mas nunca pensei que um sonho de consumo tão inocente pudesse se transformar em tamanha fonte de chacota. É bonitinho, mas ordinário. E eu quero compartilhá-lo com todos você aqui. Porque, sem dúvida, vocês nunca o verão em ação em dias de chuva. Talvez eu o leve para passear qualquer dia. Não pesa nada na bolsa e arranca alguns sorrisos de outros transeuntes. Vejam aí do lado com seus próprios olhinhos. 

 

 Por Má-Má.

4 Comentários

  1. May disse,

    hahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha
    hahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha
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    hahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha
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    hahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

    sem mais.
    por favor, quero ouvir essa história pessoalmente no sábado.

  2. Heloisa disse,

    Eu falei, eu falei!

  3. Familiaridade « A palavra final é: continue… disse,

    [...] É sucesso internacional, minha gente! Nunca tive coragem de comprar um por causa do tamanho dele (talvez fosse mais bem sucedida do que essa experiência), mas me diga quem nunca trombou com um desses por aí? E quem nunca parou pra pensar como seria [...]

  4. Cocar à Carioca « A palavra final é: continue… disse,

    [...] minha sombrinha, que nem era tão “inha” quanto à da Má-Má, ela não deu conta do recado. Era chuva, vento, frio e medo. Sim, medo. Ainda não contei que eu [...]

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