Eu me remexo muito!

Outubro 31, 2008 at 9:06 am (Sem categoria)

 

Mas ainda não estou indo para uma rave em Madagascar… E na falta de uma balada na ilha africana, fico com as dançantes noites paulistanas, que não ficam atrás no quesito animação. Escolha o ritmo. Aqui você encontra um lugar pra mexer seu esqueleto! De samba-rock ao zouk, passando pela gafieira, salsa, forró… opções não faltam!

 

A questão é que quem sai para dançar costuma ser bastante sociável. Basta uma dança e dois dedos de prosa pra você ficar sabendo que o Walmir começou a dançar em 2006, quando se divorciou da Marisa, que a Solange se apaixonou pelos bailes quando viu a prima dançar pela primeira vez. Descobre, ainda, que o Ruy e a Célia se conheceram num desses bailes, casaram-se ao som da banda que tocava naquela ocasião e até hoje – 26 anos depois – freqüentam o mesmo lugar, todos os domingos.

 

Essas e outras histórias conferem a esses locais um clima nostálgico e romântico. E, nesse clima, eles viram cenário para as mais diferentes cenas, encontros e despedidas. Tais espaços são – assim como apenas os parques públicos talvez – extremamente democráticos. Lá encontram-se os casais apaixonados, as turmas de amigos antigos de longa data, solteiros animados, divorciados esperançosos, famílias com crianças (que nunca entendem que raios estão fazendo lá) e idosos saudosos. Impossível não gostar de tamanha diversidade!

 

Por isso, muitos daqueles que vão uma, duas, três vezes acabam se matriculando em aulas de dança pra não fazer feio no salão. Mas se você não é um pé-de-valsa, não se acanhe! A maioria das casas oferecem aulas express antes das apresentações da banda para os iniciantes aprenderem os passos básicos e garantirem a diversão.

 

Há quem diga que algumas pessoas nasceram “com os dois pés esquerdos” e, por isso, não têm o ritmo que a dança pede. A experiência própria me diz que até os mais travados, quando pegam gosto pela coisa, dão um baile! Basta se identificar com a música e o ritmo que os passos vêm como conseqüência. E aí a dança vira a coreografia para as melodias que falam com você. Os inspiradores de tanta empolgação são, então, os músicos. Sem eles o baile seria apenas um salão vazio!

 

Se você nunca tirou uma de suas noites para dançar dessa forma, inclua esse programa como a coisa nova para fazer nesse fim de semana. Se você conhece, com certeza gosta. Então já sabe: da próxima vez que for bailar, não hesite em me chamar!

 

 

Por Carrô.

 

*Post totalmente inspirado na delícia de baile que os meninos da Gafieira da Casa proporcionam. Para ouvir um pouquinho, visite: http://www.myspace.com/gafieiranacasa.

 

 

 

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Coisas que não precisam ser ditas/ouvidas na sociedade corporativa

Outubro 29, 2008 at 8:16 am (Sem categoria)

Conviver em sociedade é difícil. Para mim, é. Sei que as pessoas, animais, plantas ou qualquer outra coisa viva fazem isso há milênios, mas confesso que às vezes eu gostaria de ser uma rocha. Só para poder continuar no meio dessa bagunça, mas não ter qualquer chance de esboçar uma reação negativa quando o que eu mais queria era não ter sido rápida o suficiente pra alcançar o óvulo de mamãe antes do resto do pessoal.

 

Pois bem. Ultimamente tenho observado ainda mais a vida em sociedade corporativa. E percebo que muita gente às vezes gostaria de ser uma rocha, como eu. Em compensação, muita gente gosta de ser… hum… aquele mosquitinho inconveniente que ronda seu ouvido em noites de calor ou aquela pombinha que sai por aí lembrando a todos que ela pode voar e deixar rastros em sua cabeça ou aquele inseto que pensa que é folha ou… simplesmente… muita gente gosta de ser chata mesmo!

 

Entre as citações, situações, reuniões e outros eventos mais recentes, separei algumas pérolas de coisas que não precisavam ser ditas/ouvidas na sociedade corporativa*: 

- Oi! Você tá ocupada?

- Preciso muito da sua ajuda! Como eu faço pra inserir uma figura em uma apresentação de power point?

- Oi! Só você pode me ajudar. Como eu transformo word em pdf?

- Noooossaaa! Banheiro kinder ovo de novo! Argh!

- Olha o cofre daquela menina! Credo! Ai… desnecessário. Depiladoras devem conhecer muitos, mas eu dispenso. Se bem que é o melhor lugar pra depilar. Não dói nada.

- Eu me amo, eu me amo, eu me amo! Eu sou demais! Não sou??Que cara de sono! Quem está pior? Eu ou você?

- Por um acaso hoje é dia de vir de jeans, senhorita? (…) Ah, mas parece jeans. Só to falando porque eu também gostaria de vir…

- Lasanha e coca-cola normal no almoço!? Corajosa!

- A massa estava boa? Porque comer massa gelada é o ó! (nota da redatora: citação de um garçom em um evento corporativo após eu morder um rondelle e ter a sensação de que era um pé-de-moleque, de tão congelado que estava)

- Trilha sonora: Ceeeeeelebrate good times! Come on!” no mesmo evento do rondelle pé-de-moleque.

- Ah, sim. Você veio representando a empresa… (Hostess te despreza)

- Ai, to cansada. Posso ficar aqui um pouquinho olhando você trabalhar?

- Estarei fora do escritório entre os dias XX e XX. Em caso de urgência, entre em contato com Má-Má.

- Você pode, por favor, colocar esse anúncio no mural urgentemente? Meu chefe precisa vender esse conjunto de sofás o mais rápido possível!

- Oi! Eu de novo. Você pode colocar mais esse anúncio de venda de uma câmera digital no mural?? É da esposa do meu chefe. Urgente!

- Oi! É você que organiza a festa de fim de ano, né? Quanto custou a cesta de Natal ano passado? Este ano vai ter churrasco de novo?

- Você faz muuuuita questão de ir à festa das crianças? Se já foi chato organizar, imagina ir!

- Melhor você programar logo suas férias. É capaz de não conseguir porque todos querem sair no mesmo mês.

 

Com licença. Fui tentar transformar algumas pessoas em rocha e já volto.

 

*a identidade dos autores foi preservada por medidas de segurança. a minha segurança, claro.

 

Por Má-Má.

 

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Eu derreto

Outubro 27, 2008 at 1:10 pm (Sem categoria)

Olha, morei muito tempo em uma cidade quente. Quente de verdade. Do tipo de fazer 45ºC no sol e 40 na sombra. Do tipo de o governo declarar estado de emergência, as escolas fecharem e as crianças ficarem em casa cercadas por bacias de água para respirarem um ar mais úmido. A alemã, coitada, que ficou lá um tempo… pegou bem essa situação de calamidade! rs

Depois de 5 anos morando na cidade da garoa, desacostumei com esse calor infernal, literalmente, da bela Campo Grande. Esse final de semana comprovei minha fraqueza frente a temperaturas acima de 25ºC. Não bastasse a semana inteira sentindo um calorzinho desagradável e tendo que trabalhar feito louca, ao contrário da maioria, quando não tenho na minha programação para o final de semana uma ida à praia ou a alguma piscina qualquer, torço para que o tempo feche mesmo, faça friozinho; só dispenso a chuva.

No sábado acordei com a nuca suando. Gente, ninguém merece! Juro. Passei o dia todo intercalando meus pensamentos com a imagem de uma praia com mar bem azul e areia bem branquinha, água de coco ou caipirinha e um guarda-sol gigantesco me protegendo dos perigosos raios solares. Mas, mas, mas… essa imagem, infelizmente, não saiu de alguma parte do meu cerebelo. Ali ficou. O máximo que fez foi contribuir com minha ansiedade para minhas férias.

No domingo, acordei esperançosa de que o calor estivesse mais ameno, até deslumbrei um céu cheinho de nuvens porque, afinal, tinha que pegar um belo busão e ir votar. Mas não, o calor permanecia. Tomei um banho gelado. Tentei colocar uma calça jeans, mas grudou tudo. Desencanei. Sainha e tomara-que-caia. Mau humor. Meia hora esperando o busão. Lotado. Vidros semi abertos. Trânsito. Calor. Suor. Fumaça. Mau humor. Calor. Calor. Calor. Caralh*! Por que tem que fazer um puuuuuuuuuuuuuta calor no dia de votação?

Sei que é exemplo de falta de inteligência emocional, mas percebi que o calor acompanhado de cidade, trabalho, compromissos, reunião, votação, calça jeans e afins é sinônimo de mau humor, impaciência, desânimo e irritação. Não? Fora os aspectos físicos que desfavorecem qualquer um. Cabelo suado. Pele brilhando. Alguém aí me entende?

Tá vendo aquela sombrinha ali? Era pra eu estar ali e não aqui.

Tá vendo aquela sombrinha ali? Era pra eu estar ali e não aqui.

Por May.

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Memória olfativa

Outubro 23, 2008 at 12:29 pm (Sem categoria)

Assim como a May, tenho sérios problemas de localização. Mas o problema se limita à geografia porque, se dependesse do cheiro que cada rua de São Paulo tem, meu nariz seria um GPS.

 

Tenho uma relação bizarra com a memória, seja ela qual for. Pensei em fazer uma série de posts sobre todas as categorias e resolvi começar pela olfativa; porque ela me leva de volta para o lugar, o sentimento, a época, à comida ou à roupa que um dia estiveram perto de mim ao vivo, em cores e, claro, em cheiro.  Aqui estão algumas memórias tão aguçadas quanto meu olfato:

 

 

O shampoo da minha avó: o Colorama verde, muito verde, que eu nunca vi à venda em nenhum lugar. Pelo que sei, foi o primeiro que ela comprou, logo que chegou a São Paulo, há mais de 40 anos. Aquele cabelinho liso e fininho foi direto da banha que virava sabão lá na roça para essa fórmula ultra-secreta e exclusiva (gosto de pensar que é só dela) e até hoje nada me dá maior sensação de conforto do que aquele cheirinho verde.

 

 

O protetor de lábio sabor abacaxi da Lipsmacker: só comprei porque era o único que tinha filtro solar, antes de viajar para fora do Brasil e enfrentar um mês de neve (é! Porque neve queima também!). O danado durou a viagem inteira e até hoje abacaxi me faz lembrar dos morros de neve que desci (e dos tombos que levei) em cima da câmara do pneu de caminhão da family de lá. Nunca mais vi para vender.

 

 

O strogonoff da minha mãe. Ela odeia cozinhar, mas é chegar em casa e sentir aquele cheiro pra esquecer do trânsito que peguei do trabalho até ali. Nem adianta dizer que nunca provei o da sua mãe, pai ou de qualquer chef famoso. Para agradar toda a família (e manter a sanidade da minha irmã), não leva um pingo de mostarda, mas, sei lá o que ela coloca a mais, faz toda a diferença, do portão de casa até o prato colocado na mesa.

 

 

CK One: o perfume que uso há 10 anos. Todo dia, três borrifadas que fecham o ritual matutino em casa. É com ele que saio quando o sol ainda não nasceu e é com ele que volto quando o astro-rei já se pôs.

 

 

Garagem de prédio: cheiro gelado de cimento. A lembrança de um tempo em que combinar a bermuda de cotton com a camiseta e tênis era a maior preocupação. Ainda bem que nunca consegui usar as sandálias Melissinha de plástico que tanto gostava. Naquele cimento da garagem do prédio onde eu morava, munida com meu POPI, apostei (e ganhei) muitas corridas com as outras crianças (todas maiores e mais velhas). Claro que o cimento gelado quase virou refeição. Alguns capotes em alta velocidade também eram inevitáveis.

 

 

Milho cozido: praia e Av.Paulista. Duas referências, de momentos completamente diferentes da minha vida. O primeiro, em uma época que hoje parece muito, muito distante: as constantes idas à Praia Grande e os passeios (perigosíssimos) sentada no guidão de uma bicicleta preta hiper retrô. O motorista gostava de se arriscar por entre as nuvens de fumaça dos carrinhos de milho que tomavam conta do calçadão e todas as vias adjacentes. Juntos, quase derrubamos vários, só pra passar no meio da fumaça que saía da panela de milho cozido pelos tiozinhos caiçaras. A referência mais atual, que, sempre que posso, torno a viver, é me arriscar nos “mío no pratinho” da Av. Paulista. Duvido que a manteiga seja mesmo Doriana (é muito melhor!), mas nunca tive coragem de perguntar pra não deixar os ambulantes em saia-justa.

 

 

Poderia ficar o dia todo exercitando meu nariz (e minha memória), mas paro por aqui. Até porque a memória olfativa nunca está sozinha e quase sempre vem acompanhada de uma boa dose de saudosismo. Agora é respirar fundo e… droga! Acabo de ter uma alucinação lembrando do cheiro do chocolate meio-preto meio-branco do Iô-Iô Mix que levava pro recreio do colégio! Alguém sabe se isso ainda é vendido?

 

 

Por Má-Má.

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Um GPS, por favor

Outubro 20, 2008 at 12:29 pm (Sem categoria)

Nem sei como me ocorreu a vontade e a coragem de falar sobre essa minha deficiência aqui, publicamente. Espero que meu namorado nunca venha a ler esse texto, pois terá uma declaração oficial minha sobre o que ele insiste em dizer que é apenas distração. Não, sinto em declarar que tenho um problema mental com mapas, rotas, atalhos e afins. Tenho problemas com localização geográfica e orientação espacial! Pronto, falei. Sério. As mulheres podem dizer que se identificam com essa característica, provada cientificamente ser prevalente em genes XX, mas meu caso é mais grave. Tentei encontrar alguma referência sobre isso na internet, mas só achei artigos comparando homens e mulheres e não é bem esse ponto que quero abordar aqui.

Faço aqui um apelo aos engenheiros (são eles que criam GPSs?)… Pois bem, por favor, alguém inventa um GPS para pedestres? Não riam. Juro que eu faria orçamentos e me planejaria para comprá-lo. Não sei por que, mas não consigo decorar qual rua corta qual, qual rua é mão para subir, qual é para descer, qual é mão dupla, qual ponte cai onde, qual lado da Marginal devo ‘pegar’, qual rua é paralela a qual, enfim, pra onde devo ir mesmo?

Mulheres pensam em muito mais coisas enquanto andam, dirigem ou acompanham pessoas no banco do passageiro. Isso é um fato. Penso em tanta coisa que esqueço de prestar atenção no caminho. Grave? Ahhh… nem, vai… Certa vez, juro, fui fazer um retorno – dar a volta no quarteirão para pegar o outro sentido da avenida, onde minha irmã me esperava depois de comprar alguma coisa na farmácia – e sim, me perdi. Em uma cidade desconhecida? Em um bairro para o qual eu nunca tinha ido? NÃO. No centro da cidade em que morei 10 anos. Eu sou assim, sabe… esquecida.

Já passei por situações embaraçosas, mas não pensem que me incomodo muito com isso. Algumas vezes, ou melhor, as vezes em que estou acompanhada de amigas, perder-se no caminho é ótimo. Juro! Dá tempo de colocar a conversa em dia, discutir vários aspectos de um mesmo acontecimento, passar pela 1ª vez naquela ponte nova que inaugurou há tempos e vc só via pela televisão, reconhecer de relance alguns prédios e ruas e ter aquele déjà vu de ‘Já passei por aqui antes’ (afinal, é o caminho do seu trabalho ou a 3ª vez que vcs estão passando por ali pra tentar acertar a saída) e ainda dar boas gargalhadas. Nessa hora, se eu tivesse um GPS, desligaria. Com certeza.

Por May.

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