Era só de passagem…

Setembro 10, 2008 at 8:55 am (Sem categoria)

 

Se há um estabelecimento no mundo onde eu consiga passar mais tempo do que o escritório em que trabalho ou meu quarto seguramente é uma livraria/loja de CDs e DVDs. Tenho cartão fidelidade de todas as redes que o oferecem. É como se eu pudesse transitar num universo paralelo onde é totalmente aceitável pelas leis morais e cívicas trocar de parceiros, visitar intimamente todos eles num mesmo dia e ainda por cima não se sentir uma depravada por conta disso.

 

É a alegria dos pontos acumulados e descontos (às vezes) simbólicos para os artigos que tanto me encantam e que um dia me disseram que irão desaparecer. É! Esta semana mesmo me disseram que a HP (Hewlett-Packard mesmo) está estudando um papel eletrônico. Tem textura e peso de papel, mas carrega micro-não-sei-o-quê na sua estrutura que poderá ser “carregado” com o conteúdo que quisermos! Tipo, meio assustador. Nem quero pensar nisso agora.

 

Além dos livros, um pouco mais caros do que eu gostaria que fossem (exceto as versões pocket, que não têm o mesmo encanto da capa, papel, letra, etc.), esses meus cartões fidelidade também contribuem para que continuar cultivando um hábito que comecei a praticar ainda na primeira década da minha vida: a compra de CDs. Amo. Amo os encartes, as capas produzidas, as capas que eu não entendo, os créditos, os agradecimentos, as letras e, mais que isso, o plástico que o envolve. Não consigo descrever minha alegria ao rasgar tudo aquilo pra ver de pertinho aquele plástico ainda brilhante e tirar o encarte com cheiro de gráfica de dentro dele… ai, ai… é quase como desembrulhar ovo de páscoa trufado pra mim.

 

Ontem estive em uma dessas lojas; e era das grandes. É sempre um teste da minha resistência. Agora começaram a vender camisetas de bandas! A tentação foi grande. Mas, no melhor estilo “um depois do outro” (ou melhor: “um dia de conta no azul depois do outro”), não comprei nada; mas matei saudades de uns CDs que nunca tive coragem de comprar por causa do preço (pode um CD custar R$64,90?!? Sou uma dependente de mídias que ainda ama o nome limpinho no SPC/Serasa).

 

E não adianta me dizer que MP3 é a mesma coisa! Essas versões NUNCA têm a mesma qualidade das originais. Isso porque eu mesma já fiz o teste de comparar as faixas do CD com as outras três que puxei na Internet. Os especialistas já me disseram que elas perdem a qualidade mesmo. Eu acredito e permaneço fiel. Afinal, tem coisa mais legal do que, depois de 45min olhando pra prateleira “MPB”, segurando 5 CDs na mão, ouvindo outro que ainda te deixa na dúvida se merece ocupar o vão entre o dedo anelar o mindinho pra também ser segurado, um atendente vem em sua direção e diz: “Olha, dei uma olhada no que você tá segurando e acho que você vai gostar disso”. E traz pra você um exemplar que, no meio de tantos outros (e numa caixinha de papelão entre as de plástico brilhante) você não tinha reparado. É um exercício de percepção! Fora que você faz um amigo e ele ainda diz que em breve receberá coisas novas de artistas que você também gosta e que – uau! – pode reservar os itens pra você! E – sim!! – eles te ligam avisando quando chega!!!

Sempre que entro numa dessas lojas, é assim: só de passagem. Na verdade é A passagem; para esse mundo de sons novos, encartes, plástico e muita novidade. Acabo descobrindo coisas novas, relembrando coisas velhas, comprando algo que sempre quis ou algo que nunca soube que existiu.

o CD é dos melhores, o vocalista é lindo e o próprio desenhou essa capa.

.uma das descobertas preferidas: o CD é dos melhores, o vocalista é lindo e o próprio desenhou essa capa.

Foi assim com vários artistas que hoje ocupam um espaço privilegiado no quarto (haja prateleira) e na minha memória. Quem quiser me acompanhar numa viagem dessas qualquer dia (nem precisa do suporte da CVC ou – no sentido figurado – de psicotrópicos), pode me chamar. Conheço roteiros e ainda acumulo milhas!

 

 

 

 

Por Má-Má.

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Ingressos Impossíveis

Setembro 8, 2008 at 9:17 am (Sem categoria)

Pensa naquele show que todo mundo quer ir. Pois é. Ele existe. E não só um, mas muitos. E é aí que mora o problema. Problema para quem quer pagar – e não é pouco – pra assistir um ídolo ou apenas um show bacana. Mas o que se vê é uma falta de preparo das empresas de eventos para atender um público já esperado. Nesses últimos dois meses passei por duas situações igualmente revoltantes. A primeira foi minha tentativa totalmente frustrada de comprar ingresso para o show de Caetano Veloso e Roberto Carlos em homenagem aos 50 anos da Bossa Nova. Quando o site liberou as vendas, eu estava lá, já tentando o meu ingênuo ticket. Depois de 1h15 de venda, ainda dando F5 no site de vendas, pulou um pop-up como se dando um tapa na minha cara: “Os ingressos para o show do Roberto Carlos e Caetano Veloso acabaram”. Será possível isso? Só me faz pensar que todos os ingressos já haviam esgotado antes mesmo de as vendas começarem. E que anunciam que venderão ingressos pro PROCON não cair matando.

 

Sei que não sou só eu que fico p. da vida com essas coisas. Enfim, vejo lá nos portais uma discussão infinita de pessoas dos mais variados lugares do País relatando suas tentativas em vão de comprar um ingresso. Fico imaginando o que os artistas pensam sobre isso. Porque, ok, deve ser muito bom ver que os ingressos para uma apresentação sua acabaram na primeira hora de venda, congestionaram as redes e as linhas telefônicas e causaram alvoroço nas bilheterias. Mas será que eles não pensam no resíduo ruim que o fracasso da compra de um ingresso pode ficar? Será que se preocupam com isso um tiquinho que seja? Porque, né, tipo se eu não consigo um ingresso pro show da Madonna, por exemplo, daqui uns anos não vou lembrar da T4F – Tickets Fur Fun, empresa responsável pelo evento, mas sim, da puta da Madonna.

 

Madonna esta que é pauta para outro assunto. Se não fosse a insistência da querida amiga Rafa, nenhuma de nós iria ao show. E deixo claro aqui que a insistência dela foi do mesmo tamanho que a minha, diferente da sorte. Afinal, ela conseguiu e eu não. Nem sou tão fã assim dela (da Madonna. Da Rafa sou bem mais! rs), mas não queria perder a oportunidade de vê-la em ação, dando o espetáculo em palco que sempre vejo na TV. Acho que me entendem, né?! Esse é um daqueles shows que não se pode negligenciar a chance de assistir porque não se sabe mais se haverá outro. O caso do show de Caetano + Rei era exatamente essa a minha maior motivação, além de adorar os dois.

 

Bato muito na tecla de que se não tem estrutura para atender a demanda gigantesca de público – fato que não é novidade quando se trata de um show da Madonna -, simplesmente não disponibilize a venda de ingresso pela internet e telefone. Quem quiser, vai até aos postos de venda e compra. Pelo menos a pessoa está ciente que não terá a chance ilusória de adquirir seu ticket por outros meios se não o pessoalmente.

 

O fato é que, apesar de eu já ter o meu ingresso garantido segundo nota divulgada pela T4F, dizendo que todos os que tiveram os ingressos debitados em suas contas têm os tickets certos, não me conformo com as condições às quais somos submetidos para comprar os ingressos. Parece que estamos fazendo um favor em comprá-los ou que sejam de graça. Ao contrário disso, creio que 180 reais não seja barato pra ninguém que nos lê aqui. E uma puta falta de respeito com os clientes disponibilizar meios com atendimento tão precário em plena era digital, em que tudo deveria ser mais fácil e organizado que no século passado, no mínimo. Será que é uma tática para as pessoas desistirem de ir ao show?

 

 

Por May.

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Antes que deixemos de ser jovens…

Setembro 5, 2008 at 9:41 am (Sem categoria)

Quero compartilhar trechos de uma crônica com vocês. Não sei muito bem qual é o tipo de relação das pessoas com aquilo que lêem. Sei que eu tenho certa dificuldade de lembrar onde li aquele texto que gostei ou especificar as características desse ou daquele personagem do livro tal do autor X. Enfim, de alguma forma, tudo isso se mistura nas diversas áreas do meu cérebro e lá ficam pra me confundir com as referências.

Mas existem as exceções. Aqueles textos que sei de cor e salteado, de frente pra trás e de trás pra frente, cito nome, autor e até década em que foi escrito. Como é o caso dessa crônica do Affonso Romano de Sant’Anna, um escritor que tem uma obra extensa e que descreve algumas situações de forma tão simples e tão real que parece que estou vivendo o momento. De qualquer forma, “Quando se é jovem e forte” é um texto que marcou. Talvez por ainda não ser jovem quando o li pela primeira vez (e contava com os meus 13 anos) e ansiar pelo momento de o ser para enfim poder entender do que é que ele estava falando.

Acontece que agora me parece que faltam pessoas para nos dizer uma palavra de incentivo e sobram aquelas que pressionam. Antes que esqueçamos que ainda somos jovens, vamos à crônica:

Uma vez uma mulher me disse: vocês jovens não sabem a força que têm.

De certa maneira ela dizia: vocês têm o cetro na mão. E eu, jovem, tendo o cetro, não o via. Aquela frase lançada generosamente sobre minha juventude poderia ter se perdido como tantas outras que necessito hoje, mas não me lembro. Contudo, ela ficou invisível em alguma dobra de lembrança. Ficou bela e adormecida muitos séculos, encastelada, até que, de repente, despertou e me veio surpreender noutro ponto de minha trajetória.

Possivelmente a frase ficou oculta esperando-me amadurecer para ela. Só uma pessoa não-mais-jovem pode repronunciá-la com a tensão que ela exige.

Vocês jovens não sabem a força que têm.

Pois essa frase deu para martelar em minha cabeça a toda hora que uma adolescente passa com sua floresta de cabelo em minha tarde, toda vez que um rapaz de ombros largos e trezentos dentes na boca sorri com estardalhaço gesticulando nas vitrinas das esquinas.

Outro dia a frase irrompeu silenciosamente em mim como coroamento de uma cena. Uma cena, no entanto, trivial. Estávamos ali na sala de um apartamento e conversávamos. Um grupo, digamos, de pessoas maduras. De repente entra pela sala uma adolescente: pedindo à mãe que veja qualquer coisa em seu vestido ou lhe empreste uma jóia. E quando ela entrou tão naturalmente linda, não de beleza excepcional, mas de uma beleza que se espera que uma jovem tenha, quando ela entrou, um a um, todos foram murchando suas frases para ficarem em pura contemplação.

Ali era disfarçar e contemplar. Parar e haurir. Esta experiência se repete quando se entra numa universidade e se vê aquele enxame de camisetas, jeans e tênis gesticulando e rindo entre uma sala e outra, entre um sanduíche e um livro, sentados, displicentes, namorando sob árvores e na grama, como se dissessem: eu tenho a juventude, o saber vem por acréscimo.

Infelizmente não vem. E a juventude se gasta. Como as pedras se gastam, como as roupas se gastam, se gasta a pele, embora a alma se torne mais densa ou encorpada.

Por isto, ver um (ou uma) jovem no esplendor da idade é como ver o artista no instante de seu salto mais brilhante e perigoso ou ver a flor na hora em que potencializa toda a sua vida e imediatamente nunca mais será a mesma.

Claro, há jovens que são foscos e velhos e velhos que são radiosos adolescentes. Não é disto que falo. Estou falando de outra coisa desde o princípio. Daquela frase que aquela mulher depositou na minha juventude e agora renasceu.

Gostaria de doá-la a alguém.

OK, Sant’Anna. Desejo atendido!

O texto sem edição e outras palavras do Sant’Anna aqui.

Por Carrô.

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Anos dourados

Setembro 1, 2008 at 3:15 pm (Sem categoria)

Esse final de semana foi a festa de aniversário de 15 anos da minha irmã caçula. Rolou uma discoteca na garagem de casa. Não pensem em nada além das características da classe média. Colocamos uns TNTs pretos e o DJ se encarregou dos globos de luz, fumaças e som. Ficou legal de verdade! Nada de festa de debutante, com trocas de roupa ou dança com Mário Frias ou Paulo Vilhena. Minha irmã é mudééééérna. Acha tudo isso muito brega. Óbvio que a animação rolava solta quando os jovens ouviam o funk bombar na pista ou as músicas gays (sempre certeiras) faziam quem estava sentado na mesa levantar e curtir com os amigos os movimentos estereotipados.

 

Eu estava animada. Dancei bastante e também fiquei bem saudosa, confesso. Era engraçado ver os meninos encostados na parede, cochichando e só reparando nas menininhas dançando. Como em toda turma, tem as pop, que são amigas de todo mundo e não temem opiniões, pois sabem que essas sempre são positivas e quando são desfavoráveis, dificilmente são ditas. É assim que funciona a sociedade. Qualquer uma. Daí tem aquela mais tímida, um pouco de lado, mais preocupada com o cabelo do que em dançar de fato. E tem aquela dispirocada, né… toooooda suada já… gritando, descendo até o chão, chamando os meninos pra xinxa. Adoro.

 

Eu fiquei de canto muitas vezes… a roda se fechava e sobrava eu, minha tia e minha mãe, tentando não esbanjar movimentos muito robóticos diante de tanta naturalidade jovial. Mas algumas vezes as meninas mais sem vergonha (no literal mesmo), me acudiam e me recebiam na rodinha. Claro que não sabia a coreografia da dança do quadrado e de todos os funks que não ‘Glamurosa, a rainha do funk’, mais ou menos da minha época. E quando tocava uma música que eu reconhecia e sabia a letra, provavelmente que eu curtia nas festas dos meus 15 anos, ouvia uns comentários ‘Nóóóóóóóssa…. essa músicaaa!!! MUITO velha, mano!’. Ok. Isso não chegou a me incomodar, mas me fez sentir meio fora do contexto.

 

Lembrei de quando era eu a anfitriã da festa e quando o gelinho era na minha barriga ao ver o garoto que eu gostava e tinha ficado chegar. Era tão gostoso ganhar um presente da cada um. Não que eu não adore as nossas vaquinhas de hoje, afinal, somos classe média (de novo!). Antes, era mamãe que ia ao shopping e comprava o presente do amigo que faria aniversário no final de semana. “Filha, a festa é de quem? Menino ou menina? Qtos anos?”. Saía e voltava com o presente comprado. Com exceção das amigas mais amigas, eu ficava sabendo o que era o presente junto com o aniversariante. Uma praticidade, uma bênção. Era bom demais fofocar com as amigas e ter assunto para as próximas duas semanas na escola. Ficar escolhendo roupa um mês antes. A ansiedade da véspera. A dúvida cruel de quais nomes cortar da lista pq a mamãe só liberou 50 convites. “E se ninguém vier?” rsrs

 

Hoje sinto que aproveitei da melhor forma possível e reconheço em cada uma das amigas e amigos da minha irmã as minhas amigas, os meus paqueras. Os anos passam, mas a adolescência continua a mesma coisa para as gerações que vêm. Foi muito bom vivenciar essa nostalgia, mas certamente não trocaria estar lá por conta de um dia de folga do trabalho e acompanhada do meu namorado de quase 4 anos. Eu adorava a época de experiências, riscos e coisas novas a todo vapor, mas não adianta, sou uma pessoa que busca continuamente segurança e estabilidade (chatices da ‘adultisse’. Chata de morrer), coisas que a adolescência definitivamente não proporciona. E por isso é tão maluca e inesquecível!

 

 

Por May.

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