Anos dourados

Setembro 1, 2008 at 3:15 pm (Sem categoria)

Esse final de semana foi a festa de aniversário de 15 anos da minha irmã caçula. Rolou uma discoteca na garagem de casa. Não pensem em nada além das características da classe média. Colocamos uns TNTs pretos e o DJ se encarregou dos globos de luz, fumaças e som. Ficou legal de verdade! Nada de festa de debutante, com trocas de roupa ou dança com Mário Frias ou Paulo Vilhena. Minha irmã é mudééééérna. Acha tudo isso muito brega. Óbvio que a animação rolava solta quando os jovens ouviam o funk bombar na pista ou as músicas gays (sempre certeiras) faziam quem estava sentado na mesa levantar e curtir com os amigos os movimentos estereotipados.

 

Eu estava animada. Dancei bastante e também fiquei bem saudosa, confesso. Era engraçado ver os meninos encostados na parede, cochichando e só reparando nas menininhas dançando. Como em toda turma, tem as pop, que são amigas de todo mundo e não temem opiniões, pois sabem que essas sempre são positivas e quando são desfavoráveis, dificilmente são ditas. É assim que funciona a sociedade. Qualquer uma. Daí tem aquela mais tímida, um pouco de lado, mais preocupada com o cabelo do que em dançar de fato. E tem aquela dispirocada, né… toooooda suada já… gritando, descendo até o chão, chamando os meninos pra xinxa. Adoro.

 

Eu fiquei de canto muitas vezes… a roda se fechava e sobrava eu, minha tia e minha mãe, tentando não esbanjar movimentos muito robóticos diante de tanta naturalidade jovial. Mas algumas vezes as meninas mais sem vergonha (no literal mesmo), me acudiam e me recebiam na rodinha. Claro que não sabia a coreografia da dança do quadrado e de todos os funks que não ‘Glamurosa, a rainha do funk’, mais ou menos da minha época. E quando tocava uma música que eu reconhecia e sabia a letra, provavelmente que eu curtia nas festas dos meus 15 anos, ouvia uns comentários ‘Nóóóóóóóssa…. essa músicaaa!!! MUITO velha, mano!’. Ok. Isso não chegou a me incomodar, mas me fez sentir meio fora do contexto.

 

Lembrei de quando era eu a anfitriã da festa e quando o gelinho era na minha barriga ao ver o garoto que eu gostava e tinha ficado chegar. Era tão gostoso ganhar um presente da cada um. Não que eu não adore as nossas vaquinhas de hoje, afinal, somos classe média (de novo!). Antes, era mamãe que ia ao shopping e comprava o presente do amigo que faria aniversário no final de semana. “Filha, a festa é de quem? Menino ou menina? Qtos anos?”. Saía e voltava com o presente comprado. Com exceção das amigas mais amigas, eu ficava sabendo o que era o presente junto com o aniversariante. Uma praticidade, uma bênção. Era bom demais fofocar com as amigas e ter assunto para as próximas duas semanas na escola. Ficar escolhendo roupa um mês antes. A ansiedade da véspera. A dúvida cruel de quais nomes cortar da lista pq a mamãe só liberou 50 convites. “E se ninguém vier?” rsrs

 

Hoje sinto que aproveitei da melhor forma possível e reconheço em cada uma das amigas e amigos da minha irmã as minhas amigas, os meus paqueras. Os anos passam, mas a adolescência continua a mesma coisa para as gerações que vêm. Foi muito bom vivenciar essa nostalgia, mas certamente não trocaria estar lá por conta de um dia de folga do trabalho e acompanhada do meu namorado de quase 4 anos. Eu adorava a época de experiências, riscos e coisas novas a todo vapor, mas não adianta, sou uma pessoa que busca continuamente segurança e estabilidade (chatices da ‘adultisse’. Chata de morrer), coisas que a adolescência definitivamente não proporciona. E por isso é tão maluca e inesquecível!

 

 

Por May.

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