Quem tem medo do fofão da Paulista?

Agosto 6, 2008 at 9:38 pm (Sem categoria)

Nessa semana temática, coincidentemente ou não, falarei sobre um personagem que, há algum tempo, entrou na minha vida numa situação ironicamente relacionada com a que vivi há poucos dias. Sabe aquele tipo de situação que você vive, mas não explica? E na verdade parece que aconteceu em algum filme tipo “Crash” ou com um amigo do primo do seu vizinho? Pois, feliz ou infelizmente (uau! Um post controverso), foi comigo mesma que aconteceu.

 

Muitas são as teorias sobre o personagem urbano que eu escolhi: o fofão da Paulista. E com uma figura dessa, esse post SÓ poderia ser controverso. 

.haja purpurina.

.haja purpurina.

Para quem nunca viu, muito prazer (ou não). Este aqui do lado é o próprio, que tem até comunidade no orkut. Muitos são os relatos que tentam explicar sua existência. Uns dizem que as bochechas são resultado de uma tentativa mal-sucedida de injeção de silicone, outros reproduzem (olha só a fonte segura) o seguinte “a tia do dog disse que é um traveco que injetou óleo no peito… só que óleo de cozinha e aí subiu para as bochechas”. Muitas são as dúvidas: é traveco? É drogado? É deformado de nascença? É japonês(!)?.

 

 

Eu só sei que, sem essa figura, um dos piores dias da minha vida poderia ter sido pior! Isso porque (fato comum a outros relatos) foi no farol da Augusta com a Paulista que vi o fofão pela primeira vez. Eu estava sozinha no carro, me sentindo uma barata que sobreviveu a uma explosão nuclear (leia-se: em prantos. E não questione se baratas choram! Basta entender o conceito) quando ele apareceu, vestido de palhaço (leia-se: usando um macacão de bolas coloridas, peruca de duas cores, duas grandes bolas de blush nas bochechas, segurando algo que parecia um livrinho de cordel). Tudo o que eu queria era que o farol, todo embaçado, abrisse logo pra eu estar cada vez mais perto do meu destino.

 

Mas não. Foram nos segundos em que eu esperava o vermelho virar verde que ouvi um som metálico, como a voz de uma vítima que não quer ser identificada na entrevista do Fantástico, me falando: “Moooooooçaaaaaaa, não choraaaaaaaaaa. Não choraaaaaaaaaa. A vida é boooooooooooa. A vida é boooooooooa. Olha aquiiiiiiiii!!! Compra esse livrinhoooooo! É de poesiaaaaaaa. É aaaaaarteeeeeeee!”.

 

Eu, assustadíssima, disse: “Não. Não quero. Obrigada!”. E por um segundo minha glândula lacrimal pareceu precisar de assistência técnica. Olhei pra ele. Ele me olhou. Acho que rolou um momento “olhos brilharam” (obrigada por compartilhar este conceito, má). O meu, de medo, claro. Minhas pupilas provavelmente alcançaram o máximo diâmetro permitido pelas leis da oftalmologia. O farol abriu, eu segui meu destino, pensando: “Como aquela criatura poderia me dizer que a vida é boa?!”.

 

Meses se passaram e não mais vi o fofão. Pensei ter sido uma alucinação. Como habitué da Paulista que é, cheguei a ficar preocupada sobre sua condição, como a May ficou com o Carlão. Eis que, num domingo de junho, prestes a entrar numa sessão no “Teatro do Ator” e depois de comer um lanchão de carne louca e tomar um vinho quente na quermesse da Paróquia da Consolação, o fofão deu as caras (purpurinadas). Entrou no hallzinho do Teatro, falou qualquer coisa sobre minha irmã e o namorado (algo como “Casaaaal! Casal! Moço altooo!), quando havia apenas um grupo de cinco meninos, eu, um amigo e o casal em questão. A carne realmente enlouqueceu no meu estômago. O vinho ficou mais quente do que quando eu havia tomado. Só faltou embaçarem as luzes. Tensa, muito tensa, eu olhei pro chão e fiquei esperando esses segundos eternos, assim como fiz no farol, passarem. E passou. Só tive tempo de ver que ele estava vestindo uma calça skinny, uma regata rosa tão skinny quanto a calça, um colete preto e (sim) uma cartola.

 

Agora, dias depois de resgatar (só de leve) minhas memórias de cucaracha, o fofão está aqui, de novo em minha vida, em forma de post. Sem ele saber, participou de grandes momentos e, (olha só a controvérsia), diferente de muitos relatos da comunidade no orkut (que denunciam perseguições, pragas sobre calvície, tentativa de cegueira por conta do reflexo da purpurina das bochechas frente à luz do Sol e até sugestão de – bem… – liberar a retaguarda pra perder o medo dele), quando comecei esse meu relato, a única coisa em que conseguia pensar era: “A vida é booooooooooa. A vida é boooooooooa”. De novo, aquela situação que eu não consigo explicar. Deve ter sido o cumprimento de uma profecia urbana que lhe atribuem… segundo uma integrante da comunidade, “Dizem que se ele encostar em você, ele te passa a maldição da purpurina”. E, definitivamente, pra vida ser booooooooa, nada como uma boa dose de purpurina!

 

Por Má-Má.

13 Comentários

  1. Cunha disse,

    Eu já ouvi uma história de que o Fofão da Paulista é irmão daquela barata no filme Man In Black. Aquele que luta com o Will Smith no fim.
    Vc´s se lembram que a barata se veste com a pele de um humano?
    Pois então, nosso personagem usa a mesma tática. A única diferença é que ele não veio para destruir o planeta, mas sim para entreter as pessoas com a sua arte.

  2. May disse,

    Mano! Eu tentei achar uma foto ou um video do Carlão. Poderia jurar que já estaria disponível no mundo web 2.0, mas na-da! Triste! hahaha

    Genial esse Fofão… qdo eu morava na Pamplona, todo domingo quando saía para comer um pastel, ele estava na esquina da Paulista… todo purpurinado. Um dia uma criança o viu e começou a chorar. Ele, sem desconfiar que era medo dele, foi até ela e disse: “Não choooola!!! Não cholaaaaa! Olha a florzinha aqui!” hahaha A criança esperneando e os pais rindo… hahahaha

    Espero que um dia vejamos o querido Fofão juntas. hahahahaha

  3. Skaf disse,

    Haha.. sem comentários por hoje…

    Num sei quem é o fofão. Mas acho que se eu o vir tbm choro! hahahahaha

    bjoooo

  4. Mari disse,

    A-D-O-R-E-I. Às vezes a gente encontra um apoio onde menos espera… há algum tempo, eu estava no ônibus com essa mesma sensação de barata explodida (rsrsrs) e o cobrador me deu uma bala de hortelã. Aí ele falou: “moça, eu sei que isso não vai resolver o seu problema, mas é só pra você saber que ninguém está sozinho nessa vida”. E juro que não foi xaveco!!!! :)

  5. Ricardo disse,

    Vi ele há um ano atrás, mês passado o vi de novo, confesso que fiquei assustado, que deu medo, mas me senti triste por ele, bateu uma solidão. As pessoas devem julga-lo sem ao menos conhecer, mesmo se conhecessem ainda não seria certo. E toda história que li, (inclusive do orkut) ele me parece ser uma pessoa que mesmo por trás de todas as dificuldades de seu rosto, vive a vida é boooooooooooa!

    Pelo menos ele tenta e acho que isso o mantém vivo e tem muito mais vida que outros…

    vlw pelo post..

    bjs

  6. Diego Macena disse,

    Hoje vi esse ser bizarro no dito cruzamento da Paulista com a Augusta e a reação não podia ser diferente da esperada, tomei um susto do caralho ao ver seu rosto inchada e comprido enquanto esperava distraidamente o farol abrir. Foi um susto que eu não sentia desde q

  7. Diego Macena disse,

    Hoje vi esse ser bizarro no dito cruzamento da Paulista com a Augusta e a reação não podia ser diferente da esperada, tomei um susto do caralho ao ver seu rosto inchado, comprido e maquiado de ?palhaço? enquanto esperava distraidamente o farol abrir. Foi um medo que eu não sentia desde criança quando ví a estátua do Zé Pilintra(uma figura negra com terno branco e chapéu) na loja de macumba.

  8. Má-Má disse,

    hahahahaha

    meu!! o fofão estava à solta na sexta-feira tb, por volta das 18h…ele nem deve ter tido tempo de tirar a maquiagem pq ainda estava de palhaço…
    hahaha
    e acompanhado de um amiguinho!!!

    diego e ricardo, quem são vcs!? espiões a serviço dos personagens urbanos da Paulista!??! hahaha

  9. Renan disse,

    Eu já vi o Fofão! Uma vez passando pelo MASP, distraído, pensando na vida, eis que olho para o horizonte e vejo aquela cabeça gigante, por alguns segundos pensei que estávamos sendo invadidos por outro planeta, fiquei com medo… é sério. Não queiram encontrar esse car

  10. Flávia disse,

    Tadinho gente, ele nunca fez mal a ng, só é um pouco bizarro..rs..Encontro direto ele pela Paulista e ele não costuma falar coisa com coisa ai eu me pergunto…Aonde ele mora??Como ele vive?Etc, etc…Weird..

  11. O Palavra por aí « A palavra final é: continue… disse,

    [...] o post mais acessado – cerca de 750 visualizações!!! – fala do personagem urbano Fofão da Paulista. Visto isso, continuaremos com a ‘estratégia’ de escrever sobre o que nos interessa para [...]

  12. Geraldo disse,

    Meeeeeeeeeeeeedo!!!/

    Esquina Augusta x Paulista ontem 19/07

    :O

  13. Andréa Amaral disse,

    Genteeeeeeeeeee!!!!!! A vida é boaaaaaaaaaa (mesmo) quando nos deparamos com um texto como o seu! Você traduziu a mesma experiência que eu vivi com o Fofão. Eu havia saído do cinema no Frei Caneca e estava chorando por causa do filme. Quase caí de costas quando essa criatura bateu no vidro do meu carro oferecendo o livrinho (roteiro cultural de SP). Senti tudo o que você descreveu. Estou rolando de rir até agora. Parabéns. Lembre-se: a vida é boaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!

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