A razão dos meus pesadelos.
Tem uma coisa que vem me tirando o sono no último mês. Não é um problema no trabalho, nem de saúde, muito menos tomei um pé na bunda. Aí você pode pensar que é estresse acumulado, estilo de vida, insônia, ronco alheio ou quiçá as Olimpíadas. Nada disso. O problema é que troquei de travesseiro. Não ria, estou falando sério! E toda noite penso na maldita promoção da Etna que me fez comprar logo cinco travesseiros novos (apenas pra matar a curiosidade alheia, não foram todos pra mim. Fiquei tão empolgada que resolvi comprar travesseiros para todos lá de casa)!
É, porque eu achava que o meu antigo travesseiro já estava fazendo hora-extra. E como dizem que depois de um certo tempo de uso metade do peso dos edredons, bichinhos de pelúcia, almofadas e travesseiros é composta de ácaros e seus dejetos, resolvi que era hora de trocá-lo. Então cheguei em casa, abri a embalagem dele (Uma beleza de embalagem, menina! Precisa ver. Certeza que será reutilizada em futura viagem, provando que, de fato, sou da classe média!), coloquei uma fronha nova e esperei ansiosamente a hora de dormir! E ela chegou. Então lá fui eu.
No primeiro encostar de cabeça… “Nossa, que conforto, quanta maciez…”
Na décima virada… “É, ainda preciso acostumar com a nova altura. O outro estava muito velho e meu corpo acostumou errado, né? Vai ser excelente pra coluna!”
Na quinta vez que acordei na mesma noite… “P*ta que o pariu! Que idéia de jirico trocar de travesseiro no meio da semana!! Amanhã eu pego o meu de volta!”
No dia seguinte… “Mãe, cadê meu travesseiro velho?”
“Ih, filha… dei embora. Já temos os novos. São ótimos, né? Adorei!”
…
A verdade é que todo mundo lá de casa se adaptou rapidamente aos raios dos travesseiros. E eu, a empolgada-mor com a troca, estou a ver navios até hoje! Sim, peguei um outro travesseiro X lá em casa pra quebrar o galho porque até hoje o pescoço e a coluna reclamam quando faço mais uma tentativa frustrada de dormir com ele. Sinto mais é que estou dormindo com o inimigo, viu…
Dia desses descobri que, por conta da utilização freqüente, o travesseiro da minha irmã já está bem mais baixo que o meu! E não tenho vergonha nenhuma em assumir que resolvi fazer uma troca do dela com o meu (mas ela que não me leia por aqui!). Mas travesseiro que se preze não gosta de trocar de dono e o dela não foi diferente. Resolveu que não me deixaria dormir confortavelmente e lá fui eu buscar o exemplar X no meio da noite.
Tudo isso, pessoal, pra dizer que old habits die hard. E enquanto isso a gente sofre. Dessa vez é o travesseiro novo. Mas já foi o começo da faculdade, da mudança de horário do inglês, de um novo emprego. Adaptar-se a tudo que é novo leva um certo tempo e a graça está em você conhecer seu próprio ritmo. Tem coisa, no entanto, que não dá!! E por isso que ontem quando cheguei em casa e fiquei feliz da vida. Eu ganhei um travesseiro novo e esse passou no teste!
Por Carrô.
Autocontrole testado dia a dia
Já pararam para pensar em quanta coisinha pequena do cotidiano nos fazem querer gritar ‘Que c*!’, mas nos contentamos com apenas dizer baixinho e, muitas vezes, só pensar mesmo? Você não fica irritada (o) quando…
… alguém te dá 5 anos a mais do que vc tem de fato?
… vc descobre mais uma celulite na perna?
… o ônibus passa enquanto vc está virando a esquina?
… o telefone toca quando vc entra no chuveiro ou começa a escovar os dentes?
… vc acorda naquele dia de sol hiper quente e quando vai colocar sua sainha/vestidinho/shortinho ou afins percebe que não está depilada?
… a bolacha com requeijão cai de ‘barriga pra baixo’ no tapete?
… vc está com uma puta pauta pro seu próximo post do blog e quando começa a escrever o texto vê que a idéia é mais sem sal que comida pra hipertenso?
… o email que vc estava esperando cai direto no Lixo Eletrônico?
… vc liga o rádio e a música que vc ama está nos últimos segundos?
… o microondas quebra?
… só vc sai de olho fechado na foto em que a turma toda saiu linda e sorridente?
… vc é cobrada de uma coisa que estava na caixa de saída do email?
… vc compra uma blusa linda e na semana seguinte ela está na vitrine pela metade do preço?
… a NET dá problema e vc fica sem telefone, internet e TV a cabo?
… chegam as contas com vencimento para o maldito dia 05?
… vc precisa ligar para o Atendimento ao Cliente da CLARO?
… alguém te conta o final de Batman antes de vc ver?
… vc descobre que terá que trabalhar no sábado de manhã?
… sua lista de pendências está virando a página?
… vc fica horas na fila do cinema e quando chega sua vez de comprar o ingresso a atendente diz: ‘Os ingressos pra essa sessão acabaram de acabar!’?
… vc percebe que acabou o papel higiênico da sua casa e tem que ir correndo comprar no supermercado?
… vc tem que colocar aparelho fixo no auge dos seus 22 anos?
… vc está com dificuldades para dormir e quando, finalmente, pega no sono o telefone toca? E quando ainda é engano?
… vc lembra que no 1º ano da faculdade aquela calça jeans linda entrava?
… o final de semana acaba e vc nem percebeu que ele passou?
… vc quer se dedicar a escrever um texto legal pro seu blog sobre um assunto mais complexo e é obrigada a deixar a idéia para a próxima semana pq não consegue conciliar as mil tarefas do trabalho mais os textos do curso que tem que ler?
… sua amiga da Alemanha vai embora e vc não consegue se despedir?
… faz semanas que não se encontra com suas amigas do Brasil pra bater um papo?
… vc chega num churrasco e a cerveja está quente?
…
Se eu fosse colocar todas as coisinhas irritantes do dia-a-dia passaria horas por aqui. E se eu esqueci te contemplar algo muito relevante em termos de irritabilidade, por favor, me lembre. Listar todos os itens faz parte da minha terapia para me manter mais calma… rsrs Obrigada.
Por May.
À classe média
Recentemente, foi publicada uma pesquisa que comprovou o aumento da classe média no Brasil. Os números me assustam e os critérios que a definem – ainda que estatisticamente comprovados – continuam duvidosos.
Pois vejam: segundo a FGV, 32% dos trabalhadores das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife que estavam em situação de miséria em janeiro deste ano aumentaram de renda e subiram na escala social. A pesquisa classifica 52% da população dessas regiões como classe média, entendendo-se como tal as famílias com rendimento mensal de R$ 1.064 a R$ 4.591.
Ainda que não tenha opinião formada sobre muitas coisas, tenho a maior dificuldade para ser imparcial. E minha idéia com esse post não é discutir se a classe média não quer só comida, quer comida, diversão e arte (e quem consegue isso com uma renda familiar de R$ 1.064?!?!?! A arte fica por conta da mágica… e é mais fácil atribuir a sobrevivência ao milagre da multiplicação, não!?). Acima de qualquer discussão terrena sobre o assunto, compartilho o que faz de mim parte desses 52% da população das regiões metropolitanas das maiores capitais brasileiras.
Atire o primeiro brinde quem quiser se excluir dessa porcentagem. E traga um pratinho de doce ou salgado quem se identificar com as seguintes situações:
- Sempre que vou a eventos (de entretenimento ou corporativos), espero ganhar brindes. A expectativa vai do lápis à pen-drive bacana.
- AMO coffe-breaks e cafés-da-manhã de hotéis. Não há croissant da Vila Zelina que se equipare.
- Em compensação, não conheço bairro com mais opções de padarias e rotisseries tão caseiramente saborosas quanto o tradicional reduto lituano que habito ou a Mooca querida. O milho no pratinho do Cambuci também me surpreendeu.
- Adoro confraternizações em que cada convidado se encarrega de levar um prato de doce ou salgado. O mais legal é conhecer as habilidades culinárias alheias (que se estendem às respectivas mães ou padarias e rotisseries mais próximas, citadas acima) e sair com uma bandejinha diversificada, coberta por magipack.
- Percorro de fretado metade da cidade no trajeto casa-trabalho por falta de recursos (financeiros e psicológicos) de bancar o carro, que fica na garagem descoberta da casa abandonada colada na minha. É neste ambiente que conheço outras histórias da classe média, como o temível Boneco de Neve detentor da pasta de couro sintético mais amigável do universo dos materiais artificiais.
- Se morasse em apartamento, certeza que participaria de reuniões de condomínio. Só pra dar opinião na cor da poltrona do hall que nunca foi usada e na planta artificial que ocupa o vaso ali no canto.
- Vou a restaurantes por quilo e, se escolho salada, é só palmito! Imagina… pelo mesmo preço do tomate! Tem que aproveitar!
- Se o restaurante é rodízio, traga logo o salmão em todas as apresentações. Nada de pepino agridoce pra mim.
- Fico tão ansiosa pelas férias que virão (e igualmente preocupada com o orçamento disponível para aproveitá-las como gostaria) que até a senha para acessar o computador no trabalho carrega o destino e o ano em que acredito que conseguirei visitá-lo.
- Os gastos previstos em lugares desconhecidos (principalmente aniversários em baladas) são automaticamente convertidos em número de Happy Hours que poderia realizar ao longo da semana, quase sempre equivalentes a R$15,00/cada (decorrentes da calabresa acebolada coletiva pessoas e dois chopps)
- Guardo inúmeras sacolas de papelão de lojas de roupas. Nunca sei quando precisarei de uma para levar aquele sapato pra trocar o saltinho que já caiu de novo!
- Tenho amigos igualmente classe-médios para fazer passeios baratinhos e geniais, como uma visita ao zôo ou uma voltinha pela Benedito Calixto, só pra ver as (velhas) novidades do circuito alternativo comercial paulistano.
Pronto. Fiz minhas confissões de classe média. Diga-me você agora a média dos seus hábitos com mais classe! Ops! A média da sua classe de hábitos! Ou a classe dos seus hábitos médios… hum… o conceito continua confuso!
Bem…fique à vontade! E depois volte aqui pra eu embrulhar um pedaço de bolo pra sua mãe! Aposto que ela vai adorar essa carne louca também… e o salpicão de frango, então…
Por Má-Má.
Os sabores de São Paulo
É sabido que a capital paulista está entre as principais cidades da gastronomia mundial e não deixa nada a desejar quando comparada a Paris e Nova Iorque. É fato também que contamos com cerca de 5.850 pizzarias, 500 churrascarias, 256 restaurantes japoneses e outros inúmeros estabelecimentos que oferecem comidas típicas de todos os cantos do planeta para atender os mais diversos gostos.
Mas São Paulo tem também o lado B da culinária, vamos dizer assim. Só quem vive por aqui é que percebe uma das peculiaridades que mais gosto na cidade: a comida de rua. É, aquela mesma em que o vendedor coloca seu carrinho/barraca na calçada e vende de tudo. Tudo mesmo. Vejamos:
Domingão, você acaba de sair do cinema e deu vontade de comer yakissoba. É só sair pras calçadas da Paulista que lá estarão eles, os chineses (ou seriam coreanos?) com seus apetrechos sujos, macarrões suspeitos e um fogaréu de assustar os transeuntes. Você pode escolher entre a porção pequena, média ou grande e, por um preço muito razoável, se empanturra desse delicioso prato da cozinha oriental.
Mas se você não é apreciador da comida criada no oriente, tente aquela iguaria tipicamente brasileira, de origem indígena, feita com amido e que pode ter recheio doce ou salgado. A tapioca é uma excelente companheira do estômago vazio no caminho de casa – porque as barraquinhas estão sempre perto dos pontos de ônibus – ou no meio da tarde. Também encontrada na Av. Paulista ou no centro da cidade.
Pra substituir o café da manhã caseiro – que, com o trânsito maluco que piora a cada dia, vem se tornando cada vez mais raro –, os moradores da cidade descobriram uma excelente alternativa que começa lá pelas seis da matina e dura até o fim dos estoques. É a banquinha matinal, que se espalha por todos os cantos do centro expandido. E ela tem tudo para um desjejum completo: café, leite, café com leite, pão francês, bolo de fubá, bolo de chocolate, biscoitos, sucos…
De uns tempos pra cá, percebi uma nova tendência surgindo nos terminais de ônibus: a batata frita. No formato “palito”, ela vem conquistando cada vez mais fãs, acomodadas nas embalagens quadradas de isopor branco e acompanhadas por sachês de ketchup. Às 17h30 já se começa a sentir o cheiro delas sendo fritas nos arredores dos terminais, vê-se as pessoas fazendo fila pra garantir seu petisco da volta pra casa. O problema aqui é que os companheiros de transporte público sempre levam suas porções para dentro dos ônibus. Aí dá-lhe suportar aquele cheiro de fritura justo na hora que seu estômago sente que está na hora de ser alimentado…
O clássico milho das pipocas anda se apresentando de outra forma ultimamente. É o milho-verde-cozido-no-pratinho-com-manteiga. Sabe a embalagem da batata? Então, ela é cortada no meio e vira o tal pratinho. Nele, o vendedor corta uma espiga ou duas (depende da generosidade do preparador do prato), joga um pouquinho de sal, uma colherzinha de margarina e pronto. Aí está o companheiro dos intervalos das aulas noturnas na faculdade, o mata-fome da Virada Cultural, o melhor cheiro nas redondezas das estações de trem.
Se nenhuma dessas opções apareceu no seu caminho, não se preocupe. Certeza que, se você é um usuário dos ônibus paulistanos (e intermunicipais), vai encontrar alguém que não quer atrapalhar sua viagem, mas quer um minuto de sua atenção para apresentar uma novidade dessa ou daquela empresa e que você não acha mais barato do que na mão dele. De balas a salgadinhos, passando pelos chocolates e “clubes sociais”, você pode escolher.
E nem falei aqui dos tradicionais cachorros-quentes, pastéis de feira ou das pipocas nas portas dos teatros. São Paulo tem muitas opções pra quem tem fome e pouco tempo (e dinheiro). De vez em quando, vale render-se a elas. Só não vale abusar e depois reclamar da pressão sangüínea, da gordura abdominal, do colesterol alto….
Por Carrô.
Férias urbanas
Pessoal, desculpem a falta de pontualidade. Estou de férias… urbanas!
Pelo menos foi assim que a minha família abordou a seguinte notícia comigo: “Então, Má… sua irmã está de férias e fará uma viagem com a mamãe. Já o papai ultrapassou todas as metas lá no trabalho e, como reconhecimento, ganhou uma viagem de cinco dias para a Bahia. Você… bem… você estará de férias… urbanas!”.
Ahm. Então tá. As minhas férias praianas, campestres, montanhescas ou simplesmente caseiras eu nem sei quando serão concedidas. Mas, de fato, sem mamãe, papai e irmã mais velha, estou de férias. Férias da comida quentinha, da possibilidade de pegar aquele cinto emprestado com permissão e da carona matutina até o ponto de ônibus.
O balanço geral até agora foi: muitas calorias ingeridas (ah. Jura que não é saudável uma alimentação à base de chocooky e miojo três dias seguidos?!), um resgate à minha infância (quando eu adorava dormir na casa da minha tia, no colchão jogado no chão do quarto da minha prima mais velha, que tinha todas as bijuterias, bolsas e óculos rosa com estampa de zebra que eu amava), unhas do dedão do pé roxas (claro que na minha mala só coloquei vestuário adequado para os 28º que a Josélia Pegorin me prometeu), franja tão ondulada quando o resto da juba (alguém sabe onde fica o secador no banheiro da tia?!) e, claro, aquela pontinha de saudade de dizer bom dia mal-humorada para quem me pôs no mundo e me agüenta até hoje.
Pois saibam que, nas minhas férias urbanas, só esqueceram de incluir as férias. Diga-me aí você: tem coisa mais urbana do que pagar conta de cartão de crédito pro pai? Ou tentar falar com as outras duas mulheres com o mesmo sobrenome que eu e topar com dois celulares na caixa postal, enquanto se deliciam em praias quentinhas e tomam água de côco geladinha?
Que me perdoem os deuses do trânsito e da meteorologia maluca; peço perdão aos funcionários de colete amarelo do metrô e dos adolescentes que furam o passe da Ponte ORCA (alguém consegue me explicar pra que serve aquele furinho?!) mas… será que não dava pra trazer um pouco das areias finas e do Sol da Paraíba pra cá?! Quem sabe os orixás baianos dão uma forcinha…
Por Má-Má.