Panela velha é que faz comida boa…
Foi com essa frase que eu terminei o último domingo, quando completei 22 anos. Não que eu me sinta velha agora que ouço que cheguei aos dois patinhos na lagoa (aliás, qualquer tentativa de entender tempo e idade tem se tornado efêmera e insuficiente à medida que ambos parecem aproximar-se de mim mais intensa e rapidamente). Mas porque, não importa quantos anos eu completo, sempre parece que os velhos hábitos e desejos dão as caras ali, no pedido que eu faço ao apagar as velinhas.
Assim foi com o convite de última hora para a família toda comparecer a um estabelecimento que era a nossa cara: barulhento, bem iluminado, com ares de nostalgia e um belo buffet de saladas, massas e outros pratos quentes. A reserva foi feita com um dia de antecedência e, milagrosamente, o lugar tinha disponibilidade para receber 30 pessoas no dia 27 de julho.
Sentada bem no centro da mesa, observei tanto quanto fui observada. Engraçado como aniversariante é encarado como se não pudesse se sentir constrangido. Só consigo pensar que, ou meu tio percebeu que meus dentes da frente já cresceram ou ele está procurando minhas rugas. Ah, é possível que tenha reparado na maldita espinha também! Tenho certeza de que minha prima gostou do meu brinco… e que só os 70% de visão que minha avó reconquistou depois da cirurgia de catarata a fazem pensar (e dizer) que sou a menina mais bonita que ela já viu (ao lado das outras sete netas, claro).
Por todos os cantos da mesa, reparo nas opiniões sensatas ou não sobre a “lei seca”, assaltos a japoneses na Vila Ema, resgate de memórias da nossa infância, relatos sobre a vida na marreca, primas pré-adolescentes e camisa suja de molho à bolonhesa. Parece tudo novo, de novo. Com aquela mesma sensação de conforto no evento que, mesmo na sua 22ª edição, continua parecendo o momento mais especial da minha vida.
Da mesma forma que o almoço, o dia terminou no improviso. Agradeço às companheiras que deixaram o conforto dominical do lar para me ajudar a chegar à esquina mais escondida de São Paulo, que abriga um bar aconchegante e estranhamente familiar para nós, fanfarronas de plantão (e nem tão familiarizadas com o “dois pra lá, dois pra cá” da gafeira).
Cheguei em casa e já nem era mais meu aniversário. O desejo de que o dia seguinte não fosse segunda-feira bateu forte (deveria ter pedido isso ao assoprar as velinhas!), mas fui dormir com um sorriso no rosto. O mais legal é que sábado tem mais.
Por Má-Má.
Castanhas, nozes e amêndoas são frutas?
Sem idéia sobre o que postar, recorri à Ma-má, que me deu uma grande idéia: ‘Que tal um post sobre comidas?’. Me passaram várias coisas pela cabeça: 1. Como como mal. 2. Como comi pior ainda nesses dois últimos fds. 3. Como adoro comer. 4. Como como mal. Vejam que genial essa frase: “A comida é como os amigos. Assim como há o tipo de amigo com quem você pratica esportes, há aqueles com quem você vai a museus, com quem você troca confidências. Assim são os alimentos.” Esse é o nutricionista estadunidense, Jonny Bowden, que acabou de lançar um livro com os 150 alimentos mais saudáveis do planeta. Em uma entrevista para a revista Época, destacou os alimentos Top 10. Tive uma surpresa! Não como melhor pq não quero – e porque moro sozinha -. SIM. Dos 10 alimentos mais saudáveis do planeta (!!!), só não gosto de 2: folha de beterraba e goiaba. Porém, nem tudo são flores. Como uma representante dos 6 milhões de brasileiros que moram solitários, segundo pesquisa realizada pelo instituto Market Analysis, e publicada na Consumidor Moderno, ajudo a consumir cerca de 40% dos produtos embalados disponíveis nos supermercados. Esse número me assustou. E me fez parar para pensar um pouco. Me assustei mais ainda. Acho que uns 90% dos produtos que compro no supermercado são enlatados. Triste realidade. Vejam bem: chocolates, bolachas, requeijão, sucos de caixinha – os que não têm gominho porque me dão aflição -, molho de tomate enlatado, picles em conserva, palmito, batata frita, polenta, lasanha Sadia, salsicha, Danette, pipoca de microondas, etc enlatados.
Agora vejamos bem a lista dos 10 alimentos mais saudáveis do mundo. Mundo não, planeta. A sardinha ajuda o organismo a liberar o mercúrio. Ahn? Eu compro mais atum que sardinha… será que é semi a mesma coisa? Já o repolho, notem vocês, contêm grandes concentrações de substâncias antioxidantes e anticancerígenas chamadas de indoles e sulforafanos. Oi? São as mesmas substâncias que causam as flatulências em exagero? Por que, né. O açaí, a goiaba e a cereja fresca… ok. Tudo que é fruta e tal… com cores vibrantes, naturais, fresquinhas… faz bem à saúde ZZzzzZz O problema é que ninguém merece comer goiaba. Fora o cheirão.
Daí o cara, nutricionista autor do estudo, diz que a folha da beterraba ajuda a proteger os olhos contra o envelhecimento. Olha, se me disserem que ajuda a proteger o corpo inteiro do envelhecimento, até topo tapar o nariz e engolir a casca da beterraba, que já é horrível sem casca, mas só os olhos?? Muito pouco. E a semente de abóbora então? Por que cargas d’água o ‘valor nutricional mais importante’ não está na própria abóbora? Na semente mano?
Daí vem a parte boa da coisa: chocolate meio-amargo. Eu, como boa opsonomaníaca por chocolate amargo, adorei a idéia de que esse alimento divino ‘diminui a pressão sangüínea e promove o bom funcionamento do sistema circulatório, além de ter altas concentrações de magnésio, mineral importante para mais de 300 processos biológicos do organismo’. 300!!!!!! É ou não é divino? E as frutas oleaginosas – vulgas castanhas, nozes e amêndoas -? Não é que estão no Top 10?! Em 8º lugar, acho que por causa do elevado teor calórico. Mas adoro saber que quando comer demasiadamente essas frutas estarei consumindo algo bom além das muitas calorias. E, por fim, a canela. Nem preciso dizer: delicinha, além de, olhem só, ajudar a controlar o nível de açúcar e de colesterol no sangue.
Bom… você deve estar se perguntando: se ela come 8 de 10 alimentos considerados os mais saudáveis do mundo, por que, no início do post, disse que estava triste ao perceber sua performance alimentar frente aos resultados do estudo? Respondo: o fato é que, dos 10 alimentos mais perigosos à saúde, como todos. E como é de imaginar, com muito mais freqüência. O 1º está lá: açúcar. Oi? Quem não come? Batata frita. Pérai, reconheço-a da minha lista mensal de supermercado, assim como refrigerante, salgadinhos, pão branco, salsicha, sorvete, macarrão instantâneo e margarina. Só o algodão-doce que só como quando vou ao circo. Menos mal.
Alguém aí conhece uma pessoa que mora sozinha e tem hábitos alimentares saudáveis? Preciso de um benchmarking.
Por May.
Mais do que bolas voadoras
Calma, não me entenda mal. Não vou contar nada de cunho sexual. Bolas aqui são as pelotas, aquelas com as quais as crianças brincam e os atletas disputam campeonatos. Mais do que isso: vou falar sobre um jogo fascinante que só existe por causa dessa invenção. O vôlei. Meu primeiro contato com o esporte aconteceu quando ele era jogado ainda pela regra antiga. Lembra da vantagem? E dos sets de 15 pontos, da regra do saque na rede (em que, quando a bola encostava na rede, o adversário ganhava a vantagem)? Tinha jogo que ninguém nem aguentava ver até o final.
Pra ganhar mais agilidade e dinamismo, o vôlei mudou suas regras e ganhou novos fãs. E, de repente, virou o segundo esporte na preferência dos brasileiros, atrás apenas do (sempre ele) futebol. Ok, de repente nada. Por trás das conquistas das seleções adultas nos últimos anos está um trabalho bem feito que começou muito antes, com as seleções de base. E começamos a conhecer um esporte que é o retrato de um Brasil em que queremos viver, com muitas recompensas para aqueles que suam a camisa (literalmente).
Como todo esporte, existe a ligação emocional inevitável com os times. No Brasil, ainda não temos campeonatos fortes como o futebol, seja estadual ou nacional. Por isso, as seleções recebem a maior parte da atenção dos fãs. Comigo não é diferente. Pense em alguém que acompanha desde 1999 a seleção brasileira masculina de vôlei. Que conheceu a seleção do técnico Radamés Latari, de Carlão, Giovanni, Maurício e Giba no começo da carreira adulta. Prazer. =]
Momento confissão: nada disso que eu falei nesses parágrafos aí em cima me importavam lá na década passada. Meu interesse mesmo era no Giba! Eu achava o máximo aquele cara com aquele olhão e com o cabelo despenteado o tempo todo. Pra mim, desde sempre ele deu sinais de que seria um dos grandes destaques do vôlei brasileiro e me encantava a atitude dele dentro e fora das quadras. Pense em alguém que vibrava a cada ponto feito, que apoiava a equipe em todos os momentos e não desanimava nunca. Que é humilde para acatar todas as orientações do técnico e ousado para arriscar jogadas em momentos decisivos. Que passa uma empolgação que eu vi poucas vezes em qualquer profissional e transmite isso no seus pontos, nas suas jogadas, para sua equipe e para a torcida.
Por causa dele comecei a acompanhar a Superliga Masculina de Volei, o campeonato brasileiro, e quando ele foi jogar na Itália, o campeonato italiano era programação constante na TV do meu quarto. Como assistir aos jogos por causa de uma pessoa não rendia muita coisa, passei a prestar atenção no que estava acontecendo entre aquelas linhas que delimitam a quadra – e no que muitas vezes se passa fora delas. Entendi aos poucos a complexidade de um jogo que parece simples, fiquei encantada com todo o planejamento que tem por trás de uma partida, de um campeonato. Estatísticas, planilhas, números, preparo físico, estratégias e muito treino. Mas também companheirismo, espírito de equipe, superação pessoal e em conjunto.
Em 2008 essa seleção tem um desafio pela frente: vai defender o título olímpico em Pequim. Os aquecimentos já começaram com a Liga Mundial e continuam nesse fim de semana, na fase final da Liga, que acontece no Rio de Janeiro. Dessa vez não deu pra ir pro Rio e ainda não descobri um jeito de ir pra China num bate-e-volta baratinho. Algo me diz que a TV do meu quarto já tem programação certa para o próximo mês…
Por Carrô.
Para quem é bom de verdade…
Já estive por aqui fazendo uma homenagem às pessoas que avisam que a porta está aberta, um tipo especial que me faz acreditar na humanidade. Pois eu nem preciso me aventurar em grandes avenidas para conhecê-las. Elas estão à minha volta todos os dias, desde que eu nasci: da vizinha que tentava cessar meu choro ao som de Melô do Marinheiro, dos Paralamas, nos meus primeiros meses de idade, à amiga que conheci no dia do trote e concordou comigo que era perigoso demais ir à casa de um garoto que havíamos conhecido naquele dia, fazendo pedágio na Brigadeiro Luís Antônio.
Essa é uma história sobre uma pessoa que, de tão boa, obteve compaixão de quem não poderia ter nenhum traço de bondade. Estou falando de uma grande amiga e de um ladrão mesmo. Essa história me faz rir só de ser lembrada. E espero que eu consiga reproduzi-la com todo o bom humor que ela carrega.
Estava ela esperando a mãe chegar em frente a um ponto de táxi. Batendo papo com um taxista, um rapaz se aproximou. Expansiva, simpática e linda, claro que ela respondeu ao “Boa tarde” que ele dirigiu a ela e ao motorista de táxi e ali mesmo engatou uma conversa. Ela segurava o celular recém-adquirido, sem arranhão algum, quando nem era tão comum ter câmera acoplada, esperando a mãe anunciar a chegada. Todo articulado, o rapaz disse a ela: “Nossa, a minha esposa está doida por um celular desse! Ela está logo ali! Faz um tchauzinho pra ela!”. Na esquina, uma moça acenou e sorriu para minha amiga. Então a reciprocidade se manifestou e claro que ela respondeu com um sorriso de iluminar qualquer penumbra. Sentindo confiança, o moço disse: “Olha, você poderia emprestar o seu celular rapidinho pra eu mostrar pra ela e ver se é esse mesmo? Quero comprar de presente!”.
Minha amiga titubeou, mas pessoas bondosas como ela duvidam que outras pessoas também não o sejam. Foi assim que, voluntariamente, ela entregou o aparelho nas mãos do desconhecido que parecia estar tão empenhado em agradar a esposa (Claro. Porque romantismo nunca é demais pra esse tipo de ser humano). Eis que, para provar que ainda é possível ter fé na humanidade sem que ela precise dar um toquinho duplo na buzina, foi o rapaz que titubeou. Ele voltou e disse: “Olha, fica com o meu celular por enquanto… como garantia de que eu volto pra devolver o seu”.
Como há coisas na vida que a gente não explica, foi depois de dois passos que o rapaz deu que a mãe da minha amiga chegou, buzinando. Na seqüência, o diálogo:
- Peraí, mãe! O moço foi logo ali…
- Que moço!? Entra logo no carro! Não posso parar aqui!
- Mas… o moço… meu celular…
- Mas o quê!? Não posso parar aqui!!! Entra logo!
- Mãe! Caramba! A esposa… ali, na esquina!! Mas…
- Você foi roubada!?
- Acho… acho que fui… seu João, cadê seu amigo!?
- MEU amigo?! Pensei que fosse seu! Nunca vi aquele cara!
- Mas…
- Anda, filha! Não acredito! Entra logo!
O celular do ladrão, sem quaisquer informações pessoais, ficou em posse da minha amiga por quase dois anos, até os pais julgarem ser seguro dar-lhe um novo aparelho, quando ela completou 20.
Hoje, pelo acúmulo de pontos com a operadora, ela conseguiu gratuitamente um novinho, lindo, todo moderno e está toda orgulhosa de ter abandonado de vez a idéia de entregar celulares para pessoas desconhecidas mostrarem aos seus cônjuges.
Mas o sorriso e a simpatia, ah, isso ela não abandonou. E eu me sinto uma pessoa melhor só de poder ouvir essa mesma história incansavelmente da protagonista, acompanhada por um sorriso tão bom que resgatou a bondade em um pilantra muito do esperto!
Por Má-Má.
As mesmas coisas de sempre … sempre diferentes
Pra quem acompanhou minha frustrada tentativa de vir (sim, vir e não ir. Depois explico) para casa pode comemorar comigo! I’m home, babies! Quanto ao meu pensamento constante que tudo acontece por um motivo maior que nossa vontade, mais uma vez, estava certa. Por ‘coincidência’ – pra quem acredita nela – essa semana rolará um evento de um cliente numa cidade aqui perto – uns 300km de Campo Grande – e minha chefe me escalou para acompanhar. Ela, fofa de tudo, me permitiu ficar em casa e voltar quando eu quiser… com a condição de estar em São Paulo na próxima 2ª feira. Vou voltar no domingo. Há.
Mas a questão é: estou em casa de novo. E como há muitos anos não ficava. Com excessão de feriados prolongados ou finais de semana, desde julho 2004 não fico em casa mais de 4 dias seguidos. E daí tem os dois lados: a delícia de dormir em casa e almoçar com a família e a chatice do dia-a-dia compartilhado, diferente daquilo que há muito é feito só comigo mesmo. Egoísmo? Maybe.
E por aí vai… existem coisas que nunca mudam. Mas que agora, as vejo diferente. Dormir na minha cama. Pra mim agora é lembrança, saudades, reflexão, passado. E, para pegar no sono, deito na cama da minha irmã, que é onde meu namorado está dormindo. Futuro? Deixo para sonhar na minha cama no meu apartamento em São Paulo. Aqui só quero sonhar com as coisas boas que já vivi.
Nos churrascos de domingo, passava meio tempo com o pessoal para comer e o resto dele preferia ficar no quarto, lendo ou ouvindo música ou deitada no sofá da sala, vendo tv ou cochilando. Dois motivos: o alto da minha aborrescência e a comodidade de saber que domingo que vem aquilo se repetiria. Ontem, não saí de perto da churrasqueira por nada. Grudei na minha mãe. Conversei e ri (muito) com minhas irmãs e aproveitei o brinde de ter meu namorado junto. Estava solícita, participativa e feliz.
Antes, durante minhas férias ou durante o ano letivo mesmo, me irritava acordar com a voz da minha mãe dando instruções de prioridades de limpeza e passando o cardápio do almoço do dia para a empregada. Hoje gostei. Senti a alegria de saber que aquela voz vai voltar pra almoçar comigo.
Mas ao mesmo tempo: sinto falta de as coisas estarem no exato lugar em que eu as deixei quando. Sinto falta de chegar, ficar e sair no silêncio. Sinto falta de ver o canal que eu quiser, mesmo que não seja nenhum. Morro de saudades de falar no telefone contando todas as coisas do dia pro meu bem sem me preocupar com o interurbano. De apagar as luzes e trancar a porta quando saio.
Coisas que continuam igual pra todo mundo. Menos pra mim.
Por May.
