Sei, mas não sei…

Junho 18, 2008 at 8:07 am (Sem categoria)

Sei que é segunda-feira quando a soneca do despertador tem que ser ativada três vezes num intervalo de 27 minutos e fico ansiosa pra acompanhar as reflexões da May durante o fim de semana (se não passamos juntas) pelo post do dia.
Mas nunca sei se conseguirei atualizar o papo sobre as peripécias (ou monotonia) dos dias de folga com meus companheiros de extracorporativos.

Sei que é terça-feira quando a pizzaria já está aberta e uma das motos continua estacionada na esquina.
Mas nunca sei se conseguirei recuperar o sono acumulado ou se a semana ainda pode melhorar.

Sei que é quarta-feira quando a primeira coisa que eu quero fazer quando chego ao trabalho é publicar meu post e deixar a média de 54 e-mails não lidos ainda em negrito na minha caixa de entrada no Outlook.
Mas nunca sei se vou terminar o dia com um post no ar e, pelo menos, metade das pendências resolvidas.

Sei que é quinta-feira quando eu quero muito sair de carro, mas não posso por causa do rodízio. Os bares já ficam apinhados de gente anunciando o fim de semana e não vejo nenhuma moto ociosa em frente à placa “Forno à lenha”.
Mas nunca sei a que horas chegarei em casa porque, aparentemente, o rodízio só vale pra mim e toda a frota de seis milhões de carro da cidade de São Paulo resolveu desfilar por aí por pura provocação.

Sei que é sexta-feira quando pergunto pra Carrô se o texto dela está pronto e recebo uma notificação de que já posso visitar nosso bloguinho. Não seguro o risinho bobo ao pensar na possibilidade de sair mais cedo e pegar aquele cineminha ainda com preço de matinê, seguido de Happy Hour na Paulista ao som das buzinas, à luz da antena da Gazeta, incontáveis chopps e o cheiro da calabresa acebolada impregnado na minha roupa.
Mas nunca sei dizer “Não, não posso” quando, às 15h14, alguém com muito charme me pede algo urgente para segunda-feira e, pela diferença de 37 minutos, eu demoro 1h30 para percorrer o trajeto equivalente a três estações de trem na Marginal (e, claro, perder o horário do filme).

Sei que é sábado quando posso dormir até acordar, arrumar meus CDs em ordem alfabética e organizar as roupas do meu armário por cores e estilos.
Mas nunca sei se conseguirei ver todas as pessoas com quem só me comuniquei por e-mail ou telefone durante a semana e falar mal do emprego, lamentar minha vida amorosa e contar tudo sobre a festa estranha com gente esquisita que rolou no dia anterior.

Sei que é domingo quando bate aquela vontade de ser sexta-feira, 15h14, de novo e eu (aí sim!) dizer: “Não, não posso porque tenho um compromisso inadiável”. Passo o dia procurando uma coisa boa pra ver na televisão e, como sempre, paro no People & Arts pra assistir à maratona “Miami Ink” ou à 476652ª exibição de “Peixe Grande”.
Mas nunca sei se teria ousadia suficiente pra voltar no tempo e mudar a maneira como meu fim de semana começou ou se no dia seguinte conseguirei acordar na segunda vez em que o despertador tocar.

Sei que a semana começa e acaba. Sei que tudo poderia ter sido ser diferente. Sei que poderia ter saído mais cedo, falado menos ou ido a outro bar.
Mas, que danadas as evidências! E, pior que elas, os vícios! Alimentados inconscientemente pelos sete dias da semana…

Ontem, tudo indicava que conseguiria recuperar meu sono acumulado esta noite, mas não foi assim. Agora cruzo meus dedos para que os bons ventos outonais da semana mais fria de 2008 soprem dias melhores. Quarta-feira que vem estou aqui de novo e será fácil perceber se alguma coisa mudou!

Por Má-Má.

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