22 anos de puro viver

Abril 28, 2008 at 9:07 am (Sem categoria)

Ninguém nunca comenta quando você completa 22 anos. Isso é fato. Sempre o invejam quando você ainda está fazendo 15 anos, te alertam e te dão mil conselhos quando você faz 18 e atinge a maioridade. Fazem piadinhas quando você se torna uma balzaquiana e te respeitam mais e preferem o silêncio quando ultrapassa a quarta dezena.

 

Mas e os 22 anos? Foi aí que descobri o porquê de ninguém fazer nenhum comentário clichê para os dois patinhos na lagoa da sua vida. Simplesmente porque é quando você pode ter a mesma idade de outra pessoa e estar vivendo fases completamente diferentes. Pense em duas pessoas que você conhece que têm 22 anos. Deveriam estar nas mesmas condições de viver? Ou não deveriam? Gente! Essa idade é o máximo! Você pode estar querendo, fazendo, planejando, concretizando, sonhando, investindo (no gerúndio mesmo) em qualquer coisa que te pareça adequada para agora e para o que você quer mais pra frente! Qualquer coisa sensata é positiva. O ‘sensato’ fica por conta de cada um.

 

Foi quando eu fiz 22 anos. Parei para pensar. Parei mesmo. E percebi várias coisas que a rotina (maldita!) vai atropelando sem dar a devida importância. Por exemplo, só quando reflete um pouco é que percebe que já não se importa com os presentes que vai ganhar e sim com o presente que você já se pode dar.

 

Percebe também que mais importante do que as pessoas lembrarem de você no seu aniversário é elas lembrarem de você quando você precisa que alguém se lembre. Que a família, mesmo longe, é a primeira coisa na qual você pensa quando tenta achar alguém para agradecer por quem você é hoje. Que sim, sempre haverá pessoas que você gostaria que estivessem perto, mas que estão longe – ou não estão mais -.

 

Você percebe que não adianta pegar o diário de três anos atrás e se sentir culpada por não ter realizado tudo que planejou. Não basta idealizar, tem que colocar a mão na massa. Eu percebi que tenho responsabilidades de gente adulta! E que isso é muito chato, mas também me confere uma liberdade e independência que muita balzaquiana por aí ainda não conquistou.

 

Percebi que não é só com 35 anos ou mais que você percebe que está mais ‘caidinha’ e resolve imediatamente voltar a praticar exercícios físicos temendo que o pior aconteça quando a lei da gravidade for mais cruel. Percebi que já sei o que quero da vida.

 

Eu percebi que tenho um arco-íris de coisas a serem vividas e que estou disposta a lutar pelo pote de ouro no final dele. Sem preguiça, mas sem acordar tão cedo também. Que eu tenho um amor indescritível pelos meus amigos, mãe, pai e irmãs e que com certeza não teria forças para sorrir sem eles. Que, no momento, meu coração está ocupado e já é de alguém, que me faz acreditar na cumplicidade, companheirismo, intensidade e imperfeição de um relacionamento.

 

Que eu ainda não sei de tudo que gosto e espero experimentar mais infinitas cores, sabores, sensações e emoções. E, lógico, gostar de muitas delas. Mas eu já tenho certeza do que eu não gosto e do que e quem eu quero longe de mim.

 

Uma das coisas que gosto: meu trabalho, minha casa, minhas reflexões e meus textos. Minha espontaneidade e fidelidade. Gosto também do quanto gosto de agradar as pessoas que são queridas pra mim. Curto meu bom-humor e otimismo. Ah! Também gostei da minha franja nova! Devo dizer o que não gosto em mim? Acho que não. Isso eu guardo bem no fundo, do coração e da cabeça, e trabalho para não me incomodarem mais.

 

Mas preciso dizer: é muito bom fazer 22 anos, olhar para trás por cima dos ombros e sorrir ao relembrar o pedacinho da história da minha vida que já escrevi… Parabéns pra mim. Yeahh!!

 

Por May.

 

 

Link Permanente 3 Comentários